Neurohealth/Divulgação
estimulação magnética

Na touca com as medidas do crânio de cada um, são marcados os pontos onde será feita a estimulação

A depressão é um mal que afeta a vida de 350 milhões de pessoas no mundo. Pode ser causada por estresse, distúrbios emocionais em decorrência de traumas como luto e divórcio, ou por fatores genéticos. No Brasil, já figura entre as quatro causas mais frequentes de afastamento do trabalho.

O tratamento mais conhecido – medicação para promover o reequilíbrio de certas substâncias químicas no cérebro – nem sempre é bem tolerado ou indicado para todos os pacientes, mas há uma terapia alternativa, a Estimulação Magnética Transcraniana (EMT).

Há dois níveis de eletroestimulação para combater a depressão. No caso da superficial, o procedimento não é cirúrgico, dispensa anestesia e necessidade de sedação. Um aparelho é colocado
sobre a cabeça do paciente. Dele, saem ondas magnéticas que atravessam o crânio e atingem as áreas
diretamente ligadas ao distúrbio –identificadas por exames prévios de imagem e avaliação médica.

A técnica é aplicada também em pacientes com transtorno bipolar, epilepsia e alucinações auditivas.

“Não é (procedimento) invasivo”, reforça a psiquiatra Mercedes Alves, da Stímulus Clínica de Estimulação Cerebral, que funciona no Hospital Lifecenter, em Belo Horizonte.

“O número de aplicações necessárias depende do problema e da resposta do paciente ao tratamento. Geralmente, essa resposta vem no período de três a cinco sessões”, explica a médica.

Outro método

Em alguns casos, a opção é a estimulação profunda, em que um eletrodo é implantado cirurgicamente      
no cérebro do paciente –também em área previamente identificada. Conectado por fios sob a pele a uma bateria colocada no tórax ou no ombro, como um marca-passo, o eletrodo gera uma corrente elétrica contínua para diminuir a incidência de movimentos involuntários do mal de Parkinson, sintomas de depressão profunda, Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), dores crônicas e dependência química.

A técnica já é aplicada no Hospital das Clínicas e na Clínica de Psiquiatria da USP (Universidade de São Paulo).

“Os equipamentos foram desenvolvidos para este fim (eletroestimu-lação). Estudos de bioengenharia e neurofisiologia permitiram determinar o tipo de estímulo e os materiais envolvidos para serem usados de maneira segura e eficiente no ser humano”, explica a médica Julieta Guevara, da Clínica

Neurohealth, no Rio de Janeiro.

“A bobina é especialmente desenhada para se adaptar à calota craniana e produzir um campo magnético alternante, que origina o pulso com penetração suficiente para modificar o circuito disfuncional”, detalha, frisando que não há efeitos colaterais.

Resultados

Os pacientes permanecem acordados, reclinados numa cadeira relaxante e podem interagir com o médico durante o procedimento, se for necessário.ogo após a sessão, podem retomar a rotina.

De acordo com Julieta Guevara, o sucesso do tratamento é medido pela redução ou desaparecimento
dos sintomas.

“O resultado aparece com as aplicações sucessivas, porque o efeito é acumulativo. Todas as indicações possuem um número de estímulos predeterminado estatisticamente, em que 95% dos indivíduos obtiveram resposta positiva”, comemora.

De acordo com os resultados, completa a médica, é possível reduzir ou retirar os psicofármacos do dia a dia dos pacientes, alguns deles indicados para este método justamente porque não podem usar antidepressivos “devido à intercorrências metabólicas” que incompatibilizam seu uso por causa dos efeitos colaterais.

Alguns planos de saúde cobrem o tratamento


O custo médio de cada sessão de Estimulação Magnética Transcraniana (EMT) é R$ 600. Nem todos os planos de saúde cobrem os procedimentos, mas quem precisa pode ter acesso ao tratamento em centros de pesquisa, como Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A assessoria de imprensa do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) não soube informar se é verídica a informação de que a instituição já teria equipamento para aplicação das ondas eletromagnéticas, mas ainda sem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso.

“Foi aprovado pela Comissão Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM) em São Paulo o reembolso do custo pelos planos de saúde”, afirma a psiquiatra Julieta Guevara, da Clínica
Neurohealth, no Rio, sem esclarecer se a medida vale para todo o país.

“A Estimulação Transcraniana já é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e alguns planos de saúde cobrem, sim, esse procedimento”, reforça Guevara, especialista em eletroconvulsoterapia.

Ela acrescenta que o tratamento é altamente indicado para mulheres grávidas, idosos e pessoas que não respondem ao tratamento com drogas.

A psiquiatra Mercedes Alves, da Stímulus Clínica, no Lifecenter, em Belo Horizonte, lembra que fobias, anorexia e bulimia são “equivalentes depressivos”. Portanto, pacientes com esses distúrbios podem ser submetidos ao tratamento com ondas eletromagnética

http://www.hojeemdia.com.br/noticias/ciência-e-tecnologia/estimulac-o-magnetica-e-alternativa-indolor-para-tratar-a-depress-o-1.234522