Thursday, October 29, 2015

Fotógrafa conta como venceu batalha contra esquizofrenia após 10 anos sem sair de casa


A fotógrafa britânica Alice Evans estava na universidade quando teve o primeiro episódio de esquizofrenia. Depois do diagnóstico, ela não saiu da casa dos pais durante dez anos.
Abaixo, Alice dá seu depoimento à BBC.

Eu tinha cerca de 20 anos e estudava na universidade quando fiquei muito mal. Tinha vindo de um vilarejo rural em Devon e era minha primeira vez em uma cidade.
Quando cheguei à universidade foi assustador, mas fiz alguns amigos e estava gostando do curso de teatro. Mas não conseguia me livrar dos pensamentos depressivos que tive durante minha adolescência.

Tinha três empregos para pagar pela faculdade e ainda tinha que estudar. Tudo isso foi muito pesado.
Com o passar do tempo parei de dormir e foi aí que os problemas realmente começaram.
Senti como se o mundo tivesse perdido as cores. É a única forma de descrever. Tudo se transformou em um tom tedioso de cinza.

Pensamentos e frases começaram a desaparecer de minha mente. Eu pensava em algo e deixava ir em embora. Puf! E não conseguia falar. As palavras simplesmente não saíam da minha boca.
Eu tinha medo o tempo todo, especialmente quando comecei a ouvir outras vozes no rádio e na TV. Eu não sabia o que estava acontecendo e não tinha ideia do quanto eu já estava doente.
Um fim de semana minha tia e meu tio me visitaram e, enquanto andávamos pela cidade, notei que não havia pessoas, de repente todas elas desapareceram e todos os prédios tinham desabado. Eu estava andando sozinha em uma cidade abandonada.

Claro que isto não estava acontecendo de verdade, mas quando você está no meio de um episódio psicótico aquela experiência do mundo é sua realidade. Não é como se estalando os dedos você pudesse voltar ao normal.

Aquele período da minha vida é incrivelmente nebuloso para mim. Eu estava tão confusa, assustada e cansada que realmente não me lembro de muita coisa.
E, porque eu não conseguia falar, não conseguia dizer para meus amigos e família o quanto a situação estava grave. Na verdade, acho que nem percebi. Quando você vive a psicose, na maior parte do tempo você está assustada demais para falar.
Um dia saí de casa, desorientada, sem saber onde estava indo. Sem ninguém para ajudar, vaguei pelas ruas da cidade sozinha e confusa, entrando em ônibus para tentar ir para casa sem saber para onde eles iam.
De alguma forma – até hoje não sei como – alguns amigos me encontraram angustiada e me levaram para a casa dos meus pais em Devon. Depois disso, eu não saí da casa durante dez anos.

Médicos

Meus pais me levaram para um psiquiatra que conversou gentilmente comigo e me deu remédios para diminuir os chamados sintomas “positivos” da esquizofrenia. Entre estes estão alucinações, ilusões e a confusão que eu estava tendo.
Foi muito bom ouvir o diagnóstico. Esquizofrenia. Pelo menos eu sabia com o que tinha que lidar, tinha uma resposta e poderia seguir em frente.
Os medicamentos ajudaram quase imediatamente, mas eu realmente queria conversar com alguém em sessões de terapia. Naquela época havia uma falta de verbas para este tipo de tratamento na rede pública, algo que continua sendo um problema para pessoas com problemas mentais hoje.
Com os remédios, comecei a fazer pequenos avanços para me recuperar. Comecei a falar um pouco e conseguia tomar banho, os cuidados pessoais básicos. Qualquer um que diga que doença mental não é debilitante está errado.
Infelizmente, os remédios tiveram um efeito na minha saúde física e, no fim do ano seguinte, eu tinha engordado 63,5 quilos devido aos efeitos colaterais.
Quando engordei tudo ficou mais difícil. Me sentia pouco atraente, relutante em ver meus amigos e ainda tinha medo de sair, então era difícil me exercitar.
Depois de alguns anos consegui um emprego em um pub local. Colocava os fones de ouvido e ouvia música enquanto trabalhava, então eu gostava muito. Mas, infelizmente, eu ficava doente e não conseguia manter um emprego. Tudo parecia ser um círculo vicioso.
Então, algo miraculoso aconteceu e eu acabei fazendo alguns amigos. Eu gostava muito de arte e música antes de ficar doente e minha mãe me convenceu a entrar em um grupo de teatro local.
Fiquei com medo da perspectiva de conhecer novas pessoas e atuar em um palco, mas todos me receberam bem e eu fiquei com um papel na peça que estavam encenando.
Não conseguia lembrar minhas falas, mas ninguém parecia se importar, os outros eram rápidos e engraçados e conseguiam preencher quando eu esquecia.
Meu melhor amigo no grupo, Tristan, me apoiava muito. Contei a ele que tinha esquizofrenia, ele já tinha passado por problemas de saúde mental também. Um dia ele anunciou que planejava entrar em uma universidade e sugeriu que eu tentasse também.
Estava aterrorizada, mas, com o apoio dele, tentei. Para minha surpresa, fui aceita na Escola de Arte Chelsea. Minha vida começou.

Fotos e filmes

Comecei a fazer fotos e filmes que expressavam como eu meu sentia. Me comunicava melhor por aqueles meios do que por palavras.
Outro passo importante foi que fui indicada para uma ótima equipe de saúde mental que me ajudou a obter o apoio que precisava para ser mais independente. E os funcionários e estudantes do colégio de arte me deram todo o apoio que precisava.
Dois anos atrás, tive outro pequeno problema quando meu ganho de peso me impediu de me recuperar totalmente de uma infecção e passei dez dias em cuidados intensivos com um caso grave de asma.
Felizmente fiquei bem depois, o bastante para uma cirurgia que me ajudou a perder peso, outro passo importante na minha recuperação.
Comecei a trabalhar como voluntária em uma instituição de caridade local voltada para saúde mental, o que me deu mais experiência. Eles me indicaram para terapia, o que foi fundamental na minha recuperação.
Mas a organização teve cortes de verbas e o escritório onde eu trabalhava foi fechado.
Antes disso, eles me ajudaram a tentar o mestrado na Royal College of Art e eu comecei a trabalhar como professora. Agora estou tentando o doutorado.
Precisei de 20 anos para chegar a este ponto da recuperação e ainda tenho problemas. Esquizofrenia é uma doença muito difícil de conviver e tenho sorte de ter o apoio da minha família e amigos.
Se pudermos desafiar o preconceito, conseguir investimento apropriado em saúde mental, demonstrar gentileza e dar apoio aos que enfrentam problemas como esquizofrenia, então as pessoas não serão abandonadas pelo tempo que eu fui.
BBC Brasil

Friday, October 16, 2015

Cientistas encontram mutações genéticas que causam depressão

São Paulo – Pela primeira vez, pesquisadores identificaram duas variantes genéticas que podem fazer com que um ser humano desenvolva um quadro de depressão, segundo estudo publicado na edição desta quarta-feira (16) da revista científica Nature.

A descoberta pode ajudar cientistas a entender melhor a biologia da depressão, além de definir os alvos genéticos que medicamentos podem atingir no futuro.

Apesar de 350 milhões de pessoas no mundo todo sofrerem de depressão, os pesquisadores tinham muita dificuldade para encontrar os marcadores genéticos que poderiam ser ligados à doença.
Descobrir uma eventual conexão genética da depressão pode ser a chave para a criação de remédios mais eficazes no combate da doença.

No estudo, os pesquisadores sequenciaram os genomas de 5 mil mulheres chinesas que apresentavam sintomas recorrentes da doença.

Isso permitiu com que os cientistas identificassem duas variantes genéticas, versões de genes presentes no cromossomo 10, relacionadas à doença.

Apesar da descoberta, essas duas variantes não são a única causa da depressão.
Na verdade, elas são responsáveis por menos de 1% das chances de uma pessoa desenvolver os sintomas da doença. Mas, para a ciência, o número é bastante significante.

Além disso, essa é a primeira vez que um estudo consegue provar que variações no DNA de um ser humano podem ser o gatilho para que alguém tenha um quadro depressivo.

“Estamos no começo de um caminho que pode levar ao esclarecimento da biologia da depressão, abrindo possibilidades de tratamento que até agora eram consideradas impossíveis”, afirma Kenneth Kendler, psiquiatra e geneticista da Universidade Virginia Commonweath e um dos autores do estudo.

Gabriel Garcia, de INFO Online
Revista Exame. Exame.com

Cientistas descobrem remédio que “cura” depressão em um dia




Cientistas descobrem remédio que “cura” depressão em um dia
São Paulo – A depressão é uma doença psiquiátrica muito complexa, que se caracteriza pela perda de prazer nas atividades diárias, apatia, alterações cognitivas e de apetite, entre outros.
Por ser diferente da tristeza comum que a maioria das pessoas sente em algum momento da vida, ela ainda é um mistério para a medicina – já que pode acometer qualquer pessoa em qualquer período da vida.

Para tentar ajudar no tratamento da patologia, que ainda não tem cura, cientistas acabam de descobrir um medicamento que pode melhorar os sintomas da depressão em apenas 24 horas.
A maioria das medicações usadas no tratamento da depressão atualmente ajuda a equilibrar o nível de serotonina no cérebro – neurotransmissor responsável pelo humor e que, normalmente, nessas pessoas, acaba sendo “mal distribuído” pelo cérebro.

O maior problema é que esses remédios podem demorar até oito semanas para fazer efeito e os pacientes podem sofrer diversos efeitos colaterais até seus organismos se acostumarem com eles.
O novo medicamento tem como foco outro neurotransmissor, o ácido gama-aminobutírico (mais conhecido pela sigla em inglês GABA), responsável pela regulação da excitabilidade neuronal ao longo do sistema nervoso.

Os testes feitos em ratos mostraram que a medicação foi capaz de melhorar os sintomas da depressão em apenas 24 horas.

“Temos provas de que estes compostos podem aliviar os sintomas devastadores da depressão em menos de um dia, e de uma forma que limita algumas das principais fraquezas das abordagens atuais”, disse Scott Thompson, presidente do Departamento de Fisiologia da Escola de Medicina da Universidade de Maryland e principal autor do estudo.

Os testes com ratos mostraram que os compostos aumentaram rapidamente a força de comunicação excitatória em regiões que estavam enfraquecidas pelo estresse e que se acredita serem enfraquecidas pela depressão humana.

Já em ratos que não estavam estressados, a medicação não mostrou efeito algum. Com isso, os pesquisadores acreditam que ela não terá efeitos colaterais em humanos.

Segundo Thompson, o medicamento agora precisa mostrar sua eficácia em humanos para poder, um dia, chegar ao mercado. “Agora, será tremendamente empolgante descobrir se eles produzem efeitos semelhantes em pacientes deprimidos.

Se estes compostos puderem rapidamente fornecer alívio dos sintomas da depressão humana, tais como pensamentos suicidas, eles têm capacidade para revolucionar a forma como os pacientes são tratados”, disse ele.

Karin Carneti, da INFO.
Revista Exame – Exame.com