Monday, February 23, 2015

Estimulação Magnética Transcraniana (EMT)


Estimulação Magnética Transcraniana (EMT)
Reconhecida para tratamento de depressão pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) em 2012, a técnica de estimulação magnética transcraniana (EMT) superficial consiste em aplicar ondas eletromagnéticas sobre o cérebro, com o objetivo de modular o funcionamento de regiões (determinadas por exames de neuroimageamento) que operam de forma alterada em pessoas com transtorno neuropsiquiátricos. No caso da depressão, os estímulos, produzidos a 3 centímetros de profundidade, são direcionados para o córtex dorsolateral pré – frontal esquerdo, região associada, entre outras funções, ao autocontrole e à resposta a situações estressantes, e hipoativa (com atividade abaixo do normal) em depressivos. As ondas eletromagnéticas aumentam o fluxo sanguíneo na área e, consequentemente, sua atividade cerebral.


“A área do cérebro a ser trabalhada é marcada numa touca e o médico direciona os estímulos para o local correto”, explica o psiquiatra Marco Marcolin, coordenador do Serviço de Estimulação Magnética Transcraniana do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP). A EMT pode ajudar pacientes que não respondem ao tratamento medicamentoso, acelerar a resposta a ele ou mesmo ser uma alternativa para aqueles que não toleram os efeitos colaterais dos antidepressivos ou têm contraindicação a esses medicamentos.
Cada sessão dura aproximadamente 15 minutos (com intervalos entre as aplicações) e é indolor, pois o tratamento é não invasivo, isto é, não há nenhum tipo de corte nem é preciso anestesia. Os efeitos colaterais são poucos significativos, como vermelhidão na área de aplicação, zumbido e dores de cabeça. Um estudo observacional publicado em junho de 2012 na Depression and Anxiety, que acompanhou 307 pacientes com depressão grave que não estavam sendo tratados com antidepressivos, aponta que a EMT é eficaz para pacientes que não respondem aos medicamentos: as taxas de resposta foram de 58% e, de remissão, 37%.
Atualmente, em um estudo em andamento no IPQ-USP, os pesquisadores estão testando uma versão mais profunda de EMT, na qual os estímulos eletromagnéticos são aplicados com profundidade de 8 centímetros, e não de 3, como na EMT superficial. O Brasil é um dos poucos países no mundo que fazem a pesquisa, além de Estados Unidos, Israel, Canadá e Alemanha. Por precisar ainda de definição de limites de seu emprego e de critérios de segurança, a EMT profunda por enquanto é um tratamento apenas experimental.


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Mirar os neurônios certos


O desafio da estimulação com campos elétricos e magnéticos é atingir áreas cada vez mais específicas, para tratar o câncer cerebral e a depressão



Campos elétricos e magnéticos são capazes de influenciar e alterar a ação de células neurais. O problema é que geralmente afetam as células indiscriminadamente, inclusive as sadias. Agora, os pesquisadores estudam como atingir essas áreas mais precisamente para tratar o câncer cerebral e a depressão maior.


Em 2011, o Food and Drug Administration (FDA, órgão que cuida da regulação de drogas e alimentos nos Estados Unidos) aprovou uma touca portátil que dispara campos elétricos alternados de baixa intensidade para tratar tumores em adultos com glioblastoma multiforme recorrente, a forma mais comum e persistente de câncer no cérebro. Células cancerígenas que se dividem rapidamente têm forma e carga elétrica específicas, o que permite que os campos de força as destaquem. A destruição da máquina de copiar células tumorais poderia incitá-las ao suicídio. A tecnologia já está em fase de teste contra outros tipos de câncer, como o de pulmão e o meningioma (que atinge as membranas que recobrem e protegem o cérebro).


Outra técnica emergente procura atingir alvos específicos para tratar a depressão maior. Ainda em fase experimental, a terapia magnética convulsiva (TMC) cobre certas áreas do cérebro com intensos e fortes campos magnéticos alternados, o que provoca alterações químicas nos neurônios que os fazem disparar simultaneamente, induzindo a uma convulsão. O objetivo é o mesmo da terapia eletroconvulsiva (ECT), popularmente conhecida como terapia de choque. Por razões não esclarecidas, provocar atividade elétrica no córtex alivia sintomas do transtorno. No entanto, a ECT atinge uma faixa maior de tecido. Os espasmos cerebrais podem provocar perda de memória e outros efeitos colaterais negativos. Os pesquisadores esperam, num futuro próximo, substituir essa abordagem pela TMC localizada.


Revista Mente e Cérebro 


Novidades sobre a depressão


Novidades sobre a depressão  

 Alteração química cerebral pode ajudar a explicar por que pessoas deprimidas prestam mais atenção ao lado cinza dívida. O distúrbio também está relacionado a conexões neurais e à anatomia dos lobos cerebrais. Medicamentos são úteis, mas em casos moderados psicoterapia ainda é a saída mais eficiente.



 


Revista Mente e Cérebro 
De cérebro para cérebro 
Por Simon Markin e Tori Rodriguez, jornalistas



Falhas na conexão



Há casos em que a estimulação magnética transçraniana (TMS) pode ajudar a amenizar sintomas.


Pessoas que sofrem com a depressão mas são resistentes aos medicamentos podem encontrar alívio na tecnologia. Entretanto, os mecanismos que colaboram, com a melhora ainda não são totalmente claros. Um estudo finalizado há alguns meses sugere que a estimulação magnética transcraniana (TMS) é capaz de corrigir as conexões neurais.


Pesquisadores da Escola de Medicina Weil Cornell utilizaram a ressonância magnética funcional para escanear o cérebro de 17 pacientes com o transtorno afetivo e de 35 voluntários saudáveis orientados para procurar não focar a mente em nada específico. Estudos anteriores mostram que as regiões que permanecem ativas nesse estado de repouso, conhecidas pelos neurocientistas como rede neural em modo padrão, são hiperconectadas na depressão. Essas áreas regulam o foco interno, por isso os cientistas acreditam que o fluxo extra pode estar relacionado com a ruminação de pensamentos negativos, tão comum em pacientes com o distúrbio.


Num primeiro momento, os pesquisadores confirmaram a hiperconectividade dessas regiões nas pessoas com depressão. Depois, os pacientes receberam tratamento padrão com a TMS durante cinco semanas, antes de passarem por um novo exame de imagem cerebral.
Nem todos se beneficiaram com a técnica, mas os que mostraram avanços revelaram um padrão interesse: diminuição da alta conectividade neural. Os testes mostraram atividade cerebral similar à dos participantes saudáveis. Além disso, aqueles que inicialmente tinham ligações mais estreitas entre as regiões de estado de repouso eram mais propensos a responder à TMS - mais evidências que auxiliam a esclarecer como a técnica ajuda a tratar a depressão.


Os resultados sugerem como ajudar a personalizar o tratamento. Um paciente poderia passar por um rápido exame de ressonância magnética funcional, por exemplo, para verificar se o cérebro é hiperconectado. Caso não se enquadrasse no perfil, evitaria o tratamento caro e demorado da TMS. O neurocientista Marc Dudin, coautor do estudo, ressalta que identificar as alterações neurais com maior precisão ajuda a encontrar tratamento mais eficaz com maior rapidez.
(Nessa Bryce, jornalista)


Revista Mente e Cérebro 
De cérebro para cérebro 
Confira a matéria completa na Revista Mente e Cérebro, Ano XXI. N. 265