Friday, December 14, 2012

Remédio para esclerose múltipla e Parkinson pode tratar alcoolismo

Remédio para esclerose múltipla e Parkinson pode tratar alcoolismo

Pela primeira vez, pesquisa mostrou que o efeito do baclofeno para tratar dependentes de álcool continua eficaz após dois anos

Abuso do álcool: cerca de 11% das pessoas que consomem bebida alcoólica têm, ao menos, um episódio de bebedeira por semana
Estudo mostra eficácia a longo prazo de medicamento para controlar espasmos de esclerose múltipla no tratamento de alcoolismo (Stockbyte/Thinkstock)
Um estudo francês concluiu que o baclofeno, um relaxante muscular que originalmente é prescrito a pessoas com doenças neurológicas, como esclerose múltipla e Parkinson, pode ser eficaz no tratamento de alcoolismo a longo prazo. Segundo a pesquisa, publicada nesta sexta-feira na revista médica Frontiers in Psychiatry, os efeitos positivos da droga entre pessoas com dependência em álcool podem durar por pelo menos dois anos.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Suppression of alcohol dependence using baclofen: a 2-year observational study of 100 patients

Onde foi divulgada: revista Frontiers in Psychiatry

Quem fez: Renaud de Beaurepaire e equipe

Instituição: Grupo Hospitalar Paul Guiraud, França

Dados de amostragem: 100 pessoas alcoólatras

Resultado: Após três meses de tratamento com doses de baclofeno, 84% dos pacientes alcoólatras passaram a ser considerados como em risco baixo (consumo controlado) ou moderado (menor consumo, mas sem ser controlado). Após dois anos, essa taxa foi de 62%
O uso do baclofeno no tratamento do alcoolismo já vem sendo estudado por outros pesquisadores. No entanto, o medicamento havia sido testado apenas a curto e médio prazos, em um período de seis meses e um ano após o início da abordagem. O novo estudo, desenvolvido no Grupo Hospitalar Paul Guiraud, na França, acompanhou, entre 2008 e 2010, 100 pacientes alcoólatras (todos classificados como "alto risco"), que haviam se mostrado resistentes aos tratamentos convencionais. Ao longo do estudo, eles foram divididos em três grupos: alto risco, médio risco e baixo risco. Todos foram tratados com doses crescentes de baclofeno — a dosagem média foi de 147 miligramas da substância ao dia.
Leia também: Atividade cerebral pode indicar predisposição de jovem ao alcoolismo
Após dois anos, o número de pacientes que se tornaram totalmente abstinentes ou que passaram a ter um consumo normal e controlado caiu em 50%. Além disso, após três meses a partir do início do tratamento, a soma das porcentagens dos pacientes que estavam entre baixo risco (conseguiam controlar o consumo de bebida alcoólica) ou risco moderado (conseguiram diminuir significativamente o consumo de álcool, mas sem ainda ter total controle) de alcoolismo foi de 84%. Depois de seis meses, essa taxa foi de 70%; após um ano, de 63%; e, dois anos depois, de 62%.
Recaídas - O aumento no número de pacientes em alto risco entre o terceiro e o sexto mês se deve ao fato de que alguns dos pacientes que haviam conseguido reduzir o consumo com o baclofeno tiveram recaídas. Esses pacientes foram incapazes de manter o consumo reduzido, provavelmente devido ao vínculo com o hábito de beber e à motivação insuficiente para largar o vício. Segundo os pesquisadores, grande parte dos voluntários estava tão ritualizada ao hábito de beber que não conseguia parar, mesmo quando o apetite pelo álcool foi reduzido com o uso do baclofeno.
Entre os efeitos adversos mais comuns do medicamento estão fadiga e sonolência. Renaud de Beaurepaire, que coordenou o estudo, é um dos pesquisadores de um trabalho em escala nacional que está aprofundando os conhecimentos em torno do baclofeno como terapia contra o alcoolismo. A previsão é que essa pesquisa seja publicada em 2014.

O último copo

A ideia de usar o baclofeno para tratar o alcoolismo partiu do médico francês Olivier Ameisen, ele próprio um alcoólatra. Em 2002, Ameisen, respeitado cardiologista da Universidade Cornell, em Nova York, começou a testar o baclofeno em si mesmo, depois de se submeter a vários programas de reabilitação — de encontros no grupo Alcoólicos Anônimos a internações em clínicas especializadas. Ele narrou sua experiência com o medicamento no livro Le Dernier Verre (O Fim do Meu Vício, Ed. Fontanar), best-seller na Europa e nos Estados Unidos. "Eu precisava dos efeitos do álcool para existir em sociedade", conta ele no livro. Uma reportagem de VEJA de 2009 conta como teve a ideia de usar o baclofeno. Uma notícia de jornal despertou sua atenção: havia indícios de que o baclofeno poderia ser usado no combate à dependência de cocaína. "Por que não para o alcoolismo?", pensou Ameisen. O médico, então, decidiu tomar o remédio. Ele testou várias dosagens, até estabelecer o ideal em 50 miligramas por dia. O baclofeno ajudou Ameisen a se satisfazer com doses menores de álcool: "Hoje posso tomar um copo de vinho e não ficar com aquela vontade irresistível de beber mais", disse então à reportagem de VEJA. Em 2009, ainda não havia comprovação dos efeitos do medicamento sobre os alcoólatras, embora vários médicos já o testassem em seus pacientes. Com este novo estudo, surge a mais forte evidência de sua eficácia.
(Com agência France-Presse)

Wednesday, December 5, 2012

Depressão pós-parto ainda é tabu


SAÚDE MATERNA

Depressão pós-parto ainda é tabu

Falta de informação sobre os sintomas da doença e formas de tratamento potencializam um mal que atinge até 15% das mães


  • 26/11/2012, 00:11
  • Vanessa Fogaça Prateano
Um julgamento ocorrido no mês de outubro na Inglaterra expôs um drama familiar que ainda divide qualquer sociedade: o assassinato, em maio, de duas crianças (um bebê de 10 semanas e uma menina de um ano e dois meses) pela mãe, que sofria de psicose pós-parto. A mulher, a designer de joias Felicia Boots, foi absolvida pelo juiz, que julgou sua prisão “totalmente inapropriada”, e internada em seguida, gerando protestos de um lado e apoio da comunidade médica de outro.
A história, várias vezes acompanhada também no Brasil, envolve um tema que ainda é tabu: quando a mãe, contrariando a imagem idealizada da maternidade, rejeita sua própria criança por conta de problemas psiquiátricos desencadeados logo após o parto. Com receio de admitir a doença, e sem saber como tratá-la, a família vê um caso que poderia ser evitado se transformar numa tragédia.
A primeira desinformação ocorre na tipificação da doença – há diferenças entre a tristeza, a depressão e a psicose pós-parto, nas quais a mudança hormonal que ocorre após a expulsão da placenta pelo útero tem um papel relevante (veja box). A primeira atinge até 80% das mulheres e se explica pelos desafios e estresses da nova fase, desaparecendo em até 15 dias. São os dois outros casos que preocupam e precisam ter acompanhamento psiquiátrico, com prescrição de remédios.
“A depressão pós-parto atinge cerca de 15% das mulheres e gera um sentimento de rejeição da criança junto com episódios típicos de depressão, como tristeza, ansiedade, choros e pensamentos negativos”, explica o ginecologista e professor da Universidade Federal do Paraná Sheldon Botogoski. O quadro é comum em pacientes que já têm histórico da doença e, ao contrário do que se pensa, na maioria dos casos somente as mudanças hormonais não são suficientes para disparar o gatilho do problema.
Já a psicose, que atinge 0,2% das mães, é ainda mais grave. “É quando a mulher tem alucinações, ouve vozes, cria diálogos que não aconteceram, vê um ladrão imaginário entrar na casa dela. É bem raro e necessita de internação e medicação”, explica o ginecologista e obstetra da Maternidade Santa Brígida Gleden Teixeira Prates. É nessa situação que podem ocorrer os infanticídios, crime hoje punido com internação, já que a Medicina e o Código Penal consideram que a mãe não tinha ciência nem intenção de cometer o ato.
Para a lei brasileira, infanticídio não pode ser punido com prisão
Casos como o da inglesa que matou os dois filhos já se repetiram no Brasil, e, caso se prove que a mãe cometeu o crime por estar sob a influência do "estado puerperal" e com suas faculdades mentais comprometidas, ela se torna ininputável. Neste caso, sua pena é uma medida terapêutica, chamada também de medida de segurança, quando, ao invés de ir para a prisão, ela é internada em um Complexo Médico Penal.
O Código Penal de 1940 prevê, no seu artigo 123, o crime de infanticídio, lá descrito como "matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo após". O estado puerperal é algo pelo qual passam todas as mulheres -- é o estado após o parto, quando o corpo ainda não voltou às suas condições normais. Se as alterações durante este período são tamanhas que a façam matar o filho recém-nascido, há duas situações que serão examinadas pelo perito, de acordo com a legislação.
A advogada criminalista e professora de Direito Penal da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Priscilla Placha Sá explica que, se a mulher mata o filho neonato influenciada pelo estado puerperal, ela será julgada por infanticídio, mas que nem sempre a mulher será absolvida por seus atos. "Nem todo caso de infanticídio é um caso de inimputabilidade, só se houver comprometimento de seu discernimento", esclarece.
Se, sob o estado puerperal, ela matar o filho mas ainda mantiver seu discernimento, pode ser condenada a uma pena de prisão que varia de dois a seis anos. Se este discernimento estiver comprometido, ela se torna inimputável e é internada por um período mínimo de um a três anos. Para os casos em que ela também mata o filho mais velho ou o marido, por exemplo, o crime é de homicídio simples, mas a imputabilidade continuará a depender do comprometimento de suas faculdades mentais.
A professora explica que há dificuldades para atestar se a mulher estava ou não comprometida por este estado, e quanto tempo ele dura. A jurisprudência tem considerado até 15 dias após o parto, mas a medicina fala em 40 ou até 60 dias após. Outro problema, de ordem legal, diz respeito ao tempo em que a mulher fica internada.
"A Lei Antimanicomial, de 2001, preconiza que essas pessoas não deveriam ser internadas, mas tratadas ambulatorialmente e liberadas para ir para casa, mas não é isso o que acontece, via de regra. E o problema da medida de segurança é que ela não tem prazo máximo, apenas mínimo (de um a três anos). Há casos de pessoas que ficam internadas 30 anos", critica Priscilla.


Tuesday, December 4, 2012

'Internado, tive a convicção de que era o Rambo', diz homem bipolar

04/12/2012-05h02

'Internado, tive a convicção de que era o Rambo', diz homem bipolar

JULIANA VINES
DE SÃO PAULO
"Tinha problemas com depressão desde adolescente. Também vivia fases de euforia, mas achava que era normal. Você não vai ao médico quando está bem, certo?
Transtorno mental que mais causa suicídios, bipolaridade lesa o cérebro
'Eu me achava a Mulher Maravilha', diz mulher com transtorno bipolar
Agente da CIA bipolar é atração na série de TV "Homeland"
Demorei a ir a um psiquiatra. Nas crises, ia ao psicólogo. Não queria ser rotulado como doente mental.
Com 38 anos tive uma crise profunda. Melancólico, sem força, tentei suicídio. Então fui ao médico. Tive apenas o diagnóstico de depressão e fui internado.
Saí 15 dias depois, medicado, sem desejo de morte e com a sensação que se abria nova oportunidade em minha vida. Estava dominado pelo falso bem-estar proporcionada pelos antidepressivos.
Esse efeito seria temporário: o outro lado iria surgir sob forma de alienígena.
Quando você é bipolar e toma antidepressivo pode ter um episódio de euforia. Foi o que aconteceu. Fiquei muito pior. Ousado, irresponsável.
Chutei o balde, acabei deixando a família e o emprego. Passei a gastar demais. Fui internado de novo.
No hospital, onde fiquei 30 dias, tive a convicção de que era o Rambo. Minha mente girava em uma frequência totalmente anormal, o que me dava prazer. Cheguei a fazer 2.000 abdominais em menos de uma hora, corri à exaustão, tentei pular o muro do hospital. Eu acreditava mesmo que era feito de aço.
Depois de ter mais crises de mania e ir a seis psiquiatras, chegaram à conclusão de que eu tinha bipolaridade.
Quando soube, pensei 'ah que bom, não é falha de caráter'. Foi um grande alívio.
Só fiquei estável depois de três meses de tratamento. Isso já faz uns oito anos.
Escrevi um livro abordando o tema de forma positiva. A bipolaridade tem traços interessantes. Sou mais sensível, sou carismático. Hoje minha família tem orgulho de mim. Antes, tinha vergonha.
Nunca mais tive uma crise. Eu gostava de ficar eufórico. Dizem que o bipolar está duas doses de uísque acima do resto da humanidade. Parece bom, mas a que preço?"
Alexandre Fiuza, 48, aposentado, autor do livro "Digerindo a Bipolaridade" (Editora da UFSC, esgotado)

'Eu me achava a Mulher Maravilha', diz mulher com transtorno bipolar

04/12/2012-05h03

'Eu me achava a Mulher Maravilha', diz mulher com transtorno bipolar

JULIANA VINES
DE SÃO PAULO

"Sempre fui diferente. Na escola fazia coisas demais, era brilhante demais e, de repente, ficava triste. Passei parte da vida tentando entender por que tinha os sentimentos tão violentos.
Transtorno mental que mais causa suicídios, bipolaridade lesa o cérebro
'Internado, tive a convicção de que era o Rambo', diz homem bipolar
Agente da CIA bipolar é atração na série de TV "Homeland"
Perto dos 40 anos, procurei uma psicóloga. Achava que era alcoólatra. Sempre bebi bastante. A bebida tinha se tornado indispensável para mim, a agonia era tanta que só bebendo melhorava.
A psicóloga foi clara: 'Você de alcoólatra não tem nada'. Pediu que eu fosse a um psiquiatra. Depois de relutar, fui e veio o diagnóstico de transtorno bipolar, aos 44.
Ainda me achava 'Mulher Maravilha'. Hoje sei que tinha crises de euforia. É convidativo ser bipolar na euforia. Mas é uma agitação falsa, você logo se dispersa ou se cansa.
Avener Prado/Folhapress
Cristina Oliveira, 63 anos, criadora do projeto "Estórias Diferentes"
Cristina Oliveira, 63 anos, criadora do projeto "Estórias Diferentes"
Achava que ninguém era mais competente do que eu. Meu pensamento era em alta voltagem. Se uma pessoa falasse devagar, já me irritava. Enquanto eu conversava, fazia na cabeça a agenda do dia.
O médico me passava remédios, mas eu não tomava. Pensava: 'Por que vou me tratar se sou o máximo?'.
Foi um desastre, porque aí tive uma crise de depressão grave. Era empresária. Um dia, travei dentro do carro. Tiveram que me tirar de lá, me levaram para casa e eu levei dois anos para sair de novo.
Só então aceitei o tratamento. Demorou até acertar a medicação. Não cheguei a ser internada, mas não podia ficar sozinha. Meu pensamento recorrente era melhorar para poder me matar.
Depois de dois anos, me estabilizei e voltei a trabalhar. No final, não consegui. Tive de fechar a agência de eventos. Minha autoestima ficou no pé, mas eu não segurava a tensão de ser empresária.
Foi quando conheci a Abrata [associação de apoio a bipolares]. Fui forçada a ir pela médica e quando cheguei me senti em casa. Ali tinha gente como eu. A gente se identifica com os detalhes. Quando a dosagem de medicação está alta, a gente treme e derruba o café. Lá não sentia vergonha de derrubar café.
Fui voluntária por dez anos lá. Hoje trabalho em um projeto meu, para crianças com transtornos de humor. Ser produtiva de novo é ótimo.
Tive várias crises nos últimos 20 anos. Às vezes acordo triste e depois fico irritada. Sempre me controlo. Tenho faróis internos. Quando está no amarelo já fico atenta.
Sei o que me faz mal. Evito multidões, não saio à noite, não dirijo. Eu engano bem. Isso tem um custo, não é fácil, mas com toda doença é assim, tem que aprender a lidar."
Cristina Oliveira, 63, criadora do projeto "Estórias Diferentes", é casada e tem três filhos

Saturday, December 1, 2012

Revista Veja traz matéria sobre cetamina

Revista Veja traz matéria sobre cetamina

Revista Veja traz matéria sobre cetamina


A Revista Veja traz na capa nesta semana a reportagem "Depressão - A Promessa de Cura", a matéria fala sobre a cetamina.




O cloridrato de cetamina, também conhecido como quetamina ou ketamina, é um anestésico dissociativo, com efeito hipnótico e características analgésicas, desenvolvido em meados da década de 60 e usado inicialmente com finalidades veterinárias. A cetamina tem sido investigada com um potente efeito antidepressivo e abre uma linha inédita de estudos sobre a doença que afeta 20% da população mundial, quase 1,4 bilhão de pessoas.

A cetamina é um anestésico que já foi e ainda pode ser utilizado para a realização de procedimentos de ECT (eletroconvulsoterapia), em algumas situações. Este anestésico apresenta entre seus efeitos colaterais alucinações, mas já existem formulações mais modernas que atenuam este efeito. Como qualquer medicamento, estes efeitos devem ser monitorizados.

Em pequenas doses, seus efeitos variam de um suave entorpecimento, pensamento aéreo, tendência a tropeçar, movimentos desajeitados ou "robóticos" sensações atrasadas ou reduzidas, vertigem, algumas vezes sensações eróticas, aumento de sociabilidade, e um interessante de ver o mundo de uma maneira diferente até. Em doses mais elevadas, há uma dificuldade extrema de movimentos, náuseas, dissociação completa, experiência de quase morte, visões, apagões, etc. A cetamina também é conhecida por causar mais dependência que a maior parte das substâncias alucinógenas.

Ela foi sintetizada pela primeira vez em 1962 por Calvin Steves e nomeada inicialmente de "CI581". Ainda na década de 60, a cetamina começou a ser utilizada como anestésico e foi aperfeiçoada para o atendimento dos soldados americanos durante a guerra do Vietnã. Nos anos 90, a cetamina começou a ser usada de forma ilícita como alucinógeno e foi popularmente conhecida como uma "droga de estupro" e como uma "droga dos clubbers".

A intensidade destes efeitos alucinógenos está relacionada com a dose consumida. Em doses sub-anestésicas, a cetamina produz um quadro psicótico semelhante ao da esquizofrênia. Os seus efeitos afetam as funções cognitivas e a percepção do próprio corpo, do tempo, do espaço e da realidade. Os principais efeitos da cetamina são comportamentais tais como: ansiedade, agitação, alterações da percepção (perda da noção do perigo, perturbações visuais), comprometimento da função motora e efeito analgésico. Desta forma, o uso indiscriminado pode provocar lesões, acidentes, dependência e neurotoxicidade. A intoxicação aguda pode ser acentuada por substâncias depressoras do Sistema Nervoso Central (SNC) e do sistema respiratório como o etanol, opiáceos, barbitúricos e benzodiazepínicos, ou por compostos com efeitos cardioestimulantes como a cocaína e as anfetaminas. Apesar destes efeitos colaterais, a cetamina é um anestésico com um bom perfil de segurança e as formulações mais modernas tendem a evitar este tipo de ocorrência.

A cetamina difere da maioria dos agentes anestésicos uma vez que parece estimular o sistema cardiovascular, produzindo um aumento na frequência e débito cardíacos e na pressão sanguínea. Em geral, estes efeitos não apresentam riscos para pacientes sem cardiopatia, sendo usada com cautela em indivíduos com hipertensão e doenças cerebrovasculares e contraindicada em pacientes com doença isquêmica.

A cetamina regula o metabolismo do sistema límbico, córtex cingulado, hipocampo, córtex frontal, regiões muito complexas e responsáveis pela modulação do humor, cognição, autocontrole, entre outras funções. Ela atua como um antagonista do receptor do N-metil-D-aspartato (NMDA), característica responsável pelos seus efeitos terapêuticos primários e regula as taxas do neurotransmissor excitatório, o glutamato, que em excesso é tóxico, podendo interromper as sinapses neuronais. No entanto, também altera o funcionamento dos receptores dopaminérgicos, serotoninérgicos, colinérgicos e opióides e dos canais de sódio. A cetamina interfere na ação dos aminoácidos excitatórios incluindo o glutamato e o aspartato.

O psiquiatra americano Carlos Zarate, chefe do programa de terapias experimentais para transtornos do humor e ansiedade do Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos, publicou na revista Science, o estudo que concluiu que a cetamina pode ter um potente e rápido efeito antidepressivo. Desde 2004, Zarate e sua equipe, já trataram 120 pacientes. Segundo a revista Science, a cetamina é "indiscutivelmente a descoberta mais decisiva para o tratamento da depressão".

Em 2006, Zarate e cols. (Archives of General Psychiatry), publicaram um estudo onde 17 pacientes portadores de depressão maior e refratários aos antidepressivos tradicionais, foram tratados com injeção de cetamina ou placebo. Dos 17 pacientes, 12 responderam ao tratamento, cinco deles obtiveram remissão da depressão. Além disso, 6 pacientes mantiveram a melhora por pelo menos uma semana após uma única injeção. No grupo placebo, estes resultados não foram encontrados. De acordo com Zarate e col., o mais interessante é que o efeito é muito rápido, 24 horas após a injeção, os pacientes apresentavam melhoras equivalentes àquelas obtidas após 2 meses de uso dos antidepressivos comumente utilizados.

Nos Estados Unidos, a cetamina vem sendo administrada para casos graves, em emergências psiquiátricas, onde há risco de suicídio. No entanto, este uso ainda é "off-label, ou seja, sem aprovação do órgão regulador americano, o FDA (Food and Drug Administration).

Neste momento, a cetamina está sendo pesquisada, portanto, ainda estamos em fase de investigação. Embora promissor, não há dados suficientes para ser considerado uma cura para a depressão. De acordo com a prática com este medicamento até o momento, os efeitos duram somente duas semanas. Assim. a cetamina age mais provavelmente como um estimulante do que como um antidepressivo e talvez venha a ser um complemento na fase aguda até que os remédios ou outros tratamentos comecem o seu efeito.

Desta maneira, ainda é cedo para avaliar o potencial do uso da cetamina no tratamento da depressão. Para quem sofre com a doença, os tratamentos disponíveis hoje, se acompanhados pelo psiquiatra, podem oferecer ao paciente ótima melhora e mais qualidade de vida.

Dra. Marina Odebrecht Rosa
Diretora do IPAN - Instituto de Pesquisas Avançadas em Neuroestimulação

Saiba mais sobre tratamentos aqui http://www.ipan.med.br/tratamentos.php?content=3

Confiara a matéria na Revista Veja:
http://www.abp.org.br/arquivos/veja_depressao.pdf

Fonte Wikipedia:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cetamina

Estimulação no cérebro faz pessoa ver "metamorfose de rosto"

12/11/2012-05h04

Estimulação no cérebro faz pessoa ver "metamorfose de rosto"

FERNANDO MORAES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

"Você simplesmente se transformou em outra pessoa. Seu rosto sofreu uma metamorfose", reagiu, surpreso, Ron Blackwell, no exato momento em que uma área específica de seu cérebro foi estimulada por eletrodos.
O experimento, conduzido por pesquisadores da Universidade Stanford e publicado na revista científica "Journal of Neuroscience", conseguiu pela primeira vez estabelecer uma relação causal entre a região cerebral conhecida como giro fusiforme e o processamento de faces humanas.
"Estudos de ressonância magnética funcional já haviam mostrado que o giro fusiforme estava envolvido na percepção consciente de faces humanas", explica o neurocirurgião Fábio Godinho, que fez doutorado no Instituto de Neurociências de Lyon.
Editoria de Arte/Folhapress
"O que os cientistas conseguiram mostrar foi a existência de uma relação de causa e efeito entre essa região e o reconhecimento de rostos."
Blackwell, um homem de 45 anos que sofre de epilepsia, recebera os eletrodos para facilitar o mapeamento das áreas de seu cérebro que eram ativadas durante as crises epilépticas.
Como as áreas de origem da epilepsia no paciente eram as mesmas já associadas anteriormente ao reconhecimento de faces, os pesquisadores utilizaram os mesmos eletrodos para a experiência.
Um vídeo de Blackwell foi gravado no momento em que o giro fusiforme de seu cérebro recebia os estímulos. Ele relatou que os rostos não se transformavam em outros, mas ficavam distorcidos.
UMA VIAGEM
"Foi uma viagem... É quase como se os traços de seu rosto tivessem ficado caídos", declarou. Outros objetos, porém, não sofreram distorção, disse Blackwell, falando com o médico responsável por seu tratamento e um dos autores do trabalho, Josef Parvizi.
Os pesquisadores utilizaram três técnicas diferentes para obter os achados. Duas serviram para achar áreas específicas do giro fusiforme relacionadas ao reconhecimento de rostos.
A terceira induziu uma distorção da percepção quando os eletrodos estavam exatamente nos lugares apontados pelas duas primeiras. "É como se uma técnica corroborasse a outra", diz Godinho.
O trabalho dos pesquisadores pode vir a ajudar no tratamento da prosopagnosia, espécie de "cegueira para feições", que impede as pessoas que sofrem desse distúrbio de distinguir rostos.
Também pode ajudar a entender porque algumas pessoas são muito melhores que outras em reconhecer faces.
COMPLICAÇÕES
No século 19, era predominante a visão frenológica do cérebro. Cada pequena parte do órgão seria responsável por uma função específica.
Essa visão caiu por terra há tempos, em favor da ideia de redes neurais: uma mesma área pode estar envolvida em vários processos mentais, dependendo da conexão que ela guarda com outras áreas.
De acordo com Godinho, "uma das limitações do estudo, e os autores estão cientes disso, é que ele não consegue determinar com toda a precisão a circuitaria cerebral envolvida no reconhecimento de faces humanas".
"Os autores perturbaram o funcionamento de uma região que deve fazer parte de um circuito complexo, envolvendo principalmente regiões frontais do cérebro."
Para o neurocirurgião, o giro fusiforme provavelmente faz o processamento de formas e cores da face, enquanto outras áreas lidam com coisas como as associações emocionais que um rosto traz.

3 passos para organizar seu cérebro e aumentar sua produtividade

Dicas de produtividade

3 passos para organizar seu cérebro e aumentar sua produtividade

12 de Novembro de 2012

Ser mais produtivo parece uma tarefa difícil, mas organizando seu cérebro o processo fica muito mais simples. Confira 3 passos simples que podem ajudá-lo



imagen-relacionada

A mente humana é organizada basicamente como um computador, no qual você separa todo o conteúdo em pastas, etc. Portanto, se você pretende melhorar a sua produtividade diária, sua concentração e seu foco, precisa organizar os seus "arquivos” e esvaziar seu cérebro. Aprenda a fazer isso em três passos.

» 23 maneiras criativas para trabalhar o cérebro nas férias
» 4 pegadinhas que seu cérebro faz com você
» 10 dicas para refrescar o cérebro no trabalho


3 passos para organizar seu cérebro e aumentar sua produtividade: 1. Esvazie o seu cérebro

Para organizar o cérebro e aumentar a produtividade é fundamental esvaziar a cabeça. Assim como no computador, que funciona melhor com o disco rígido vazio, você precisa limpar a sua mente para que ela trabalhe de maneira efetiva. O ideal é que você faça isso duas vezes por dia, ao amanhecer e ao anoitecer.

3 passos para organizar seu cérebro e aumentar sua produtividade: 2. Conte com a ajuda de recursos externos

Não tente guardar tudo na sua cabeça, isso vai sobrecarregar o seu cérebro. Você tem diversas tarefas e compromissos ao longo do dia, não conseguirá gerenciá-los confiando apenas na sua mente. Ao invés disso, prefira a ajuda de recursos externos. Pode ser uma agenda ou mesmo um aplicativo no celular. Anote as tarefas que você precisa realizar durante o dia e vá riscando os compromissos já resolvidos. Isso vai ajudar você a manter a cabeça menos cheia.

3 passos para organizar seu cérebro e aumentar sua produtividade: 3. Jogue todas as ideias para fora da sua cabeça

Faça uma espécie de brainstorm consigo mesmo e tire todas as ideias da sua cabeça, anotando-as em um papel. Não se limite a tarefas e projetos, tire qualquer ideia da sua cabeça e guarde-a em um papel. Não se preocupe em dividi-las por categoria, você pode fazer isso depois.