Tuesday, February 23, 2016

Pesquisa comprova: meditar reduz stress e risco de doenças inflamatórias Estudo feito por cientistas americanos mostrou pela primeira vez que, ao contrário de um placebo, a prática leva a alterações cerebrais que têm efeitos positivos na saúde

Um estudo científico feito pela Universidade Carnegie Mellon, nos Estados Unidos, trouxe novas evidências de que a meditação, mais do que relaxar, tem efeitos positivos na saúde. A pesquisa, liderada pelo professor J. David Creswell, mostrou pela primeira vez que, ao contrário de um placebo, a prática é capaz de provocar alterações mentais que podem reduzir o stress e o risco de doenças inflamatórias, como as do intestino.

Um dos problemas dos estudos científicos sobre meditação é metodológico: para apresentar resultados rigorosos e contundentes, os pesquisadores costumam utilizar um grupo controle na pesquisa – ou seja, participantes que, por exemplo, tomam um placebo enquanto outros recebem um medicamento. Assim os resultados dos dois grupos podem ser comparados ao final. Mas, como criar um efeito placebo com a meditação, uma atividade que os indivíduos normalmente têm consciência de estar praticando?

Para resolver essa questão, Creswell e sua equipe recrutaram 35 pessoas desempregadas, que estavam procurando vagas no mercado de trabalho, e, portanto, se encontravam em uma situação estressante. Os especialistas fizeram exames de sangue e neurológicos com os participantes e, em seguida, dividiram o grupo em dois. Metade dos indivíduos foi para um retiro e aprendeu a realizar práticas autênticas de meditação enquanto a outra metade foi submetida a uma meditação “enganosa” – técnicas de relaxamento capazes de distrair os participantes de suas preocupações (sendo este o efeito placebo).

Os indivíduos realizaram as atividades durante três dias, sendo examinados cinco minutos antes e depois de cada sessão. De acordo com a pesquisa, todos os integrantes se diziam mais animados e preparados para enfrentar o stress do desemprego ao final do período de testes. Contudo, apenas o cérebro dos participantes que realizaram a meditação autêntica apresentava diferenças. Esse grupo mostrava mais comunicação entre as áreas cerebrais que coordenam as respostas ao stress e as relacionadas a foco e calma. Após quatro meses, testes sanguíneos revelaram que o grupo que praticou a meditação ainda apresentava níveis reduzidos para os marcadores de doenças inflamatórias, ao contrário da porção que praticou as técnicas de relaxamento.

A equipe de especialistas acredita que os resultados são as primeiras evidências de que a meditação pode estar associada à redução do risco de doenças inflamatórias.

Respaldo científico – Difundida em toda a Ásia, a prática começou a se popularizar no ocidente durante os anos 1960. Até a década passada, no entanto, não contava com o aval da ciência. Nos últimos anos, com o avanço de técnicas como a ressonância magnética e a tomografica, os cientistas começaram a perceber que a meditação pode alterar o funcionamento de algumas áreas cerebrais que influenciam no equilíbrio do organismo, trazendo impactos concretos e positivos na saúde.

Confira a matéria completa no portal Veja.com

“A busca por ajuda não é um sinal de fraqueza”: Michelle Obama participa de campanha contra depressão

Primeira-dama dos Estados Unidos elogiou trabalho de Kate Middleton sobre saúde mental e participou de projeto para promover debate sobre doenças

Duas mulheres inspiradoras se uniram para promover o debate sobre saúde mental. Kate Middleton foi convidada para atuar como editora especial do portal de notícias online The Huffington Post UK por um dia. E envolveu Michelle Obama em seu projeto de conscientização sobre a importância do diálogo entre as famílias sobre depressão e ansiedade.

A duquesa de Cambridge e mulher do príncipe William convidou uma equipe da publicação para ir ao Palácio de Kensington e usou seu posto como editora convidada para destacar o trabalho realizado por professores, pais, pesquisadores e profissionais de saúde mental. Desde que se casou com William em 2011, Kate se tornou patrocinadora de instituições importante, entre elas a Place2Be, que oferece serviços de saúde mental e suporte emocional a escolas, atendendo mais de 67 mil crianças em 175 escolas por toda Grã-Bretanha.

Kate afirmou ainda que ela e William incentivarão os filhos, George, de dois anos, e Charlotte, de nove meses, a falar sobre os seus sentimentos e buscar apoio psiquiátrico, se necessário. “Nós esperamos encorajar George e Charlotte a falar sobre seus sentimentos, e dar-lhes as ferramentas e sensibilidade para serem fontes de apoio para os seus amigos quando eles envelhecerem. Sabemos que não há vergonha em uma criança lutando com suas emoções”, escreveu ela.

Convidada para participar do projeto, a primeira-dama dos Estados Unidos Michelle Obama elogiou a iniciativa de Kate. Em seu artigo, revelou seu apoio às famílias que sofrem em silencio e narrou as iniciativas do governo americano para apoiar ações de amparo psicológico. “A Duquesa de Cambridge tem sido uma voz apaixonada em tantas questões importantes, e eu sou grata por ela usar seu dia como editora convidado para brilhar uma luz sobre a saúde mental, em particular a saúde mental das crianças e, por dezenas de milhões de pessoas que sofrem em silêncio”, escreveu.

O texto de Michelle faz parte de uma série de artigos concebidos para estimular a conversa sobre saúde mental com as crianças e jovens, para que eles se sintam amados, valorizados e compreendidos.
Michelle contou a história do ex-combatente Ryan Rigdon. Ele entrou para a Marinha aos 20 anos e foi enviado ao Iraque pela primeira vez alguns anos mais tarde. Ele serviu em uma equipe que desarmava bombas. Uma de suas funções era fazer a varredura dos locais onde as bombas explodiram e realizar a triagem dos destroços em cenas de verdadeira carnificina. Em reconhecimento ao seu trabalho, Ryan foi premiado com uma Estrela de Bronze e uma medalha do louvor do exército.

Ryan retornou para casa e voltou ao convívio com a esposa e as duas filhas. Mas a guerra permaneceu com ele. O jovem sofria com dores de cabeça constantes, pesadelos, ataques de pânico e crises de ansiedade. Andava de madrugada em torno da casa pois acreditava que sua família estava em constante perigo. Ryan não conseguiu lidar com o trauma pós-guerra e logo chegou ao fim do poço. A depressão o levou a pensar em tirar a própria vida. Felizmente ele buscou apoio e seus colegas e recebeu o suporte necessário para retomar sua vida.

Em seu texto, Michelle afirmou que através de seu trabalho com membros do serviço e veteranos das forças ela percebeu que casos como o de Ryan não são poucos. “Como Ryan, alguns dos nossos herois  no campo de batalha retornam para casa com as feridas da guerra – tanto visíveis quanto invisíveis – mas hesitam em pedir ajuda”, disse.

A ideia da primeira-dama é unir forças para honrar e apoiar os veteranos e famílias de militares. Ela resaltou ainda que dados apontam que a maioria dos ex-combatentes  não enfrenta quaisquer desafios de saúde mental, mas que é preciso lembrá-los sempre de que não estou sozinhos. Aproximadamente um em cada cinco adultos nos Estados Unidos sofrem de uma condição de saúde mental diagnosticável como depressão ou ansiedade. Esta realidade afeta a vida de mais de 40 milhões de americanos.

Para ela, preconceito e falta de conhecimento são os maiores obstáculos a serem vencidos quando se trata de saúde mental. “Infelizmente, com muita frequência o estigma em torno da saúde mental impede que as pessoas que precisam de ajuda a procurem. Mas isso simplesmente não faz qualquer sentido. Não importa se uma doença afeta seu coração, seu braço ou seu cérebro. Ela ainda é uma doença e não deve haver qualquer distinção”, afirmou.

Ela ressaltou ainda que a forma como as doenças da mente são tratadas. “Nós nunca dizemos a alguém com uma perna quebrada que ele deve parar de reclamar da dor. Nós não consideramos tomar medicação para uma infecção no ouvido como motivo de vergonha. Portanto, não devemos tratar condições de saúde mental de forma diferente. Em vez disso, devemos deixar claro que a busca por ajuda não é um sinal de fraqueza – é um sinal de força – e devemos assegurar que as pessoas possam obter o tratamento de que necessitam.”

Como parte deste esforço, o governo americano lançou uma lista de cinco sinais para ajudar as pessoas a reconhecer quando alguém precisa de ajuda.  Agitação, isolamento, desesperança, declínio na higiene pessoal e mudança na personalidade podem ser indícios de que alguém está lidando com um problema de saúde mental. “Ao reconhecer estes sinais, podemos ajudar as pessoas que conhecemos a obter a ajuda de que necessitam, antes que seja tarde demais”, escreveu Michelle.

“Precisamos aprender a identificar os sinais de problemas de saúde mental. Precisamos ter a coragem de ter conversas difíceis com os nossos amigos e familiares. E nós precisamos reconhecer que nossa saúde mental é tão importante quanto a nossa saúde física e começar a tratá-la dessa maneira”, finalizou a primeira-dama.
Escrito por Ana Carolina Castro (colaboradora) – Revista Claudia

Estudos revelam relação entre doenças psiquiátricas e distúrbios metabólicos

Pesquisa da Unifesp mostram que pacientes com baixo nível do hormônio adiponectina têm maior alteração de humor e persistência de sintomas depressivos

Doenças psiquiátricas como o transtorno bipolar e a depressão estão frequentemente associadas a distúrbios metabólicos como a diabetes tipo 2, a dislipidemia (lipídeos em níveis elevados) e a obesidade. A correlação foi observada por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em trabalho recentemente publicado no Journal of Psychiatric Research.

Os dados do estudo feito com 59 portadores de transtorno bipolar apontaram que os pacientes com níveis considerados baixos de adiponectina — hormônio produzido pelo tecido adiposo que ajuda a regular o metabolismo de glicose e de lipídeos — apresentavam um quadro psiquiátrico mais grave do que aqueles com níveis mais altos dessa proteína.

— No histórico desses pacientes com baixa adiponectina, observamos maior frequência de episódios de humor alterado, maior número de internações psiquiátricas, persistência de sintomas depressivos e pior funcionamento psicossocial. Eles também tinham mais distúrbios metabólicos, como intolerância à glicose, diabetes e dislipidemias — afirma a professora da Escola Paulista de Medicina Elisa Brietzke, coordenadora do projeto apoiado pela FAPESP.

Se os achados forem confirmados por estudos futuros, avaliou Brietzke, a dosagem de adiponectina no sangue de pacientes com transtorno bipolar poderá funcionar como um biomarcador auxiliar no prognóstico e no tratamento – sendo que níveis baixos desse hormônio seriam um indicativo de uma doença mais grave tanto do ponto de vista psiquiátrico quanto metabólico. Além disso, segundo a pesquisadora, os resultados abrem caminho para novos estudos voltados a testar intervenções que modulem os níveis de adiponectina nos pacientes bipolares.

* Zero Hora

Tuesday, February 16, 2016

“Depressão dói”: jornalista fala sobre estigma da depressão masculina

Steven Petrow
Do New York Times – UOL Mulher

Passei por uma série de situações difíceis nos últimos meses, entre elas a crise contínua da doença dos meus pais idosos e o suicídio de um amigo. Nunca perdi o apetite nem me debulhei em lágrimas, nem sofri de nenhum dos outros sintomas típicos da depressão. Talvez eu estivesse mais irritado do que de costume, um pouco mais propenso a ser ríspido. E, sim, mergulhei de cabeça no trabalho, mas não achava que houvesse caído no buraco da depressão.

Seria de se imaginar que eu deveria ser autoconsciente, pessoal e profissionalmente. Como jornalista de saúde, tenho usado com frequência minhas próprias histórias para escrever sobre sintomas médicos difíceis de discutir, como descobrir que tive câncer testicular aos 26 anos de idade e meu falso positivo para HIV – quando isso era uma sentença de morte. Contudo, nunca escrevi sobre sofrer de depressão, embora ela tenha me assolado desde a primeira vez que botei a caneta para funcionar, aos 11 anos, quando comecei a manter um diário.

Mesmo assim, não sou o único. Pelo menos seis milhões de homens nos Estados Unidos sofrem de depressão, segundo o Instituto Nacional de Saúde Mental. O número verdadeiro deve ser ainda maior, afirmou o Dr. Matthew Rudorfer, diretor associado da entidade para pesquisa de tratamento, já que os homens são menos propensos do que as mulheres a relatar sintomas clássicos como mau humor, tristeza ou choro, então geralmente eles não são diagnosticados. O médico me disse que os homens costumam “externalizar” sintomas como irritabilidade, raiva, agressividade, uso de álcool e outras substâncias, comportamentos de risco e trabalho compulsivo.

Ah, aquela coisa de macho: homens não ficam deprimidos, eles apenas trabalham, bebem e competem mais arduamente. Andrew Solomon, autor do livro de memórias pioneiro “O Demônio do Meio-Dia: Uma Anatomia da Depressão”, me contou que essa atitude ridícula faz parte da mentalidade de que os homens deveriam “encobrir seus humores com militarismo ou atletismo”.

Então, por que falar agora? Se houve um catalisador específico, deve ter sido a morte do meu amigo (sua família pediu para não revelar o nome verdadeiro), personal trainer que, em uma manhã de agosto, atendeu os clientes regulares – para depois voltar para casa e se matar com um tiro na cabeça.

Nem mesmo com uma visão retrospectiva perfeita eu teria suposto que ele corresse risco de depressão séria, que dirá de suicídio. Apenas três dias antes de sua morte, vivo e com empolgação, ele me contou que estava comprando a primeira casa e se candidatando a um cargo administrativo em uma academia desportiva. Ainda assim, como um de seus amigos mais próximos me disse posteriormente, “nunca se sabe onde mora a depressão”.

A maioria das pessoas, mesmo as que me conhecem bem, não enxergam a minha depressão. Sou um depressivo “altamente funcional”, decerto, e talvez, também habilidoso, escondendo meus sintomas com uma mistura de medicação, psicoterapia, exercício e sabendo quando fechar a porta para o mundo. E ao contrário das cicatrizes cirúrgicas (valeu, câncer), as deixadas pela depressão são invisíveis.

Eu me pergunto se tivesse conversado com meu amigo sobre a minha batalha se por acaso ele teria dito “eu também”. Entregando-me a um pensamento mágico, imagino se ele estaria vivo hoje se tivéssemos trocado figurinhas.

É estimulante que novos estudos derrubem anteriores segundo os quais as mulheres tinham o dobro da probabilidade do que os homens de passar por uma depressão. Por exemplo, um estudo de 2013 da Universidade do Michigan concluiu, “quando os sintomas alternativos e tradicionais estão combinados, as disparidades de gênero no predomínio da depressão são eliminadas”. Trocando em miúdos, homens e mulheres podem correr o mesmo risco.

O primeiro passo para reconhecer a depressão nos homens é diagnosticá-la adequadamente, ou seja, estabelecer critérios precisos – certificando-se de que os profissionais da saúde mental saibam o que procurar. O segundo passo, que pode parecer ainda mais difícil, é fazer mais homens tocarem no assunto.

O que me leva de volta ao meu próprio silêncio. Um dos motivos pelos quais fui incapaz de falar sobre meu problema até agora é que, como diz o anúncio do antidepressivo Cymbalta, “depressão dói”. Quando ouvi esse slogan pela primeira vez, fiz cara de enfado, mas passei a apreciar a genialidade do redator. Imagine ter pegado uma gripe ruim, do tipo que parece ter envenenado seu sangue, incapacitando-o fisicamente. Para mim, a depressão parece a pior gripe de todas, sem final à vista. É difícil tocar no tema quando se sente tanta dor.

E também tem o estigma. Por mais que eu entenda que doença é doença, física ou mental, e que existe uma abertura maior sobre a depressão hoje em dia do que há uma geração, sinto vergonha.

Meus encontros com o estigma foram profundos. Namorei um sujeito que me deu o fora sem a menor cerimônia ao descobrir que eu tomava um antidepressivo. Antes da lei que estabelece a assistência médica a preço acessível, o seguro-saúde me rejeitou – não por causa do meu histórico com câncer, mas pelo meu histórico de medicação. Por ter procurado ajuda, fui penalizado. “Não faz sentido”, disse meu clínico geral.

Então, decidi ser mais sincero. No ano passado, quando precisei declinar um compromisso, não inventei um problema físico, como fazia no passado. Pelo contrário, escrevi no e-mail: “A depressão que estou sentindo no presente momento torna difícil estar aí como prometido. Sinto muito”.

A depressão não precisa ser uma luta solitária, como Solomon tão bem a caracterizou. Porém, se eu não contar a você, você nunca vai me conhecer – nem me ajudar. Agora consigo me sentir agradecido quando os amigos me perguntam como estou me sentindo – só que não daquela maneira pavorosa: “Como. Vai. Você?”. E agradeço a quem pergunta: “Posso fazer alguma coisa por você?”.

Wednesday, February 10, 2016

Próximo curso de Estimulação Magnética Transcraniana: 11 de Março de 2016


Curso de EMT - IPAN
Curso de EMT – IPAN

Aula teórica: 9:00h até 13:00h
Hotel Tulip Inn
Rua Apeninos, 1070, Vila Mariana, São Paulo- SP







Estimulação magnética - IPAN
Estimulação magnética – IPAN

Aula prática: 14:00h até 18:30h
IPAN – 
Rua Vergueiro, 1855, sala 46, Vila Mariana – São Paulo


Descrição do curso:

Curso de EMT- IPAN
Curso de EMT- IPAN
O objetivo deste curso é a preparação do médico para o uso clínico da Estimulação Magnética Transcraniana repetitiva com eficácia e segurança.
Na inscrição está incluso livro do palestrante “Guia Prático de Estimulação Magnética Transcraniana” que será entregue no dia do curso.
Recomendamos também a leitura do artigo publicado recentemente, anexado neste convite, onde a técnica foi reconhecida grau de evidência A (definitivamente eficaz) para 2 indicações da EMT, em Neurologia e Psiquiatria, e o grau B para outras 2 indicações.



Ao final do curso, o médico deve ser capaz de indicar corretamente o método e fazer uso seguro e eficaz da técnica em sua prática clínica.

 

Conteúdo teórico:

1) Introdução e Histórico
2) Mecanismos fisiológicos
3) Equipamentos e Bobinas para EMT
4) Excitabilidade cortical
5) Indicações e protocolos terapêuticos
6) Segurança: riscos, complicações, contra-indicações

Conteúdo prático:

Curso de EMT
Curso de EMT – IPAN
1) Marcação de pontos e localização de hot-spot
2) Obtenção de limiar motor
3) Localização de área terapêutica por neuronavegação

Público-alvo:

Médicos

Organização Casa da Psiquiatria:

Para mais Informações ligue para Tricia:
(11) 2592-2029 icon_whatsapp(11) 99602-7169 (11) 96849-7169 ou pelo site Casa da Psiquiatria!

Estágio:

O IPAN também oferece estágio com vivência da prática diária! Mais informações Aqui!

Tuesday, February 2, 2016

Descoberta genética pode abrir a “caixa preta” da esquizofrenia

Estudo que identifica gene ligado à doença nos jovens, publicado na ‘Nature’, é saudado como um marco para a pesquisa de novos tratamentos

Cientistas americanos descobriram que o risco de esquizofrenia nos jovens está ligado a um determinado gene do sistema imunológico que controla o processo conhecido como “poda sináptica”, a redução de células de conexão cerebral que não são mais necessárias ao corpo. Publicada na última quarta-feira (27) no periódico Nature, o estudo foi recebido como um importante marco no desenvolvimento de métodos para o diagnóstico precoce da doença e novos tratamentos.

Realizada por neurocientistas e geneticistas de Harvard e do Massachusetts Institute of Technology (MIT), a pesquisa analisou 29.000 casos de esquizofrenia, 36.000 pessoas sem a doença e 700 cérebros de pacientes que morreram em decorrência da esquizofrenia. Eles colheram informações de cerca de 22 países do globo e identificaram, durante a pesquisa, o papel decisivo do gene C4 (ou componente complementar 4).

Localizado no cromossomo 6, o gene C4 sinaliza quais sinapses – conexões cerebrais que transmitem dados de um neurônio a outro – devem ser eliminadas durante o processo normal de “poda sináptica”. O que os pesquisadores perceberam foi que, em pacientes com esquizofrenia, uma única variação do C4 na sequência do DNA pode levar à eliminação de células que deveriam continuar em funcionamento, resultando em perda de massa cinzenta. “O gene está marcando sinapses demais, e elas estão sendo devoradas” explicou Beth Stevens, neurocientista do Children’s Hospital and Broad e co-autora da pesquisa.

“Pela primeira vez a origem da esquizofrenia não é mais uma completa ‘caixa preta’. Estudos recentes sobre o mecanismo biológico do câncer têm levado a muitos novos tratamentos”, disse Eric Lander, diretor do Board Institute, instituto do MIT que liderou as pesquisas. A esquizofrenia, que tem como principal sintoma a psicose, afeta mais de 25 milhões de pessoas no mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). O estudo publicado na Nature não indica que a cura da doença esteja próxima – seus mecanismos patogênicos ainda intrigam médicos e cientistas -, mas traz informações importantes para outras pesquisas nos campos da neurociência e genética.

Revista Veja