Friday, February 8, 2013

USP testa estimulação com corrente elétrica para depressão

07/02/2013-04h07

USP testa estimulação com corrente elétrica para depressão

MARIANA VERSOLATO
DE SÃO PAULO

Pesquisadores da USP testam uma alternativa indolor, de baixo custo e com poucos efeitos colaterais para o tratamento da depressão.
 
Trata-se da estimulação com corrente elétrica contínua. E, ao que indica um estudo publicado pelo grupo no "Jama Psychiatry", revista da Associação Médica Americana, a técnica é eficaz.
Na pesquisa, 120 pessoas com depressão foram divididas em grupos para avaliar a eficácia da técnica, do antidepressivo sertralina (um inibidor da recaptação da serotonina) e da combinação dos dois tratamentos.

Drogas e estimulação tiveram resultados similares e, juntas, um resultado ainda melhor. Entre os que usaram as terapias combinadas, 63% tiveram alguma melhora.
Desses, 46% tiveram remissão, ou seja, a ausência completa de sintomas.
combinação
Segundo André Brunoni, psiquiatra do Hospital Universitário da USP e principal autor da pesquisa, esse é o primeiro estudo a comparar o tratamento com antidepressivos e a combiná-los.
A explicação para o sucesso dessa soma ainda precisa ser confirmada por exames de imagem, mas os pesquisadores imaginam que a estimulação e o remédio atuem em diferentes regiões do cérebro ligadas à depressão.
A técnica, ainda experimental, tem poucos efeitos colaterais (no estudo, foram observados vermelhidão na área da cabeça onde os eletrodos foram posicionados e sete episódios de mania) e custo relativamente baixo.
O aparelho é simples de ser fabricado, pode ser portátil e custa de R$ 500 a R$ 1.000, segundo Brunoni.
Um aparelho de estimulação magnética transcraniana (técnica de neuromodulação não invasiva mais estudada e que recebeu o aval para depressão no Brasil em 2012) chega a custar de US$ 30 mil a US$ 50 mil (R$ 59 mil a R$ 119 mil).

Editoria de arte/Folhapress

CONVINCENTE

A estimulação por corrente contínua não é novidade --pesquisas em humanos para depressão e esquizofrenia são feitas desde a década de 1960. Os estudos foram retomados a partir de 1990, mas a quantidade é pequena.
"Até esse estudo da USP, os resultados desse tipo de estimulação não eram muito convincentes. Talvez isso se modifique agora", afirma Marcelo Berlim, professor assistente do departamento de psiquiatria da Universidade McGill, em Montréal, Canadá, e diretor da clínica de neuromodulação da instituição.
"É um avanço importante, mas não significa que vamos usar amanhã na prática clínica. Precisamos de mais estudos", diz Brunoni.
Berlim afirma que um dos entraves para que sejam feitas pesquisas maiores para a aprovação da técnica é a falta de investimento de grandes fabricantes do aparelho.
"Como ele é simples e barato, não há interesse por parte da indústria em desenvolver pesquisas de milhões de dólares", afirma o psiquiatra.

ELETROCHOQUE
Bobinas e eletrodos na cabeça não são exclusividade da estimulação elétrica por corrente contínua. Duas técnicas similares, que têm em comum a ausência de medicação, são usadas e aprovadas para depressão no país.
A eletroconvulsoterapia, conhecida como eletrochoque, é a mais invasiva. O paciente recebe anestesia geral, e os eletrodos induzem uma corrente elétrica no cérebro que provoca a convulsão, alterando os níveis de neurotransmissores e neuromoduladores, como a serotonina.
Ela é indicada para depressão profunda e em situações em que o paciente não responde aos medicamentos.
Seus efeitos cognitivos, porém, são indesejáveis e incluem perda de memória. Os defensores da técnica dizem que o problema é temporário.
Já a estimulação magnética é indolor e não requer anestesia, assim como a que usa corrente contínua.
Uma bobina, que é apoiada na cabeça do paciente, gera um campo magnético que afeta os neurônios, ativando-os ou inibindo-os. As ondas penetram cerca de 2 cm.
Em maio de 2012, o CFM (Conselho Federal de Medicina) aprovou a técnica para tratamento de depressões uni e bipolar (que pode causar oscilações de humor) e de alucinações auditivas em esquizofrenia e para planejamento de neurocirurgia.
O IPq (Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP), centro pioneiro em pesquisas com estimulação magnética no país, estuda a aplicação para depressão desde 1999.
"A estimulação por corrente contínua está hoje onde a estimulação magnética estava há 15 anos", afirma o psiquiatra André Brunoni.

http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1227227-usp-testa-estimulacao-com-corrente-eletrica-para-depressao.shtml

Estímulo magnético no cérebro pode neutralizar desejo de fumar, diz estudo

31/01/2013 08h29- Atualizado em 31/01/2013 08h29

Estímulo magnético no cérebro pode neutralizar desejo de fumar, diz estudo

Cientistas determinaram região cerebral onde a dependência se forma.
Circuito neural influência na tomada de decisão sobre fumar ou não.

Do G1, com agências internacionais*
O desejo de fumar pode ser neutralizado através da aplicação de estímulos magnéticos em determinadas zonas do cérebro, segundo os resultados de um estudo de cientistas japoneses e canadenses publicado nesta semana pela revista da Academia Americana de Ciências, a "PNAS".
Os cientistas conseguiram, através das tecnologias de imagem de ressonância magnética funcional (IRMf) e estímulo magnético transcraniano (SMT), determinar as regiões do córtex frontal onde a dependência se forma. Também determinaram que o desejo de fumar se formaria a partir de uma comunicação anormal de zonas de lóbulos frontais envolvidas nos processos de decisão.
"Nosso estudo demonstra que a necessidade de fumar não depende apenas do fato de os fumantes estarem ficando sem nicotina", disse Takuya Hayashi, do Centro RIKEN do Japão para a Ciência de Imagem Molecular. Um "circuito neural que participa na tomada de decisões e no autocontrole" também influencia, acrescentou Hayashi.
O estudo IRMF e SMT de dez fumantes demonstrou que quando eles eram submetidos a imagens de pessoas fumando surgia um estado de dependência. "Isto concorda com a opinião de que a toxicomania seja uma patologia da tomada de decisões", disse, por sua vez, o médico canadense Alain Dagher, de Montreal.
Estas pesquisas "podem conduzir ao desenvolvimento de tratamentos para o tabagismo e outros vícios" que levem em conta as redes de neurônios, disse Hayashi.
#cigarro (Foto: Srdjan Zivulovic/Reuters)Desejo de fumar pode ser neutralizado com estímulos magnéticos no cérebro, diz estudo (Foto: Srdjan Zivulovic/Reuters)
Fumo "apodrece" o cérebro
Recentemente, uma pesquisa britânica feita com quase 9 mil pessoas com mais de 50 anos mostrou que o cigarro "apodrece" o cérebro ao danificar a memória, o aprendizado e o raciocínio lógico.
O estudo foi realizado pela universidade King's College London, na Inglaterra. Cientistas envolvidos na pesquisa afirmam que as pessoas precisam perceber que o seu estilo de vida afeta tanto a mente quanto o corpo.
Os voluntários da pesquisa -- todos com mais de 50 anos -- participaram de testes de memorização de novas palavras. Eles também eram instigados a dizer o maior número de nomes de animais em um minuto.
Os resultados mostraram que o risco de ataque cardíaco e derrame "estão associados de forma significativa com o declínio cognitivo". As pessoas com maior risco foram as que mostraram maior declínio. Também foi identificada uma "associação consistente" entre fumo e baixos resultados no teste.

*Com informações da France Presse e da BBC
 
Portal G1:
http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2013/01/estimulo-magnetico-no-cerebro-pode-neutralizar-desejo-de-fumar-diz-estudo.html