Wednesday, November 27, 2013

Depoimentos de pacientes


Depoimentos de pacientes
Cada paciente é único, traz consigo suas histórias, angústias e necessidades. O paciente que chega ao IPAN é recebido por um profissional que dedicará seu tempo a compreendê-lo e oferecer o melhor tratamento possível para o seu momento.

Muitas vezes os pacientes sentem-se sozinhos e desamparados, esta página tem o objetivo de abrir espaço para que nossos pacientes possam compartilhar experiências e ajudar aqueles que buscam ajuda.



Além de todas as dificuldades enfrentadas por pacientes que sofrem de depressão e outros transtornos, quando conversamos com eles percebemos também uma barreira muito problemática: o preconceito. Em alguns dos depoimentos dos pacientes do IPAN podemos ler mais sobre esta dificuldade, clique aqui para ler.

Apesar de já percebermos uma melhora nos últimos anos, ainda há muito preconceito quanto às doenças como depressão, transtorno bipolar, esquizofrenia e outros. Diversas ações devem ser feitas para diminuir o preconceito e conscientizar a sociedade. Cada um pode fazer a sua parte, no site do IPAN temos muitos textos para esclarecer as dúvidas sobre os transtornos e cada um de nós pode disseminar informações corretas. 

A publicação dos depoimentos é autorizada pelos pacientes e suas identidades são preservadas.

Depoimento de paciente em tratamento com medicamentos: 


Meu nome é V. M., tenho 49 anos, sou casada, mãe de dois filhos, uma menina com 25 anos e um menino de 12 anos, resido na cidade de São Caetano do Sul, trabalho na área da Educação, exercendo a função de Assistente em uma Universidade.


Há muitos anos, convivi neste parâmetro terrível, a princípio imaginava que dentro do contexto do dia a dia, o que sentia era reflexo de preocupações, problemas, estress, mas com a persistência dos sintomas, como choro excessivo, tristeza, sensibilidade, sentimento de solidão, vontade de ficar deitada no silêncio e no escuro, irritabilidade, ansiedade, fadiga, cefaléia, impaciência, intolerância, insegurança, consumismo excessivo, era centralizadora, egocêntrica, desequilibrada, neurótica, perfeccionista, briguenta, sem vontade de conversar e com dificuldade de relacionamento com outras pessoas, por mais que tentasse não conseguia me sentir feliz, causando dentro da minha própria família, medo, discussões, distanciamento, um convívio sufocante e triste para todos.


Buscando informações através da internet para entender essa confusão de sentimentos, que me arruinavam a cada dia, pois tudo isso refletia na minha saúde não só mental, mas física também, a cada momento surgia um diagnóstico médico por conta de dores pelo corpo, e com essa variação de humor diariamente, pensei além de depressiva, sou também Bipolar, mesmo sendo evangélica, e pedindo muito para Deus a cura, tinha certeza que precisa de ajuda profissional, não que Deus não seja capaz de curar, mas existem os profissionais guiados por Ele para nos ajudar.


Nunca procurei nem um profissional da área da saúde, como neurologista, psiquiatra, terapeuta, psicólogo, para falar do assunto, quando de repente uma pessoa comentou sobre o IPAN, pesquisei através do site, lí todas as informações que ali constam, através dos depoimentos, currículos dos profissionais, sempre reconheci que precisava de ajuda, mas que não seria em qualquer lugar e com qualquer profissional, pois eu tinha a convicção que eu não queria um tratamento que mascarasse o problema, não queria viver dopada, mas que tratasse o foco que está gerando todas essas reações, conversei com meu esposo que me deu total apoio, pois sabia o quanto isso estava refletindo na minha vida em particular e em nossa família.


Cheguei ao IPAN em setembro/13, a Drª Marina, me recebeu, muito receptiva e simpática, acolhedora, me ouviu, me ajudou a expor os meus sentimentos, explicou o que estava acontecendo e diagnosticou realmente uma depressão, gerada por um histórico de vida e situações ao decorrer de vários anos, além das orientações, fui medicada e retornei agora, nov/13, após 2 meses de tratamento, totalmente diferente, posso dizer que hoje sou outra pessoa, a medicação não causou nenhuma reação contrária, foi de efeito rápido, é necessário continuar com o tratamento, pois cada pessoa tem um diagnóstico e um tempo para ser tratada, isso não me preocupa, o meu bem estar faz com que hoje eu consiga discernir o que é prioridade e necessidade, ser coerente para tomar decisões e resolver situações, não tenho mais aquele kit terror de sentimentos e reações, até o meu tom de voz, permite o equilíbrio de falar sem exaltação, dizem que o corpo fala, o meu me diz que está ótimo, meus filhos e meu marido dizem que não me reconhecem, que estão felizes, e eu posso declarar que estou de bem com a vida, até eu me desconheço.


O meu desejo é que pessoas possam ler meu depoimento, se fortalecerem através da coragem, atitude, da busca pela própria vida, gerando a saúde não só a si própria como prioridade, mas também as outras pessoas que vivem ao seu redor.


Não deixe que o preconceito em relação a profissionais da área como a Drª Marina e sua equipe, que através de estudos e descobertas a nosso favor, nos colocam a disposição o privilégio de conhecer o IPAN, e principalmente de nos ajudar a resgatar e fazer renascer o ser humano que Deus criou, com o propósito de sermos plenamente felizes.


A todas as pessoas que encontraram no IPAN e na amizade da equipe, mais um motivo para a sua existência.

Monday, November 11, 2013

A vergonha dos antidepressivos. Por Juliana Doretto


 Nem todos os que tomam esses remédios querem viver sem sofrimento: o que não querem é o sofrimento sem vida.  Lisboa

Todos os dias, de manhã, depois do café, eu procuro uma cartela prateada que fica em cima de meu criado-mudo. Religiosamente, tomo um comprimido. É um antidepressivo. Não tenho vergonha. Estou em tratamento, acompanhada por médico e psicólogo. Não sou mais fraca do que ninguém por ter ingerir a pílula. Não quero tomá-lo para sempre, mas não quero abandoná-lo apenas para provar a alguém que dou conta de tudo. Porque eu não dou. 

Em dois meses, meu (ex-)marido me pediu o divórcio de maneira repentina e perdi meu avô, que morreu em casa, após ter ficado gravemente doente durante meses. Dois acontecimentos muito intensos, em período curto de tempo. Procurei ajuda na terapia. Cheguei a ter sessões duas vezes por semana. Um dia, achando que já estava melhor, quis ficar sozinha em casa. Chorei por horas seguidas, passando a noite em claro. Era um desespero sem fim. Dificuldades para respirar. Mãos tremendo. De manhã, me arrumei e fui sozinha ao pronto-socorro. Não sei como cheguei lá. Precisava me acalmar, nem que fosse de modo artificial, com a ajuda de remédios. Nesse dia, percebi, com o auxílio também da terapia, que necessitava mais do que conversa. 

Eu estava doente. Mentalmente doente. Houve um desequilíbrio aterrorizador, que me tirou do prumo, que provocou uma queda abissal. Além da crise que me levou ao pronto-socorro, emagrecia continuamente e não tinha poder nenhum de concentração. Escolhi o psiquiatra pelo currículo: procurei alguém com boa formação acadêmica e experiência clínica, mas também pesquisador. Fui orientada a tomar um antidepressivo, com dosagem mínima, e a reforçar os exercícios físicos, além de continuar com a terapia. Faço tudo isso, há quase um ano. 

Mas a pílula não me fez parar de sofrer. Chorei muito pela tristeza das perdas, pelo desprezo que senti, pelas mudanças grandes que me assolaram. Passei por períodos de angústia, nervosismo, pensamentos confusos. Houve dias em que não tive vontade de sair de casa, e não saí. Ainda passo por tudo isso, mas em “dosagens” cada vez menores. Voltei a ter mais controle sobre minha vida: tenho rotina de trabalho novamente, pude me mudar para Lisboa (por conta do doutorado), consigo ficar sozinha, lido melhor com a tristeza que ainda vem. 

Há pessoas que procuram antidepressivos para tentar evitar a dor, e há médicos que indicam esses medicamentos de modo desnecessário? Certamente, pelo que lemos na imprensa. Mas nem todos os que tomam esses remédios estão fugindo do sofrimento. Eles querem escapar da sensação da falta de ar, do coração acelerado, do choro que não passa nunca, do medo sem motivo que vira companheiro de vida. São pessoas que não querem viver sem sofrimento: o que não querem é o sofrimento sem vida. 

Escrevi este texto porque ouço com certa frequência a pergunta: “Ainda toma remédio?”. E, algumas vezes, a questão vem acompanhada de sugestões: “Mas por que você não faz mais exercício, para parar com isso?”. “Já tentou ficar sem tomar?”. “Isso não é mania do médico, não?”. Bombardeada com perguntas assim e me sentindo mais inteira, pedi a meu psiquiatra que tentássemos reduzir o remédio. Ele acatou minha decisão, de forma experimental. Foram dias horríveis... 

Eu ainda não estou pronta. Mas estou no caminho. O medicamento me ajuda nisso, assim como a terapia, os exercícios, a família, os amigos, a música, o trabalho, o amor... E também este texto, e todos os outros que venho escrevendo neste espaço. E, por isso, agradeço a sua leitura. 

perfil Juliana Doretto - blog da Ruth (Foto: ÉPOCA)

 

 

 


Monday, September 30, 2013

No astral do Rivotril


Indicado para tratar síndrome do pânico e fobias, o medicamento de tarja preta é adotado por cariocas como panaceia para as tensões do dia a dia

por Sofia Cerqueira | 
Divulgação


Em meio à cacofonia de mensagens em que se transformou o Facebook durante os protestos que agitaram a cidade em julho, a ex-modelo Márcia Couto conseguiu se destacar em seu grupo de amigos. Durante uma noite particularmente conturbada por bombas de efeito moral, quebra-quebra e sirenes ligadas no bairro onde mora, o Leblon, ela saiu da cantilena político-indignada dos conhecidos que estavam on-line e tascou: "Gente, preciso de um Rivotril". Imediatamente, sua intervenção foi acolhida por uma enxurrada de comentários como "Eu também, eu também, vou tomar um, dois, três...". Embora quase todas as menções fossem em tom de galhofa, o episódio é uma pequena amostra de como esse medicamento criado há quatro décadas para tratar a epilepsia se tornou popular entre os cariocas. De acordo com dados de mercado, trata-se do calmante mais consumido no Rio, à frente de drogas para impotência sexual e hipertensão. Transformado em uma espécie de panaceia para as mais variadas aflições, é usado para dissipar o nervosismo em entrevistas de emprego, estancar a inquietação ante uma festa, aplacar a frustração de um rompimento amoroso ou eliminar o tormento da insônia. Márcia, por exemplo, sempre carrega uma cartela na bolsa para o caso de aparecer "uma tensão" no dia a dia. Nem mesmo a tarja preta na embalagem, sinal de que ali dentro existe uma substância que demanda cuidados especiais, arrefece o ânimo dos usuários. "Para muita gente funciona como se fosse o velho copinho de água com açúcar, o que evidentemente é um exagero", compara a médica Fátima Vasconcellos, presidente da Associação Psiquiátrica do Estado e chefe de clínica do Serviço de Psiquiatra da Santa Casa.

Felipe Fittipaldi



Chamado de "pílula da felicidade", "comprimido do relax" ou "gotinha da paz" em sua versão líquida, o Rivotril desfruta uma aura pop incomum para um medicamento. A fama é tanta que há uma série de piadas de gosto duvidoso em torno do produto — entre elas "Eu rivo sim, eu tô rivendo, tem gente que não rive e está morrendo" e "Rivotril, Rivotril meu, existe alguém mais calma do que eu?". Apenas na internet, há mais de oitenta páginas espalhadas pelas redes sociais fazendo alusão ao uso do remédio ou estampando o seu nome. Boa parte dessa popularidade vem dos efeitos do Rivotril, que desacelera o sistema nervoso central, nocauteando um grupo de neurotransmissores e reduzindo as respostas aos estímulos externos. Como resultado, induz a um relaxamento muscular, a uma sensação de tranquilidade, chegando à sedação leve, no caso de doses mais altas. Quem toma explica que o efeito é parecido com o do consumo de uma ou duas doses de álcool, mas mantendo a clareza dos pensamentos e uma impressão de calma e paz. Com tais atributos, transformou-se em um ícone dos balcões de farmácia e uma espécie de senha entre iniciados para se referir a situações-limite de stress e ansiedade. "Outro dia, antes de começar um debate no programa Na Moral, uma autoridade soltou sem cerimônia, fora do ar: ‘Só com Rivotril para aguentar’", recorda o jornalista e apresentador Pedro Bial. Ele não entrega o nome do entrevistado, mas não vê problemas em contar que tomou o comprimido por sete anos. "Usava sempre para dormir e, durante o dia, nos momentos mais críticos."

Felipe Fittipaldi


Tamanha popularidade não deixa de ser um paradoxo, principalmente por se tratar de uma droga de venda controlada, daquelas que requerem receituário especial com registro do nome do consumidor. Por exigência da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), medicamentos dessa categoria não podem ter sua imagem veiculada nem ser alvo de promoções voltadas para o público leigo. Dois fatores, no entanto, explicam a penetração do Rivotril. O primeiro é o custo. Considerado uma droga antiga, ele tem preço imbatível: com 5 reais compra-se a tranquilidade artificial em uma caixa de trinta comprimidos. Outro motivo que ajuda a explicar o sucesso do remédio é a forma indiscriminada de sua prescrição. Tornou-se comum o paciente chegar a um consultório com gastrite, enxaqueca, tensão menstrual, pressão alta, bruxismo ou qualquer outra queixa que tenha a mais leve relação com ansiedade e sair de lá com uma receita. Até dentistas o recomendam. Isso quando a indicação não vem de um parente ou colega de trabalho, conseguindo-se depois a autori­zação oficial com um médico amigo. "Acontece também de uma pessoa chegar com uma queixa, no meio de uma consulta, e dizer que outro profissional indicou o Rivotril. É uma maneira de sugerir que você também o faça", relata Marco Oliveira Py, presidente da Associação de Neurologia do Estado do Rio.

Tomás Rangel


É inegável que uma droga tão bem-sucedida traz benefícios às pessoas que a consomem. A questão central, evidentemente, não é o remédio. O problema aparece quando, sem o monitoramento adequado, ele se transforma em muleta diante da mais prosaica das adversidades. Assim como outros vícios, no início tudo fica uma maravilha. Só se veem a parte boa e os prazeres que o medicamento proporciona. Mas especialistas (e mesmo sua bula) afirmam que o Rivotril tem potencial para causar dependência depois de três meses de uso contínuo. Em comparação com outros tranquilizantes, seus efeitos colaterais são considerados menores, mas existem e precisam ser levados a sério. Ele pode dar sonolência, reduzir a concentração e até causar danos à memória. Uma crise de abstinência, por exemplo, pode virar um pesadelo. Algumas pessoas chegam a ser internadas para que o processo de interrupção do uso seja feito de forma gradativa. É comum que, no tratamento, a ansiedade se torne insuportável e venha associada a tremores, sudorese, taquicardia e mesmo convulsões. É uma experiência que a estudante de psicologia Maria Leal Velloso, de 32 anos, quer esquecer. "De uma ho­ra para outra fiquei fora de mim", conta ela, que interrompeu abruptamente a ingestão do medicamento. "As pessoas não se dão conta, mas ele pode viciar da mesma forma que o álcool e as drogas ilícitas", afirma a psiquiatra Analice Gigliotti, chefe do departamento de dependentes químicos da Santa Casa.

Felipe Fittipaldi


Assim como outras drogas que surgiram para combater um determinado mal, o Rivotril ao longo dos anos passou a ter várias utilidades. Lançado no mercado nacional em 1973 como anticonvulsivante, o produto, da classe dos benzodiazepínicos, foi alçado à condição de tranquilizante pelos inúmeros benefícios que apresentava em relação a outros medicamentos anteriormente usados para esse fim, os barbitúricos. Deveria ser indicado, sobretudo, para transtornos como síndrome do pânico e fobias em geral. Seu público-alvo, po­rém, é muito mais extenso. Com o ritmo de vida acelerado e a contínua exposição a pressões (sejam pessoais, sejam profissionais), um em cada três moradores de regiões metropolitanas apresenta distúrbios decorrentes da ansiedade. Os problemas com o sono também são muito frequentes: estima-se que atinjam de 15% a 27% da população adulta. Não à toa, suas vendas, somadas às das versões genéricas comercializadas sob o nome de Clonazepam, crescem ao ritmo de 15% ao ano. "Prescrito de forma correta e por um tempo adequado, o remédio é muito seguro e eficaz", defende o psiquiatra Antonio Egidio Nardi, professor titular da Faculdade de Medicina da UFRJ e uma das maiores autoridades em transtornos de ansiedade no país. "Mas não dá para usar um medicamento como válvula de escape e compensação aos dissabores do cotidiano", completa.

Felipe Fittipaldi


Ao contrário de produtos destinados ao tratamento de disfunção erétil, calvície ou acne, o Rivotril não se enquadra naquilo que os americanos chamam de lifestyle drug, ou "droga de estilo de vida". Está longe de ser de uso recreativo e implica um diagnóstico criterioso e sérios cuidados em sua administração. Como os médicos conscientes reforçam, o Rivotril de forma alguma deve ser visto como um paliativo para tensões cotidianas banais, como ir a um evento social ou falar em público. Nesse sentido, usar esse medicamento como pílulas ou gotinhas inócuas não é apenas um caso grave de ingenuidade. Trata-se da mais pura irresponsabilidade.

Felipe Fittipaldi


Felipe Fittipaldi

Friday, September 6, 2013

PSICOFOBIA É CRIME


Psiquiatras reclamam de tratamento com eletrochoque em Paloma de "Amor à Vida

06/09/2013 - 18h43

A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) divulgou nesta sexta-feira (6) uma nota de esclarecimento voltada à Globo.
DE SÃO PAULO
No documento, a associação reclama da forma como a novela "Amor à Vida" está retratando o tratamento psiquiátrico da protagonista Paloma (Paolla Oliveira).
"A condução do tratamento psiquiátrico dado à personagem não corresponde à realidade", diz o texto, que chama atenção para a terapia de eletrochoque à qual a personagem será submetida nos próximos capítulos.
Segundo a entidade, o tratamento de eletrochoque "é um procedimento seguro, eficaz e indolor" e só tem indicação para pacientes que não tiveram resultados satisfatórios com a medicação.
A associação reclama ainda que a psiquiatra da novela deu um diagnóstico baseado em "achismo" e que o folhetim pode reforçar a "psicofobia" da sociedade, descrita como um preconceito contra portadores de transtornos e deficiências mentais.
Por fim, a entidade se coloca à disposição da emissora para consultoria e para "que não venha a ferir o ofício do médico psiquiatra nem desrespeitar os 46 milhões de pacientes psiquiátricos do Brasil".

Tuesday, September 3, 2013

"Nova Abordagem para a depressão", The New York Times


"Nova Abordagem para a depressão", The New York Times

 Artigo publicado no The New York Times

Por Roni Caryn Rabin

Foto com Dr. Alan Manevitz e sua assistente, Joanna Robben, durante uma sessão de EMT.

Martha Rhodes teve a primeira crise de depressão aos 13 anos de idade. Por volta dos 50 anos, ela tinha tomado quase todos os antidepressivos existentes, incluindo Zoloft, Lexapro, Paxil, Effexor, Lamictal, Seroquel e Abilify. Alguns funcionavam por um tempo, e, a maioria, tinha efeitos colaterais.

Depois de uma tentativa de suicídio em 2009, ela tentou algo radicalmente diferente: a estimulação magnética transcraniana (EMT), ou do inglêsTranscranial Magnetic Stimulation (TMS). É um tratamento que utiliza pulsos magnéticos para estimular regiões do cérebro envolvidas na regulação do humor. Ao contrário da eletroconvulsoterapia (ECT) ou eletrochoque, que também é usado para tratar a depressão, a EMT não gera convulsão.

O tratamento durou 6 semanas e pouco mais de meia hora por dia. Eu ficava sentada em uma cadeira com um ímã afixado no lado esquerdo da minha cabeça. Após quatro semanas, "Eu acordei e havia algo diferente", disse a Sra. Rhodes, que escreveu um livro, "3000 Pulsos Later" descrevendo o tratamento. "Eu me senti mais leve. Eu acordei pela manhã e não queria mais morrer. "

Para a Sra. Rhodes, de 63 anos, uma ex-publicitária de alto escalão em Danbury, Connecticut, tratamento com EMT foi transformador, e ela não precisa mais de antidepressivos. Mas há ainda muitas perguntas sobre quantos pacientes respondem a EMT, são necessárias sessões diárias durante várias semanas, com custo elevado e muitas vezes não é coberto pelo plano de saúde.

O tratamento é realizado no consultório, o paciente fica sentado em uma poltrona com um grande ímã posicionado no lado esquerdo da cabeça. A ideia é que o campo magnético pulsátil, semelhante ao utilizado em RNM, cria uma corrente elétrica na superfície do cérebro restabelecendo o humor do paciente.

Nos EUA, a EMT é aprovada especificamente para pacientes com depressão refratária ou que não toleram os efeitos colaterais dos medicamentos, tais como ganho de peso e perda da libido. Muitos desses pacientes estão desesperados por tratamentos alternativos, mas não é certo que a EMT possa melhorar.

"Embora já esteja bastante claro que a EMT é eficaz em uma porcentagem de pacientes com depressão, ainda não é muito fácil predizer quais são os pacientes que melhoram", disse Dr. Steven J. Zalcman, o diretor clínico da agência de pesquisa em neurociência do Instituto Nacional de Saúde Mental.

Diretrizes práticas da Associação Psiquiátrica Americana (no inglês American Psychiatric Association - APA) sugerem que a EMT confere "de pequeno a moderado benefício", e que os resultados dos ensaios clínicos são misturados. "O copo está meio cheio ou meio vazio, depende de onde você está vindo", disse Dr. Mark S. George, um professor da Universidade de Medicina da Carolina do Sul, em Charleston.

Dr. George foi pesquisador no primeiro ensaio clínico randomizado com EMTr para tratar depressão resistente. O estudo descobriu que quase três vezes mais pacientes entraram em remissão após o tratamento EMTr verdadeira, em comparação com aqueles que receberam EMTr placebo. Mas o número foi pequeno: apenas 14 % dos pacientes tratados obtiveram remissão, enquanto 5% no grupo placebo.

Uma nova modalidade de tratamento, a EMT profunda, desenvolvida pela empresa israelense Brainsway e aprovada pelo Food and Drug Administration (FDA) deste ano, trouxe uma maior taxa de resposta em um ensaio clínico randomizado: 30% dos 233 pacientes obtiveram remissão, enquanto que 14,5% do grupo placebo.

Os pesquisadores da Braisnway alegam que o dispositivo tem como alvo regiões mais profundas do cérebro, como o núcleo accumbens, que desempenha um papel fundamental no circuito de recompensa do cérebro.

Segundo especialistas e o que parece mais próximo da realidade, os estudos que associaram antidepressivos com EMT, apresentaram taxas de resposta significativamente maiores do que no ensaio clínico conduzido pelo Dr. George. Um estudo recente e inédito, financiado por fabricantes de equipamentos, acompanharam os pacientes por um ano e encontraram um efeito duradouro, em cerca de metade dos pacientes que mantiveram melhora por 12 meses.

A vantagem da EMT é por não ser um tratamento invasivo e , ao contrário das medicações, parece ter poucos efeitos colaterais, apenas desconforto ou dor leve no no local do tratamento, ou dores de cabeça ocasional. No entanto, poucos pacientes abandonam o tratamento por causa da dor.

Efeitos a longo prazo não são conhecidos, mas a EMT não afeta a memória e a cognição, como eletroconvulsoterapia (ECT). Em casos raros, pode causar convulsões.

Em uma demonstração de uma sessão EMT no consultório do Dr. Alan Manevitz em Manhattan, a paciente, uma mulher de 55 anos que pediu para não ser identificada para preservar sua privacidade, se sentou em uma cadeira, enquanto um pequeno ímã era colocado sobre sobre o córtex pré-frontal do cérebro e apoiado por um braço mecânico.

Não houve anestesia ou sedação. O paciente podia ler ou assistir TV, mas não adormecer. Cochilar parece improvável, uma vez que o tratamento faz um som rat-a -tat estridente como se fosse um pica-pau, durante quatro segundos, seguidos por 26 segundos de silêncio antes de continuar. A sessão diária dura cerca de 37 minutos.

A paciente, recebeu o tratamento completo de EMT e agora está fazendo tratamento de manutenção, pois ela apresentou remissão do quadro depressivo grave e de longa data.
"Eu nem percebi que eu escorreguei ", disse ela . " Eu gostaria de ter feito isso há muito tempo . "

Uma versão deste artigo foi publicada na imprensa em 07/02/2013, na página D6 da edição de Nova Iorque, com a manchete: Nova Abordagem para a depressão.




 

Confira a notícia no The New York Times 



Thursday, August 15, 2013

Dr. Moacyr e Dra. Marina, diretores do IPAN, lançam 2ª edição do Guia Básico de Estimulação Magnética Transcraniana em Psiquiatria



Dr. Moacyr e Dra. Marina, diretores do IPAN, lançam 2ª edição do Guia Básico de Estimulação Magnética Transcraniana em Psiquiatria  
 Este Guia Básico contém os aspectos práticos fundamentais para a realização da Estimulação Magnética Transcraniana repetitiva (EMTr) com finalidade terapêutica em transtornos psiquiátricos. Com linguagem clara e didática, os autores, ambos especialistas em neuroestimulação com anos de experiência na técnica, nos oferecem um texto que é fundamental para o médico que quer realizar o procedimento de forma segura e eficaz. Atualizado de acordo com o mais recente consenso de especialistas e em conformidade com a resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM), o livro é referência obrigatória para aqueles que desejam aprimorar seu conhecimento no assunto.

Editora Sarvier

Thursday, August 8, 2013

"A EMTr salvou minha vida", Martha Rhodes. Livre da depressão, paciente de EMTr lança blog e livro sobre sua jornada


Depoimentos sobre o tratamento da depressão com Estimulação Magnética

"A EMTr salvou minha vida", Martha Rhodes. Livre da depressão, paciente de EMTr lança blog e livro sobre sua jornada  

Este depoimento não é de uma paciente do IPAN, mas é importantíssimo para todos que querem saber mais sobre os efeitos da EMTr. 
Martha Rhodes foi uma executiva do alto escalão das principais agências de propaganda de Nova Iorque, ela lutava contra a depressão todos os dias para conseguir sair de casa e ir trabalhar. Hoje, é uma entusiasta da Estimulação Magnética Transcraniana (EMTr), método que ela garante ter salvado sua vida. No depoimento abaixo ela conta como chegou ao limite em um tentativa de suicídio e hoje está com sua vida reconstruída e ajudando outros pacientes com depressão. Seu blog e experiência também viraram livro, o original pode ser conferido no link: http://3000pulseslater.com/en/left/home/
Uma mensagem pessoal de Martha Rhodes
Eu gostaria de compartilhar minha experiência com o tratamento de Estimulação Magnética Transcraniana (EMT), do inglêsTranscranial Magnetic Stimulation (TMS).
A EMT teve um importante papel em salvar a minha vida e as vidas de mais de 12.000 pessoas que sofrem de depressão.
A minha história pode parecer inacreditável e assustadora, mas é verdadeira.
Mesmo me sentindo triste nos dias mais felizes da minha vida, eu tive sucesso na minha carreira profissional como executiva de alto escalão em uma das maiores agências de publicidade de Nova York - EUA. Sou bem casada há 37 anos, e tenho dois filhos incríveis. Essa é a boa notícia.
Aqui é a má notícia: Com o que parecia ser uma vida perfeita, ninguém poderia ter ficado mais surpreso do que eu por acabar no pronto-socorro de um hospital, por causa de uma overdose de remédios com álcool.
Em 1990, fui diagnosticada com depressão e tomei antidepressivos. Mas, depois de muitos anos de tratamento, eu não sabia que eles tinham parado de funcionar. Eu não conseguia entender por que eu queria morrer quando eu tinha tanta coisa boa acontecendo.
Depois da minha tentativa de suicídio, eu tentei uma variedade de medicações por vários meses e nada ajudou. Na verdade, eu me senti pior do que quando eu comecei o tratamento, tentando encontrar o caminho, ou uma combinação de comprimidos, que iria funcionar. Ou eles eram ineficazes ou os efeitos colaterais eram intoleráveis. Eu estava com medo, frustrada e sem esperança.
O meu lema até aquele momento tinha sido seguir em frente, esconder minha tristeza, e "apenas continuar!". Eu tinha uma poderosa "máscara" que eu usava. Minha carreira de sucesso foi uma prova disso. Infelizmente, minha máscara perdeu a força com a piora da depressão. Meu cérebro não conseguia produzir a química suficiente para manter a minha saúde mental.
Eu vivia em um mundo onde não havia como escapar da preocupação diária, da auto-mutilação e de uma tristeza persistente.
Eu vivia em um mundo onde eu ria quando, na verdade, eu queria me debruçar em lágrimas, fingindo ser feliz. Meu marido sabia da minha depressão e se sentia frustrado por não poder me ajudar.
Eu vivia em um mundo onde eu me sentia culpada por, simplesmente, não conseguir me sentir bem, porque minha cabeça não funcionava e eu sentia medo constante por ter perdido a vontade de viver.
Então, um milagre aconteceu. Através de uma revista, descobri a EMT. O anúncio dizia o seguinte: "tratamento da depressão sem medicamentos". Eu fiz uma consulta com um psiquiatra para me informar e ver se era indicado para o meu caso. O veredicto foi "sim".
Inicialmente eu estava com receio sobre esta nova técnica, mas depois de ver alguns resultados de pesquisas e também saber que a EMT é aprovada pelo FDA, eu fiquei confiante e segura. Isto me tranquilizou muito.
E fiquei surpresa ao descobrir o quão simples era o tratamento com EMT. Eu relaxei em uma poltrona confortável, podia ouvir música ou assistir TV. Uma bobina foi colocada no lado esquerdo da minha cabeça que produzia pulsos magnéticos por quatro segundos, com intervalo de 26 segundos e assim por diante durante trinta e sete minutos, em um total de 3000 pulsos por sessão.
Inicialmente o tratamento foi de cinco dias por semana, durante seis semanas. Agora vou uma vez por mês para tratamento de manutenção, sem quaisquer antidepressivos.
Mas a melhor parte sobre a EMT é: não tenho efeitos colaterais. Não tive dor de cabeça, dor de barriga, desorientação. Não há necessidade do uso de sedativos ou anestesia. Dirijo normalmente e vou para meus compromissos. Perco menos de 45 minutos com o tratamento. A manicure / pedicure leva o mesmo tempo, se não mais!
No começo, eu me questionava se a EMT iria mesmo funcionar. Perguntei a mim mesma: "Como será possível que um estímulo magnético parecido com um pica-pau batendo na minha cabeça possa levar toda essa tristeza e sofrimento embora?"
Tomar um comprimido todos os dias é algo tangível. Você vê, engole e sabe que ele está indo para a corrente sanguínea e fazendo seu efeito. A EMT é muito mais discreta, quase misteriosa. Pode ser invisível e não-invasiva, mas a ciência e a minha experiência pessoal provam que funciona!
Por volta da minha 20 ª sessão, eu acordei um dia de manhã sem aquele sofrimento "UGH!". Este sofrimento era mil vezes pior do que aquele sentimento de: "Eu não queria que fosse segunda-feira e não queria trabalhar! " Sensação essa que eu chamo de "náusea emocional". 
Vi uma luz no fim do túnel como se eu tivesse sido retirada de um buraco negro.
Comecei a cantar enquanto dirigia, me sentia mais otimista, voltei a ligar para os meus amigos, sair para jantar, e eu realmente voltei a sorrir. Minha energia aumentou, me sentia cheia de vida e incrivelmente bem.
Estou aliviada e agradecida por existir um tratamento eficaz, não-medicamentoso que é aplicado diretamente na minha cabeça e não afeta o resto do meu organismo. Eu não só voltei a viver, mas ganhei um recomeço. Sinto-me mais viva e alegre agora do que antes. E o mais importante, eu descobri que realmente vale a pena viver!

Friday, May 3, 2013

Ondas magnéticas contra a dependência



Ondas magnéticas contra a dependência
Dr. Moacyr Rosa, diretor do IPAN, é entrevistado pela revista Saúde É Vital sobre o uso da estimulação magnética para o tratamento da dependência química.

Ondas magnéticas contra a dependência. Terapia já consagrada no controle da depressão é testada contra o vício em cocaína pela primeira vez no Brasil. E os resultados são animadores. 

    O físico britânico Michael Faraday (1791-1867) foi um dos homens mais influentes da história da ciência. Seus trabalhos sobre eletromagnetismo se tornaram o ponto de partida de muitas das tecnologias que usamos hoje.  As telecomunicações, a distribuição de energia nas metrópoles, os meios de transporte e os motores elétricos se originaram com base nos estudos de Faraday, que desvendaram as interações entre as correntes elétricas e os campos magnéticos.

    Cerca de dois séculos depois desses avanços vitais para a sociedade contemporânea, os achados do cientista ainda reverberam pelo mundo acadêmico, especialmente na medicina. Uma de suas aplicações mais recentes é a estimulação magnética transcraniana, a EMT, terapia não invasiva que trata diversas doenças no cérebro. O método, desenvolvido em 1985 pelo médico inglês Anthony Baker, na universidade de Sheffield, na Grã-Bretanha, se vale da aplicação de ondas magnéticas em pontos específicos da massa cinzenta para conter males que vão de depressão a alucinações auditivas .

    Agora uma investigação  pioneira do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas de São Paulo foi além: testou a EMT em dependentes de cocaína. A pesquisa, finalista do prêmio SAÚDE 2012, teve resultados impressionantes. “Nós conseguimos diminuir a fissura pela droga e melhorar sintomas de depressão e ansiedade em 80% dos voluntários, enquanto 60% deles reduziram o consumo”, conta o psiquiatra Philip Leite Ribeiro, autor do trabalho e pesquisador do IPq.

    Para ter uma ideia da conquista, basta considerar que outras formas de tratamento desse vício são capazes de refrear o uso, no máximo, em 25% dos pacientes. “Até então, não existia remédio específico para a cocaína além das intervenções psicossociais, que também têm a sua eficácia”, frisa o psiquiatra Marco Antonio Marcolin, coordenador do serviço de Estimulação MagnéticaTranscraniana do Hospital das Clínicas de São Paulo.

    Para realizar o estudo, a equipe do Instituto de Psiquiatria recrutou 25 voluntários, que foram divididos em dois grupos. O Primeiro foi alvo da estimulação magnética transcraniana, enquanto a segunda turma passou por uma terapia placebo, ou seja, de mentira. Nem os pacientes, muito menos os médicos, sabiam quem efetivamente tinha feito o tratamento correto e quem estava selecionado para o teste falso. As sessões aconteciam diariamente e demoravam menos de 15 minutos. Os indivíduos receberam as ondas magnéticas na cabeça durante um mês e foram acompanhados por mais 60 dias. “Além da análise comportamental, todos os pacientes faziam exames de urina para controlar o uso da droga”, informa MarcolinEssasaveriguações tornaram a pesquisa ainda mais criteriosa. “Ninguém nunca fez isso em todo o mundo. É uma comprovação científica plena dos resultados”, reforça o psiquiatra.

    A pesquisa brasileira apontou uma queda do consumo da cocaína entre a terceira e a sexta semana depois do início das sessões. “Talvez essa seja uma janela de oportunidade para disponibilizar ao paciente um arsenal de recursos, como terapias psicossociais, cognitivas e comportamentais”, especula Leite Ribeiro. Os especialistas começam, neste momento, a planejar uma segunda investigação, com dependentes de crack – embora ainda estejam ás voltas com o problema de falta de verba para a internação dos voluntários.

Do Laboratório para a Clínica


    A EMT é praticamente indolor e não dá choques. A Máquina utilizada, conhecida como estimulador magnético, solta uns cliques quando emite as ondas para o cérebro. Pacientes que passaram pela terapia contam que o incômodo é mínimo, como se alguém tocasse rapidamente com o dedo uma região específica do crânio. “Algumas pessoas podem sentir uma leve dor de cabeça logo após a aplicação”, adverte o psiquiatra Rafael Boechat, professor da faculdade de medicina da Universidade de Brasília, no Distrito Federal. Para esses  casos de cefaleia, um analgésico simples resolve.

    No Brasil, por enquanto, o método está aprovado para uso clínico apenas no combate á depressão e ás alucinações auditivas típicas da esquizofrenia. Nos quadros depressivos, testes feitos ao redor do globo asseguram sua eficácia: em 40% dos casos, todos os sintomas desaparecem. “A EMT funciona por meio da variação de pulsos magnéticos, que podem ter o efeito de inibir ou estimular determinadas regiões do cérebro”, explica o psiquiatra Moacyr Alexandro Rosa, diretor do Instituto de Pesquisas Avançadas em Neuroestimulação, na capital paulista.


    Apesar do emprego restrito atual, diversos experimentos indicam que em breve o aparelho beneficiará quem sofre de problemas como enxaqueca, Parkinson, zumbido, sequelas de um acidente vascular cerebral e dores crônicas. Ele pode ser efetivo até mesmo contra distúrbios comuns na infância, como dislexia, autismo e transtorno de déficit de atenção e hiperatividade.

    Mas tome cuidado para não cair em armadilhas. Fora do ambiente de pesquisa, não é permitido lançar mão da EMT para essas doenças. E mais: o Conselho Federal de Medicina decretou no final do ano Passado que só médicos estão autorizados a aplicá-la. “Sempre quepossível, peça o registro do profissional e pesquise no site dos conselhos regionais para verificar se ele está apto a realizar o procedimento”, sugere a neurologista Adriana Bastos Conforto, professora do Departamento de Neurologia da Faculdade de Medicina de São Paulo.

    Como você pode ver, a psiquiatria dispõe de técnicas cada vez mais avançadas para garantir uma massa cinzenta livre de  encrencas – encrencas essas capazes de determinar o raciocínio inclusive de cérebros geniais como o homem que descobriu o funcionamento das ondas magnéticas. Michael Faraday, quem diria, morreu em sua casa, vítima de colapsos mentais.

Confira a matéria completa na revista Saúde É Vital, edição de abril de 2013.

por André Biernath

http://saude.abril.com.br/edicoes/

Tuesday, March 26, 2013

Vício em chocolate existe e precisa ser tratado, afirmam profissionais



Cármen Guaresemin
Do UOL, em São Paulo
  • Thinkstock
    A pessoa viciada come uma caixa de chocolate em alguns minutos, ou seja, uma grande quantidade em um espaço curto de tempo; muitas escondem o doce para não ter de dividir
    A pessoa viciada come uma caixa de chocolate em alguns minutos, ou seja, uma grande quantidade em um espaço curto de tempo; muitas escondem o doce para não ter de dividir
Páscoa no Brasil sempre foi sinônimo de alto consumo de ovos de chocolate. Porém, há pessoas que não abrem mão dessa delícia o ano todo. Algumas se dizem apaixonadas e outras se assumem chocólatras, referindo-se a um verdadeiro vício pelo doce. Mas como diferenciá-las? Comer chocolate todos os dias seria o suficiente para ser considerado um viciado?

O psiquiatra Arthur Kaufman, docente Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), foi responsável por uma pesquisa com um grupo de voluntários com compulsão por chocolate. Ele explica a diferença: "Chocólatra é a pessoa com compulsão pelo doce, como há os compulsivos por drogas, jogos e internet".

Ele exemplifica: a pessoa come uma caixa de chocolate em alguns minutos, ou seja, uma grande quantidade em um espaço curto de tempo. Muitas vezes, sente arrependimento seguido de vômito. O viciado também pode ter outras atitudes, como comer escondido, por sentir-se constrangido ou para não ter que dividir, e até sair na chuva ou de madrugada para comprar a guloseima. Ou seja: o chocólatra não consegue viver sem chocolate. Existe até um termo em inglês para essa compulsão: craving, algo como "fissura".

Ser viciado por chocolate é diferente de gostar muito da guloseima, ou de exagerar no consumo na época da TPM (tensão pré-menstrual) . Ou, ainda, de consumir o chocolate de vez em quando como um substituto de carinho ou sexo.

Kaufman conta que as consequências do vício são mesmo sociais e não tanto de saúde. "Algumas podem se sentir culpadas quando se olham no espelho, porque podem ganhar peso. Porém, o prejuízo maior surge no convívio com outras pessoas, que fica comprometido".

Feliz Páscoa a todos amigos, clientes e colegas!!!

Friday, March 15, 2013

Estimulação magnética ajuda a tratar pacientes com depressão em SP


Estimulação magnética ajuda a tratar pacientes com depressão em SP

O equipamento cria um campo magnético que penetra no cérebro, sem corte, sem dor. No total, são 15 minutos de sessão.

Em São Paulo, uma nova técnica promete abreviar o tratamento da depressão. É a estimulação magnética transcraniana profunda, que está sendo testada pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo. Esse tratamento não tem nada a ver com aquelas técnicas antigas, que usavam choque elétrico no paciente. Agora, os médicos usam ondas eletromagnéticas, para estimular determinadas partes do cérebro.
São dois segundos e meio de estímulo para pouco mais de 27 segundos de intervalo. No total, são 15 minutos de sessão. Com o tratamento, a nutricionista diminuiu de nove para dois a dose diária de remédios e já viu desaparecer alguns sintomas. E o tratamento dela está só no início.
“Achei que melhorou a ansiedade, a insônia. Com as medicações eu tinha muita sudorese, tremor, taquicardia, isso passou”, conta uma paciente.
O equipamento cria um campo magnético que penetra no cérebro, sem corte, sem dor. A estimulação eletromagnética transcraniana já é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina e alguns planos de saúde cobrem esse procedimento.
No HC, nove mil pacientes já foram tratados ao longo de 14 anos. “Essa região do cérebro no deprimido estava funcionando menos, ou seja, estava hipoativa. A tendência é de regular essas regiões com tratamento, e depois isso vai ter uma sequencia de efeitos dentro do cérebro”, afirma Marco Marcolin, coordenador do serviço.
Agora o Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo começou um estudo inédito no Brasil para o tratamento da depressão bipolar. A máquina tem o mesmo princípio da outra, a diferença é que ela consegue atingir regiões mais profundas do cérebro.
A mesma pesquisa está sendo realizada em outros quatro centros no mundo. O aparelho produz estímulos a oito centímetros de profundidade e não a três, como na técnica tradicional.
A expectativa é que o equipamento reduza o tempo de tratamento e o uso de medicamentos, com seus respectivos efeitos colaterais. “Poucos anos atrás, era necessário uma neurocirurgia, fazer um furo, colocar um eletrodo dentro da cabeça da pessoa para fazer esse tipo de coisa. Hoje você consegue, de forma indolor, sem anestesia, sem coisa nenhuma, regular esses circuitos ou estudar esses circuitos”, afirma Marcolin.
É a esperança da paciente que acabou de passar pela terceira sessão. “Tinha muito tempo que não tinha vontade de passar batom, de maquiar, de sair de casa. Hoje já tenho uma esperança. Ter um pouco mais de bom humor, coisa que eu não tinha antes”, comemora uma paciente.
Essa pesquisa ainda aceita pacientes dispostos a participar. Eles precisam ter de 18 a 65 anos. Para se inscrever, é só mandar um email para pesquisadepressaobipolar@gmail.com

Ondas magnéticas combatem depressão e tabagismo



Estudo israelita obtém resultados positivos utilizando
capacete estimulante do sistema nervoso

2013-02-26
A estimulação do sistema nervoso com ondas magnéticas reduz a vontade de fumar.
A estimulação do sistema nervoso com ondas magnéticas reduz a vontade de fumar.
Um capacete que emite ondas magnéticas para o cérebro pode ajudar no combate a doenças como a depressão, dependência do tabaco, Parkinson e autismo. O capacete foi desenvolvido por dois cientistas israelitas, o neurocientista Abraham Zangen e pelo físico Yiftach Roth.
O capacete emite ondas magnéticas para o cérebro, estimulando o sistema nervoso enquanto os pacientes estão conscientes. O presidente da Sociedade Portuguesa de Neurociências, Nuno Sousa, explicou ao Ciência Hoje que “a estimulação magnética transcraniana usa campos magnéticos rapidamente alternantes para induzir uma corrente eléctrica do tecido neuronal subjacente, tipicamente córtex, que despolariza esses neurónios”.

O neurocientista português adiantou ainda que “a estimulação cerebral profunda, nomeadamente através de ondas magnéticas, é uma técnica que tem vindo a ser desenvolvida há vários anos e com resultados relevantes, nomeadamente em situações clínicas complexas como quadros depressivos resistentes”.

A neuromodulação em circuitos neuronais específicos, conseguida por exemplo com as ondas magnéticas, “pode promover alterações no funcionamento de quadros depressivos resistentes”, adianta Nuno Sousa.

Segundo, o mesmo responsável é ainda necessário apurar detalhadamente um uso “preciso e controlado no espaço e no tempo” destes processos.

A investigação israelita procedeu a um estudo no qual envolveu mais de três mil pessoas de todo o mundo. Para cada problema, foi criado um capacete diferente, “adaptado para transmitir as ondas magnéticas às áreas relevantes do cérebro", explica o cientista Abraham Zanger, chefe do laboratório de Neurociência da Universidade Ben Gurion.
Nuno Sousa, neurocientista e professor na Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho.
Nuno Sousa, neurocientista e professor na Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho.
Na área psiquiátrica verificou-se que os pacientes reagiram positivamente quando submetidos a este sistema. A investigação concluiu que 32,6% dos pacientes tratados com as ondas magnéticas apresentaram uma remissão completa da depressão e 38,4% demonstraram uma melhoria substancial.

Os capacetes foram também testados em 115 fumadores, que fumavam pelo menos 20 cigarros por dia, e que já tinham tentado deixar o tabaco com outros métodos. Fizeram sessões de 15 minutos por um período de três semanas.

Os resultados obtidos parecem promissores. Segundo Limor Dinur Klein, da Universidade de Telavive, Israel, “44% das pessoas pararam de fumar após o tratamento”. Inicialmente os pacientes tiveram algumas dores de cabeça, mas foram passageiras, “não sendo registado qualquer dano na capacidade cognitiva dos participantes”.

Do número de participantes que não deixou de fumar (80%), metade diminuiu o número de cigarros que fumava por dia.

A autoridade americana reguladora do medicamento e alimentação, Food and Drug Administration (FDA), já emitiu um certificado para utilização deste sistema de ondas magnéticas no tratamento da depressão.