Monday, January 19, 2015

Depoimento paciente IPAN


“Aos 29 comecei a me consultar com a Dra. Marina Odebrecht Rosa no IPAN, hoje eu a agradeço pelo seu comprometimento e empatia, elementos sem os quais eu não teria tido tanta confiança nela, no tratamento e em mim mesma.”

Durante um tempo eu pensava ter algum problema muito sério, não era possível que tivesse tantos conflitos, tantos impulsos, tantas crises... altos e baixos para controlar. Mas hoje lembro com clareza das palavras de um excelente psiquiatra que foi o primeiro com quem falei, ele disse depois de me ouvir na consulta "bem vinda à condição humana". Na época eu tinha 19 anos e fui conduzindo esses altos e baixos até que muito bem, mas anos mais tarde "a condição humana" estava difícil de lidar, sentia-me depressiva, pensava ser bipolar, lia sobre todos os tipos de condições psiquiátricas, certa de que em alguma delas eu me encaixaria. 

Aos 29 comecei a me consultar com a Dra. Marina Odebrecht Rosa no IPAN. Isso, após passar por tantos profissionais que, sem a menor empatia (condição básica para se dizer que "cuida" da saúde de outras pessoas), me prescreveram medicações sem nunca me orientar sobre seu uso correto, sobre seus efeitos adversos, nem mesmo eram preocupados em acompanhar possíveis evoluções.

Eu sempre tive medo de medicações, houve momentos de pensar que elas não deveriam ser utilizadas nunca. Mas no tratamento que fiz no IPAN eu conheci os benefícios de um tratamento sério, correto e multidisciplinar. A Dra. Marina me orientou a fazer acompanhamento psicológico semanal, e com muita atenção também me escutava nas consultas, e hoje eu entendo que o uso de qualquer droga terapêutica sem um acompanhamento psicológico em paralelo pode ser ineficaz.

No meu caso as medicações sendo ajustadas a cada consulta, os efeitos colaterais sendo observados de perto com a preocupação de manter qualidade de vida, foi fundamental para barrar sintomas que me impediam de olhar para os problemas da minha vida e lidar com eles de forma construtiva, muitas vezes uma medicação podia me controlar uma crise de choro, ou um acesso de raiva, mas sem o diálogo com os profissionais que me acompanhavam eu não poderia compreender como evitar aquelas situações tão pouco como tomar as rédeas da minha vida, e seria hoje apenas dependente dessas medicações.

Eu ouvi de alguns psiquiatras, uma vez que eu havia começado a tomar Carbolithium por exemplo, que eu nunca mais poderia abandonar a medicação. Já com a Dra. Marina o propósito do tratamento foi justamente fazer uso das medicações (foram algumas durante o tratamento) para controlar as crises, para não me arrastar por elas, e assim poder me conhecer, me auto analisar, analisar minha vida e as mudanças que eram possíveis aplicar nela... e então aos poucos eu poderia sim, reduzir até parar com a medicação. E foi o que aconteceu, de forma gradual, onde pouco a pouco eu mesma pude ir ditando os rumos do tratamento.

Parabenizo o IPAN pela seriedade e ética profissional, e em especial agradeço à Dra. Marina pelo seu comprometimento e empatia durante esse processo, elementos sem os quais eu não teria tido tanta confiança nela, no tratamento e em mim mesma.

P.S.