Friday, August 22, 2014

Novo tratamento para a depressão mostra resultados imediatos


Novo tratamento para a depressão mostra resultados imediatos
Melhora substancial do humor é observada logo após o tratamento com estimulação magnética de baixo campo.

Indivíduos com transtorno depressivo ou transtorno bipolar que receberam estimulação magnética de baixo campo (do inglês low-field magnetic stimulation, LFMS) mostraram uma melhora substancial e imediata do humor, segundo relato dos pesquisadores do Hospital McLean, Biological Psychiatry, 01 de agosto.

"LFMS é diferente de qualquer tratamento atual. Ela usa fração da força de campos magnéticos, mas com uma frequência maior do que os campos eletromagnéticos utilizados na estimulação magnética transcraniana (EMT) e eletroconvulsoterapia (ECT), explicou o pesquisador e professor de Harvard Medical School e Imaging Center do McLean Hospital.

De acordo com Rohan, apesar de outros tratamentos de estimulação cerebral como ECT e EMT serem eficazes para o tratamento da depressão, podem levar mais tempo para obter melhora, e além disso, a ECT está associada a efeitos colaterais, tais como a perda de memória.

Da mesma forma, os antidepressivos são eficazes no tratamento da depressão, mas levam de quatro a seis semanas para causar alterações no humor.

"É importante ressaltar que a LFMS parece ter um efeito imediato no humor e, portanto, proporciona alívio em situações de emergência", explicou Rohan, em seu primeiro relato sobre o uso da LFMS para tratar a depressão, em 2004. "Além da LFMS proporcionar alívio rápido dos sintomas, apresenta a vantagem de não apresentar efeitos colaterais "

Um dispositivo portátil de LFMS foi projetado em uma maca por Rohan. Os pesquisadores estudaram 63 voluntários com idades entre 18 e 65 anos. Todos os participantes haviam sido diagnosticados com transtorno depressivo ou transtorno bipolar e estavam em uso de antidepressivos ou estabilizadores do humor por, pelo menos, seis semanas. Dos participantes do estudo, 34 receberam LFMS ativa, enquanto os outros 29 passaram pelo processo, mas não receberam a estimulação cerebral. Nem os pacientes, nem os pesquisadores sabiam quais participantes tinham recebido o tratamento ativo, desta forma o verdadeiro efeito da LFMS pode ser medido.

Cada participante foi avaliado antes e depois de cada tratamento com duas escalas de auto-avaliação: a escala visual analógica e a escala de afeto positivo e negativo. Os participantes que receberam o tratamento ativo da LFMS apresentaram uma melhora acentuada do humor, enquanto aqueles que não foram estimulados não apresentaram mudança alguma do humor.

"Observamos uma melhora imediata do humor logo após a sessão de LFMS", disse Rohan. "Embora sejam necessários mais estudos, podemos considerar a LFMS como uma ferramenta de ação rápida para o tratamento da depressão, por si só ou em combinação com medicamentos."

Biological Psychiatry também publicou comentários de especialistas em estimulação cerebral que acham o trabalho de Rohan com LFMS inovador e promissor.

"Se os resultados descritos neste estudo forem replicadas em outros estudos e os efeitos se mostrarem duradouros, a LFMS seria uma opção bem-vinda ao arsenal terapêutico da depressão. Esta técnica também pode ser útil em outras doenças psiquiátricas e neurológicas, nos informando e guiando para o futuro da neuromodulação", Mouhsin Shafi, Philip Stern, e Alvaro Pascual-Leone.

De acordo com Rohan, outras pesquisas já estão em andamento para encontrar os melhores parâmetros do uso da LFMS no tratamento da depressão. Ele também iniciou uma pesquisa para avaliar outros aspectos e medir o tempo que o efeito antidepressivo dura após o término do tratamento.

Confira a matéria completa, Harvard Gazette, 28 de Julho de 2014:

Friday, August 15, 2014

Tristeza não é depressão


Tristeza não é depressão
Identificar os sintomas logo no início garante um tratamento mais eficaz

Chamado o Mal do século, A Depressão atinge cada vez mais pessoas de todas as idades: Crianças, jovens, adultos e idosos. Só no Brasil, afeta mais de 36 milhões de pessoas. De acordo com a Organização Mundial de saúde (OMS), em 2020, a depressão será tão comum quanto a dor nas costas. Apesar disso, muitos pacientes nem se dão conta de que possuem a doença, que muitas vezes é confundida com tristeza.

“A tristeza profunda não é caracterizada por uma doença e pode ocorrer motivada por algum acontecimento, como por exemplo, a morte de uma pessoa querida. O que difere da depressão é tempo de duração e a intensidade, que são menores”, afirma a psicóloga Regiane Machado.


O que acontece no Organismo
Quando o quadro se instala, se não for tratado corretamente, a depressão pode levar meses para desaparecer. “A depressão é uma patologia que atinge os mediadores bio-químicos envolvidos na condução dos estímulos através dos neurônios, que possuem prolongamentos que não se tocam. Entre um e outro, há um espaço livre chamado sinapse, absolutamente fundamental para a troca de substâncias químicas, íons e corrente elétricas”, diz o médico psiquiatra Leonard Verea. Dessa forma, são essas substâncias trocadas na transmissão do impulso entre os neurônios, chamado neurotransmissores, que vão modular a passagem do estímulo representado por sinais elétricos.

E, na depressão, há um comprometimento dos neurotransmissores responsáveis pelo funcionamento normal do cérebro.


O Mal do Século
“A pessoa deprimida ou com predisposição, ás vezes com uma chateação corriqueira, pode ser nocauteada e cair num abismo sem fim ou então, ser mais resistente, mas numa crise “brava” também vai para o abismo. Por que é assim mesmo que se sente um deprimido”, afirma Leonard. O depressivo torna-se uma pessoa sem perspectiva de vida, sem amor próprio, pessimista, desanimada que não vê graça em nada a não ser no seu isolamento e luto em vida.

Segundo o profissional, esse desânimo não é falta de atitude e sim de um mal funcionamento cerebral. “Embora muitas pessoas acham que depressão é frescura, ela é uma doença, um desiquilíbrio bioquímico dos neurotransmissores”, conclui. E há diversos fatores que causam as síndromes depressivas. Podem ser fatores biológicos, genéticos ou neuroquímicos.

Do ponto de vista patológico, as síndromes depressivas têm uma relação fundamental com as experiências da perda. As reações surgem com muita frequência após perdas significativas: de uma pessoa muito querida, de um emprego, de um local de moradia, do status sócio-econômico ou de algo puramente simbólico, como também frustrações, decepções no trabalho e estresse.

As síndromes depressivas são, atualmente, reconhecidas como um problema prioritário de saúde pública, sendo considerada a primeira causa de incapacidade entre todos os problemas de saúde.

Artigo da Revista Vença a Depressão! Ano 3, N. 4 - 2014