Tuesday, September 25, 2012

SAÚDE |  N° Edição:  2237 |  21.Set.12 - 21:00 |  Atualizado em 25.Set.12 - 20:06 Aumente o poder do cérebro com exercícios Pesquisas revelam que a atividade física melhora concentração, memória, aprendizagem e estimula o nascimento de neurônios Mônica Tarantino e Monique Oliveira


Chamada.jpg
Não é segredo que a atividade física produz inúmeros benefícios para o corpo, mas agora a ciência reuniu provas suficientes para adicionar um novo e poderoso efeito à sua lista de ações positivas: o aprimoramento do cérebro. As mais recentes descobertas indicam que a prática regular de exercícios ajuda a pensar com mais clareza, melhora a memória e proporciona um grande ganho na aprendizagem. Novos estudos sugerem que as mudanças podem ser ainda maiores, alterando a própria estrutura do órgão ao incentivar o nascimento e o desenvolvimento de neurônios.
Untitled-2.jpg
 Essas conclusões são de uma ampla revisão de pesquisas que acaba de ser divulgada nos Estados Unidos por uma das mais renomadas cientistas no campo da neurogênese, Henriette van Praag (Ph.D), do Laboratório de Neurociências do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos. Henriette e seus colaboradores afirmam que há maior produção de neurônios e um aumento das substâncias que atuam na nutrição e desenvolvimento dessas células em animais submetidos a exercícios regulares. O trabalho foi publicado pela revista “Current Topics in Behavioral Neurosciences”. A cientista detectou ainda que o exercício aumenta a capacidade do cérebro de se adaptar e criar novas conexões, a chamada neuroplasticidade. Em estudos com ressonância magnética feitos em indivíduos foi possível também observar que quem se exercita regularmente produz uma intensa atividade no hipocampo. Essa região cerebral está relacionada à memória e à aprendizagem, e lá estão armazenadas as células-tronco que darão origem aos novos neurônios.
Untitled-22.jpg
 As relações entre exercícios e cérebro estão no centro das atenções da neurociência por suas implicações imediatas e futuras na vida de milhares de pessoas. Há avanços em diversas frentes. Os cientistas comprovaram, por exemplo, que as vantagens começam com a elevação dos níveis de oxigenação e do fluxo sanguíneo no corpo como um todo. “Por si só essa mudança já melhora o funcionamento da memória e da concentração e previne o acidente vascular cerebral”, explica Gisele Sampaio Silva, gerente-médica do programa integrado de neurologia do Hospital Albert Einstein e professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Untitled-23.jpg
 O incremento da circulação também estimula a comunicação mais eficiente entre os neurônios. A atividade física aumenta ainda a produção e a liberação de neurotransmissores. “Esses hormônios fabricados pelos neurônios atuam nas sinapses, a comunicação entre essas células”, explica Ricardo Arida, professor e pesquisador do Departamento de Fisiologia da Unifesp. Esses compostos participam da regulação de funções como memória, aprendizagem, emoções, sede, sono, fome, bem-estar, ansiedade e humor. O resultado é um reequilíbrio das quantidades dessas substâncias no cérebro, compensando déficits ou excessos, o que melhora o desempenho global do órgão.
Untitled-24.jpg
 Numerosos estudos estão focados na compreensão dos efeitos do exercício na proteína BDNF, uma espécie de tônico do surgimento, crescimento e especialização das células nervosas. Um trabalho ­coordenado pelo neurofisiologista Arida, da Unifesp, mediu a concentração dessa proteína no sangue de atletas internacionais, de nacionais e de pessoas sedentárias. As conclusões, publicadas na revista “Neuroscience Bulletin”, revelaram que os atletas de mais alto nível tinham quantidades maiores do composto circulando no sangue. Uma das prerrogativas da proteína é melhorar a troca de mensagens entre os neurônios.
 IEpag70a76_Cerebro-4.jpg
Crianças também podem vir a se beneficiar intelectualmente da atividade física, conforme sugerem dados colhidos pela Unifesp. Os pesquisadores analisaram as respostas de animais à ginástica logo após o desmame. “Nossos achados sugerem que fazer exercícios desde cedo ajuda a construir uma reserva neural que protege, inclusive, contra desordens cerebrais”, afirma Arida. Na Universidade de Darthmouth, em New Hampshire, o grupo do cientista David Bucci detectou diferenças nos resultados de quem começa a se exercitar na infância, na juventude ou mais tarde. “O exercício na fase de desenvolvimento do cérebro favorece a formação de uma rede neuronal mais densa e oferece mais apoio para funções como memória e aprendizagem”, disse o pesquisador à ISTOÉ.
IEpag70a76_Cerebro-5.jpg
Nos Estados Unidos, essas informações estão se traduzindo em mudanças no currículo das escolas. Um dos responsáveis por essa transformação é o neuropsiquiatra John Ratey, da Universidade de Harvard. Ele percorre o país para promover a adoção de programas de fitness voltados para o aprendizado. O pesquisador partiu nessa cruzada convencido por suas pesquisas e por casos como o dos alunos da Naperville Central High School, situada em um distrito de Chicago. Ali, os estudantes se reúnem na escola todas as manhãs antes das aulas, colocam seus frequencímetros (relógios que calculam a frequência cardíaca) e saem correndo em uma pista. “A ideia principal é que os jovens consigam praticar atividades como a corrida mantendo uma taxa entre 65% e 80% de sua frequência cardíaca máxima, mantendo-a estável nessa faixa por 20 a 40 minutos três vezes por semana”, disse Ratey à ISTOÉ. Ele registrou essa experiência e outros estudos sobre a relação entre cérebro e exercício no livro “Corpo Ativo, Mente Desperta” (Ed. Objetiva), lançado recentemente no Brasil. No ano passado, o pesquisador ofereceu um programa de apoio com atividades físicas a 24 jovens do Ensino Médio com sérios problemas disciplinares, baixa frequência às aulas e dificuldades de aprendizagem da escola Barrie Central. “Em seis meses a melhora foi notável”, disse o neuropsiquiatra. Em breve Ratey irá à Coreia do Sul a convite do Ministério da Educação para falar sobre os efeitos do exercício no cérebro. Diante dessa nova abordagem da atividade física, escolas brasileiras já estão começando a rever a pauta das suas aulas de ginástica. No Colégio Ítaca, na zona oeste de São Paulo, o currículo de educação física foi reelaborado sob esse prisma. “Além de contribuir em várias áreas do conhecimento, o exercício é uma peça fundamental para a concentração”, diz Elisabete Vecchiato, assessora cultural do colégio.
IEpag70a76_Cerebro-52.jpg
Muitos estudos ainda são necessários para determinar, por exemplo, como surgem e por quanto tempo persistem as alterações induzidas pela ginástica. “Os primeiros efeitos podem ser sentidos após uma semana”, diz Arida, da Unifesp. A recomendação é que se façam três sessões de 20 a 30 minutos de exercícios aeróbios por semana, mas duas já produzem algum efeito. O entusiasmado pesquisador Ratey, de Harvard, tem sugerido aos professores de educação física que ofereçam sessões de ginástica duas vezes por dia, uma antes do início das aulas, e outra no final, para produzir dois momentos de pico na produção das substâncias que melhoram o desempenho. “Minha convicção é que o foco no condicionamento físico tem um papel essencial nas realizações acadêmicas dos alunos”, afirma ele.
IEpag70a76_Cerebro-67.jpg
Por hora, é consenso que a interrupção da atividade física cessa suas benesses. A avaliação de resultados de longo prazo, porém, está levando os especialistas a considerar a possibilidade de a prática persistente gerar mudanças estruturais no órgão. Pesquisa da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, mostrou um aumento do tamanho do hipocampo (associado a aprendizagem e memória) em adultos saudáveis após um ano de atividade física moderada, levando a um aprimoramento da memória. “Os resultados desse estudo são interessantes porque mostram que exercícios feitos por adultos mais velhos e sedentários, mesmo que em pouca quantidade, podem levar a uma substancial melhora da saúde cerebral”, disse Art Kramer, um dos autores do trabalho realizado em conjunto com outras universidades.
IEpag70a76_Cerebro-6.jpg
Buscam-se também explicações para as respostas diferentes que o cérebro dá quando o corpo se exercita. A equipe do professor David B­uc­c­i revelou recentemente a presença de um gene que parece regular a intensidade da reação do órgão. A descoberta pode ser especialmente útil para ajudar a selecionar, no futuro, quem pode lucrar mais ao associar a atividade física ao tratamento de condições como depressão, a ansiedade e o transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDHA). Essas aplicações estão sendo estudadas em centros como o Instituto Karolinska, na Suécia. “O exercício não só é eficiente no combate à depressão, como potencializa os efeitos dos medicamentos”, diz a neurocientista Astrid Bjornebekk. Ambos contribuem para a formação de novos neurônios em áreas no cérebro importantes para a memória e a capacidade de aprender e podem ser usados de maneira combinada. Em São Paulo, na Unifesp, o pesquisador Arida concluiu que a ginástica pode ajudar a reduzir pela metade as crises de epilepsia, doença tratada com medicamentos potentes e nem sempre eficazes. À luz dessas descobertas, o sedentarismo torna-se um fator de risco ainda mais perigoso.
IEpag70a76_Cerebro-72.jpg
INVESTIGAÇÃO
O pesquisador Ricardo Arida, da Unifesp, estuda o impacto da 
atividade física sobre o cérebro. Um de seus trabalhos 
mostrou que exercícios podem reduzir crises de epilepsia 

IEpag70a76_Cerebro-7.jpg
Foto: kelsen Fernandes
Fotos: Marco Ankosqui; Rogério Cassimiro - ag. istoé
Fotos: João Castellano e kelsen Fernandes/ag. istoé

Friday, September 14, 2012

Suicídio é a segunda maior causa de morte entre jovens no mundo

 

Suicídio é a segunda maior causa de morte entre jovens no mundo
Estudos mostram que mais de 1 milhão de pessoas se suicidam a cada ano.

O periódico especializadoem medicina Lancetpublicou uma série de três estudos que chamam a atenção para um assunto considerado tabu: o suicídio. De acordo com um desses artigos, assinado por M R Phillips e H G Cheng, essa é a principal causa de morte entre garotas de15 a19 anos.

Já entre os homens, o suicídio fica em terceiro lugar, após os acidentes de trânsito e a violência urbana.

Aqui no Brasil, estima-se que o suicídio é a terceira causa de morte entre jovens, logo atrás de acidentes e homicídios. Alexandrina Meleiro, psiquiatra do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP, afirma que “Antes as taxas eram maiores na terceira idade. Hoje a gente observa que, entre os jovens, elas sobem assustadoramente”. Estima-se que entre os jovens, a taxa multiplicou-se por dez de1980 a2000: de 0,4 para4 acada 100 mil pessoas.

O estudo conduzido por Keith Hawton mostra que os adolescentes geralmente evitam procurar ajuda por temerem a opinião dos outros uma vez que seus pensamentos suicidas se espalham pela escola. Também indica outra mudança no perfil dos suicidas. O risco, que sempre foi maior entre homens, está aumentando entre as meninas.

O doutor Howton diz que os efeitos da mídia também são importantes, mas que o assunto só parece ter relevância quando afeta uma celebridade. Ele afirma ainda que há poucas evidências de eficácia de qualquer tratamento psicossocial ou farmacológico, existindo uma grande controvérsia sobre o resultado e a utilidade de antidepressivos.

Já Meleiro acredita que isso se deve a gestações precoces e não desejadas, além de prostituição e abuso de drogas.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que os casos de suicídio aumentaram 60% nos últimos 45 anos e que mais de 1 milhão de pessoas no mundo morrem dessa forma todo ano. Mesmo assim, o problema, não é tratado abertamente.

Para a OMS, pouco é feito na área de prevenção. Pesquisadores da Universidade de Oxford, Inglaterra e da Universidade Stirling, na Escócia, dizem que mais pesquisas são necessárias para se compreender quais são os fatores de risco e melhorar a prevenção. Uma das estratégias apontada por eles seria limitar o acesso a meios que facilitem o suicídio, como armas.

Estima-se que no Brasil, ocorram 24 suicídios por dia. Por outro lado, o número de tentativas é até 20 vezes maior que isso. “O suicídio é uma epidemia silenciosa”, acrescenta Meleiro. Ela diz que as pessoas costumam dar sinais antes de uma tentativa.

Cerca de 90% dos suicídios estão ligados a transtornos mentais.”O preconceito em torno das doenças mentais faz com que as pessoas não procurem ajuda. Acredita-se que perguntar se a pessoa tem pensamentos suicidas vai estimulá-la, mas isso pode levá-la a procurar ajuda”, diz Meleiro.

Fonte: Gospel Prime

http://premioodairfirmino.caritas.org.br/2012/07/06/suicidio-e-segunda-maior-causa-de-morte-entre-jovens-mundo/

A depressão que gera incapacidade de trabalhar Por Roberto Moscatello

 

A depressão é uma doença comum e que causa significante morbidade clínica, mortalidade (suicídio), perda da qualidade de vida, diminuição do funcionamento nas atividades diárias, no trabalho, desempenho escolar, nos relacionamentos conjugais e familiares e sociais. Estima-se que entre 5% e 11% da população total dos Estados Unidos tenha depressão. É considerada a quarta doença incapacitante em comparação com outras doenças e projeta-se que será a segunda doença mais incapacitante em 2020.

Existem vários subtipos de depressão: unipolar, bipolar, sazonal, psicótica, endógena (melancolia), neurótica ou reativa, atípica, crônica (distimia) e recorrente e secundária. Com o tratamento há redução de custos e da perda da produtividade no trabalho. Poucos deprimidos recebem cuidados adequados ou demoram para iniciar tratamento. É associada com significante diminuição do funcionamento social, menor qualidade de vida e declínio no funcionamento social. Há associação entre precária situação sócio-econômica e aumento das taxas de depressão. É menos comum na zona rural do que nas regiões urbanas. Tem alto risco de recorrência e possibilidade de cronicidade.

Os episódios depressivos podem ser únicos ou múltiplos e de graus leve, moderado e grave. Usualmente está associada com outros transtornos mentais (transtornos de ansiedade e de personalidade e uso de drogas e álcool).

São considerados fatores de risco para depressão: história familiar, precoces eventos adversos na vida (trauma, abuso sexual e físico, negligência), perda dos pais por separação ou morte, comorbidades (associação com outros transtornos mentais) e eventos negativos e estressantes na vida (relacionamentos interpessoais, família, saúde, situação financeira, trabalho, etc.).

Segundo a CID-10 (Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da Organização Mundial de Saúde), em relação à Depressão: “O indivíduo usualmente sofre de humor deprimido, perda de interesse e prazer, energia reduzida levando a uma fatigabilidade e cansaço marcante após esforços apenas leves é comum. Outros sintomas comuns são: a) concentração e atenção reduzidas; b) autoestima e autoconfiança reduzidas; c) ideias de culpa e inutilidade; d) visões desoladas e pessimistas do futuro; e) ideias ou atos autolesivos ou suicídio; f) sono perturbado; g) apetite diminuído.”

Em relação à depressão, segundo o DSM-IV (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders — fourth edition — 1994 da Associação Psiquiátrica Americana), são considerados critérios diagnósticos cinco(ou mais) dos seguintes sintomas que estejam presentes durante no mínimo 15 dias e representam uma mudança de funcionamento prévio; no mínimo um dos sintomas é humor deprimido ou perda de interesse ou prazer: 1. humor deprimido a maior parte do dia (sentir-se triste ou vazio); 2. interesse ou prazer acentuadamente diminuído; 3. significante perda ou ganho de peso; 4. insônia ou sonolência; 5. agitação ou retardo psicomotor; 6. fadiga ou perda de energia; 7. sentimento de baixa autoestima ou culpa inapropriada ou excessiva; 8. diminuição da habilidade para pensar ou concentrar ou indecisão; 9. pensamentos recorrentes de morte, ideação suicida ou tentativa de suicídio.

Na presença de alucinações (percepções irreais da audição e visão, como por exemplo ouvir vozes e ter visões) e ideias delirantes (comumente de culpa, ruína ou niilista) a depressão é chamada psicótica. Os sintomas causam significante diminuição do funcionamento social e ocupacional.

Pesquisa da OIT ( Organização Internacional do Trabalho) concluiu que nos EUA a depressão afeta uma décima parte dos trabalhadores adultos; na Finlândia mais de 50% dos trabalhadores sofrem de estresse, ansiedade, depressão e insônia; na Alemanha a depressão causa mais incapacidade do que doenças físicas; no Reino Unido quase três em dez trabalhadores sofrem anualmente de problemas de saúde mental, principalmente depressão.

Um estudo da Organização Mundial de Saúde concluiu que a depressão é responsável por mais incapacidade do que qualquer outra condição médica durante as idades 30-50 anos de idade. Depressão e Transtorno Afetivo Bipolar estão entre as 10 causas de incapacidade durante a vida em homens e mulheres nos países desenvolvidos e emergentes.

A depressão resulta em perdas econômicas devido desempenho insuficiente no trabalho, absenteísmo, queda de produtividade, hospitalização, uso de medicamentos e consultas ambulatoriais. Comumente se torna uma doença crônica e associada com declínios e aspectos negativos em múltiplos aspectos da performance no trabalho. É muito comum entre os trabalhadores.

Um estudo epidemiológico americano em uma determinada região daquele país (ECA) revelou que a depressão foi associada com 27 vezes mais chances de perda do trabalho devido problemas emocionais comparados com outros transtornos mentais avaliados e 44% dos trabalhadores deprimidos perderam um ou mais dias de trabalho pelos problemas emocionais nos últimos três meses.

Um outro estudo americano revelou que a depressão foi associada com um risco significativo não somente para dias ausentes no trabalho, mas também com desempenho insuficiente quando a pessoa foi trabalhar. Foi considerada uma das cinco doenças mais incapacitantes em termos de perda de emprego e mais prevalente.

São considerados fatores de risco de natureza ocupacional: natureza orgânica (exposição à produtos neurotóxicos, tais como, brometo de metila, chumbo, manganês, mercúrio, sulfeto de carbono, tolueno, tricloroetileno, etc.) e psicossocial (decepções sucessivas em situações de trabalho frustrante, exigências excessivas de desempenho, ameaças de perda do lugar na hierarquia da empresa, perda do posto de trabalho, assédio moral, demissão, situações de desemprego prolongado). Há um risco maior das mulheres apresentarem depressão nos ambientes de trabalho.

Segundo o livro Doenças Relacionadas ao Trabalho do Ministério da Saúde — 2001 — OPAS/OMS de 2001 no capítulo 10 “Transtornos mentais e do comportamento relacionados ao trabalho (Grupo V da CID 10)”, os episódios depressivos são mais frequentes em digitadores, operadores de computadores, datilógrafos, advogados, educadores especiais e consultores. Muitas vezes, faltas ao trabalho não justificadas são a primeira manifestação percebida pelos familiares ou colegas, chefes ou empregadores. Quando um episódio depressivo é relacionado ao trabalho, esse comprometimento pode ser mais precoce e mais evidente, uma vez que os fatores afetivos envolvidos na depressão estão no trabalho, como, por exemplo, a perda de um posto de chefia ou outra mudança repentina na hierarquia de uma organização.

O tratamento da depressão consiste no uso de antidepressivos por no mínimo 6-9 meses no primeiro episódio da doença e se os episódios se tornarem recorrentes, o tempo de uso da medicação pode ser indeterminado e prolongado. Quando a depressão não responde ao uso de medicamentos antidepressivos com mecanismos de ação ou classes químicas diferentes a depressão é chamada de resistente (isto pode ocorrer em 30% dos deprimidos) e em tais situações recorre-se ao uso de associação de dois antidepressivos de classes químicas diferentes ou associa-se ao uso de lítio, hormônio tireoideo e antipsicótico atípico (medicamentos de nova geração como aripiprazol, quetiapina ou olanzapina) ou ainda estimulação magnética transcraniana e eletroconvulsoterapia. Outros tratamentos mais recentes e realizados em outros países são estimulação cerebral profunda e estimulação do nervo vago. Entre as psicoterapias, a terapia cognitivo-comportamental é a que tem se mostrado mais eficaz e principalmente em combinação com o uso de antidepressivos.

É considerada incapacidade laborativa qualquer redução ou falta (resultante de uma deficiência ou disfunção: qualquer perda ou anormalidade da estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica) da capacidade para realizar uma atividade de uma maneira que seja considerada normal para o ser humano ou esteja dentro do espectro considerado normal.

A incapacidade pode ser temporária ou permanente e parcial ou total. Diante de um episódio depressivo grave a incapacidade será temporária e total. Se os episódios depressivos forem recorrentes, com internações prévias, tentativas de suicídio e refratariedade terapêutica a incapacidade laborativa poderá ser considerada permanente e parcial ou total. A pessoa apresentando episódio depressivo leve tem alguma dificuldade em continuar trabalhando, mas provavelmente não irá parar suas funções completamente e, por isso, não apresentará incapacidade laborativa. No episódio depressivo moderado, usualmente a pessoa terá dificuldade considerável em continuar trabalhando e provavelmente será considerada ter incapacidade laborativa temporária.

Em relação ao nexo causal entre a depressão e o trabalho, será solicitada por via judicial uma perícia psiquiátrica e que deverá analisar os antecedentes familiares e pessoais da pessoa avaliada, seu histórico ocupacional, exames físico e psíquico, estudo da organização do trabalho e relacionamento com os chefes e outros funcionários, local e estrutura do posto de trabalho, exposição a substâncias tóxicas e estressores psicossociais no trabalho (excesso de atividades, pressão de tempo, cobranças exageradas de metas e produtividade, humilhações e ofensas, trabalho repetitivo ou entediante, etc.).

São imprescindíveis informações dos familiares, pessoas conhecidas e colegas de trabalho ou chefes do periciado e relatórios psiquiátricos (médico assistente) e /ou psicológicos quando estiverem presentes. Exames complementares (laboratoriais, neuroimagem, testes psicológicos e aplicações de Escalas para Depressão) podem ser necessários. Segundo a classificação de Schilling para as doenças relacionadas ao trabalho, no Grupo I estão as doenças em que o trabalho é causa necessária, tipificadas pelas doenças profissionais strictu senso e pelas intoxicações profissionais agudas. No Grupo II estão as doenças em que o trabalho pode ser um fator de risco, contributivo, mas não necessário, exemplificadas por todas as doenças com distribuição na população geral, mas mais frequentes ou mais precoces em determinados grupos profissionais. No Grupo III estão as doenças em que o trabalho é provocador de um distúrbio latente, ou seja, concausa.

A depressão é uma doença comum e que causa significante morbidade clínica, mortalidade (suicídio), perda da qualidade de vida, diminuição do funcionamento nas atividades diárias, no trabalho, desempenho escolar, nos relacionamentos conjugais e familiares e sociais. Estima-se que entre 5% e 11% da população total dos Estados Unidos tenha depressão. É considerada a quarta doença incapacitante em comparação com outras doenças e projeta-se que será a segunda doença mais incapacitante em 2020.

Existem vários subtipos de depressão: unipolar, bipolar, sazonal, psicótica, endógena (melancolia), neurótica ou reativa, atípica, crônica (distimia) e recorrente e secundária. Com o tratamento há redução de custos e da perda da produtividade no trabalho. Poucos deprimidos recebem cuidados adequados ou demoram para iniciar tratamento. É associada com significante diminuição do funcionamento social, menor qualidade de vida e declínio no funcionamento social. Há associação entre precária situação sócio-econômica e aumento das taxas de depressão. É menos comum na zona rural do que nas regiões urbanas. Tem alto risco de recorrência e possibilidade de cronicidade.

Os episódios depressivos podem ser únicos ou múltiplos e de graus leve, moderado e grave. Usualmente está associada com outros transtornos mentais (transtornos de ansiedade e de personalidade e uso de drogas e álcool).

São considerados fatores de risco para depressão: história familiar, precoces eventos adversos na vida (trauma, abuso sexual e físico, negligência), perda dos pais por separação ou morte, comorbidades (associação com outros transtornos mentais) e eventos negativos e estressantes na vida (relacionamentos interpessoais, família, saúde, situação financeira, trabalho, etc.).

Segundo a CID-10 (Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da Organização Mundial de Saúde), em relação à Depressão: “O indivíduo usualmente sofre de humor deprimido, perda de interesse e prazer, energia reduzida levando a uma fatigabilidade e cansaço marcante após esforços apenas leves é comum. Outros sintomas comuns são: a) concentração e atenção reduzidas; b) autoestima e autoconfiança reduzidas; c) ideias de culpa e inutilidade; d) visões desoladas e pessimistas do futuro; e) ideias ou atos autolesivos ou suicídio; f) sono perturbado; g) apetite diminuído.”

Em relação à depressão, segundo o DSM-IV (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders — fourth edition — 1994 da Associação Psiquiátrica Americana), são considerados critérios diagnósticos cinco(ou mais) dos seguintes sintomas que estejam presentes durante no mínimo 15 dias e representam uma mudança de funcionamento prévio; no mínimo um dos sintomas é humor deprimido ou perda de interesse ou prazer: 1. humor deprimido a maior parte do dia (sentir-se triste ou vazio); 2. interesse ou prazer acentuadamente diminuído; 3. significante perda ou ganho de peso; 4. insônia ou sonolência; 5. agitação ou retardo psicomotor; 6. fadiga ou perda de energia; 7. sentimento de baixa autoestima ou culpa inapropriada ou excessiva; 8. diminuição da habilidade para pensar ou concentrar ou indecisão; 9. pensamentos recorrentes de morte, ideação suicida ou tentativa de suicídio.

Na presença de alucinações (percepções irreais da audição e visão, como por exemplo ouvir vozes e ter visões) e ideias delirantes (comumente de culpa, ruína ou niilista) a depressão é chamada psicótica. Os sintomas causam significante diminuição do funcionamento social e ocupacional.

Pesquisa da OIT ( Organização Internacional do Trabalho) concluiu que nos EUA a depressão afeta uma décima parte dos trabalhadores adultos; na Finlândia mais de 50% dos trabalhadores sofrem de estresse, ansiedade, depressão e insônia; na Alemanha a depressão causa mais incapacidade do que doenças físicas; no Reino Unido quase três em dez trabalhadores sofrem anualmente de problemas de saúde mental, principalmente depressão.

Um estudo da Organização Mundial de Saúde concluiu que a depressão é responsável por mais incapacidade do que qualquer outra condição médica durante as idades 30-50 anos de idade. Depressão e Transtorno Afetivo Bipolar estão entre as 10 causas de incapacidade durante a vida em homens e mulheres nos países desenvolvidos e emergentes.

A depressão resulta em perdas econômicas devido desempenho insuficiente no trabalho, absenteísmo, queda de produtividade, hospitalização, uso de medicamentos e consultas ambulatoriais. Comumente se torna uma doença crônica e associada com declínios e aspectos negativos em múltiplos aspectos da performance no trabalho. É muito comum entre os trabalhadores.

Um estudo epidemiológico americano em uma determinada região daquele país (ECA) revelou que a depressão foi associada com 27 vezes mais chances de perda do trabalho devido problemas emocionais comparados com outros transtornos mentais avaliados e 44% dos trabalhadores deprimidos perderam um ou mais dias de trabalho pelos problemas emocionais nos últimos três meses.

Um outro estudo americano revelou que a depressão foi associada com um risco significativo não somente para dias ausentes no trabalho, mas também com desempenho insuficiente quando a pessoa foi trabalhar. Foi considerada uma das cinco doenças mais incapacitantes em termos de perda de emprego e mais prevalente.

São considerados fatores de risco de natureza ocupacional: natureza orgânica (exposição à produtos neurotóxicos, tais como, brometo de metila, chumbo, manganês, mercúrio, sulfeto de carbono, tolueno, tricloroetileno, etc.) e psicossocial (decepções sucessivas em situações de trabalho frustrante, exigências excessivas de desempenho, ameaças de perda do lugar na hierarquia da empresa, perda do posto de trabalho, assédio moral, demissão, situações de desemprego prolongado). Há um risco maior das mulheres apresentarem depressão nos ambientes de trabalho.

Segundo o livro Doenças Relacionadas ao Trabalho do Ministério da Saúde — 2001 — OPAS/OMS de 2001 no capítulo 10 “Transtornos mentais e do comportamento relacionados ao trabalho (Grupo V da CID 10)”, os episódios depressivos são mais frequentes em digitadores, operadores de computadores, datilógrafos, advogados, educadores especiais e consultores. Muitas vezes, faltas ao trabalho não justificadas são a primeira manifestação percebida pelos familiares ou colegas, chefes ou empregadores. Quando um episódio depressivo é relacionado ao trabalho, esse comprometimento pode ser mais precoce e mais evidente, uma vez que os fatores afetivos envolvidos na depressão estão no trabalho, como, por exemplo, a perda de um posto de chefia ou outra mudança repentina na hierarquia de uma organização.

O tratamento da depressão consiste no uso de antidepressivos por no mínimo 6-9 meses no primeiro episódio da doença e se os episódios se tornarem recorrentes, o tempo de uso da medicação pode ser indeterminado e prolongado. Quando a depressão não responde ao uso de medicamentos antidepressivos com mecanismos de ação ou classes químicas diferentes a depressão é chamada de resistente (isto pode ocorrer em 30% dos deprimidos) e em tais situações recorre-se ao uso de associação de dois antidepressivos de classes químicas diferentes ou associa-se ao uso de lítio, hormônio tireoideo e antipsicótico atípico (medicamentos de nova geração como aripiprazol, quetiapina ou olanzapina) ou ainda estimulação magnética transcraniana e eletroconvulsoterapia. Outros tratamentos mais recentes e realizados em outros países são estimulação cerebral profunda e estimulação do nervo vago. Entre as psicoterapias, a terapia cognitivo-comportamental é a que tem se mostrado mais eficaz e principalmente em combinação com o uso de antidepressivos.

É considerada incapacidade laborativa qualquer redução ou falta (resultante de uma deficiência ou disfunção: qualquer perda ou anormalidade da estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica) da capacidade para realizar uma atividade de uma maneira que seja considerada normal para o ser humano ou esteja dentro do espectro considerado normal.

A incapacidade pode ser temporária ou permanente e parcial ou total. Diante de um episódio depressivo grave a incapacidade será temporária e total. Se os episódios depressivos forem recorrentes, com internações prévias, tentativas de suicídio e refratariedade terapêutica a incapacidade laborativa poderá ser considerada permanente e parcial ou total. A pessoa apresentando episódio depressivo leve tem alguma dificuldade em continuar trabalhando, mas provavelmente não irá parar suas funções completamente e, por isso, não apresentará incapacidade laborativa. No episódio depressivo moderado, usualmente a pessoa terá dificuldade considerável em continuar trabalhando e provavelmente será considerada ter incapacidade laborativa temporária.

Em relação ao nexo causal entre a depressão e o trabalho, será solicitada por via judicial uma perícia psiquiátrica e que deverá analisar os antecedentes familiares e pessoais da pessoa avaliada, seu histórico ocupacional, exames físico e psíquico, estudo da organização do trabalho e relacionamento com os chefes e outros funcionários, local e estrutura do posto de trabalho, exposição a substâncias tóxicas e estressores psicossociais no trabalho (excesso de atividades, pressão de tempo, cobranças exageradas de metas e produtividade, humilhações e ofensas, trabalho repetitivo ou entediante, etc.).

São imprescindíveis informações dos familiares, pessoas conhecidas e colegas de trabalho ou chefes do periciado e relatórios psiquiátricos (médico assistente) e /ou psicológicos quando estiverem presentes. Exames complementares (laboratoriais, neuroimagem, testes psicológicos e aplicações de Escalas para Depressão) podem ser necessários. Segundo a classificação de Schilling para as doenças relacionadas ao trabalho, no Grupo I estão as doenças em que o trabalho é causa necessária, tipificadas pelas doenças profissionais strictu senso e pelas intoxicações profissionais agudas. No Grupo II estão as doenças em que o trabalho pode ser um fator de risco, contributivo, mas não necessário, exemplificadas por todas as doenças com distribuição na população geral, mas mais frequentes ou mais precoces em determinados grupos profissionais. No Grupo III estão as doenças em que o trabalho é provocador de um distúrbio latente, ou seja, concausa.

Os episódios depressivos podem ser enquadrados no Grupo I ou III da Classificação de Schilling. O Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário (NTEP) também pode ser utilizado para o estabelecimento do nexo causal entre o trabalho e a doença, como quando ocorrer uma incidência elevada de uma doença em uma determinada atividade profissional.

Roberto Moscatello é psiquiatra forense, perito do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (SP), especialista pela Associação Brasileira de Psiquiatria e membro da American Academy of Psychiatry and the Law.

Revista Consultor Jurídico, 5 de setembro de 2012

http://www.conjur.com.br/2012-set-05/roberto-moscatello-depressao-gera-incapacidade-trabalhar#autores

Depoimentos sobre o tratamento da depressão

 

Sempre fui execessivo em tudo

No decorrer da minha vida, para tentar amenizar essa condição, passei a tomar medicamentos, entre eles calmantes, anti-depressivos, drogas ilicitas, entre outros. Virei hipocondriaco e altamente depressivo. Nos últimos dois anos comeceu a sentir dores pelo corpo e passei a consumir analgésicos, junto com calmantes, anti-depressivos e drogas. Tomava quase que diariamente cerca de 16 analgésicos de 4 marcas diferentes por dia e mais 8 calmantes e anti-depressivos (rivotril, trileptol, citalopran, olcadil) além de outras drogas.

Sem saída, vi que minha vida estava acabando. Já não trabalhava direito, passava a noite acordado mesmo com calmantes e pela manhã, pegava no sono e dormia até o meio dia.
Profissionalmente, por mais que me esforçasse comecei a ver que já não era mais o mesmo profissional dedicado e talentoso que sempe fui. A vida social era pior ainda, meu relacionamento com minha esposa que tanto amo estava acabando, meus filhos relegados a segundo plano e meus pais já de idade a terceiro plano.

Com a ajuda de minha esposa, procurando salvar o casamento, recuperar o amor pelas milhas filhas e pais e voltar a ser o profissional de antes, procurei o IPAN e inicie o tratamento de neuroestimulação cerebral.

Venho realizando o tratamento há cerca de 75 dias. Fiz mais de 40 sessões e acredito que seja o fator predominante da mudança de minha vida. Nunca senti qualquer efeito colateral. Minha melhora foi de 100%. Não voltei mais a utilizar substâncias químicas, e os remédios apenas com prontuário médico dos profissionais do IPAN.

Hoje sou outro homem. Não sinto falta de qualquer droga e minha depressão acabou dando lugar ao amor a minha família e a vontade de trabalhar. Perdi 8 quilos, sou ativo e voltado para as questões familiares e profissionais.

Hoje tenho o IPAN como um salva-vidas. Foi aqui, através de seus profissionais que consegui voltar a viver e dar valor a vida. Sempre fui muito bem atendido e assistido por todos.
A. R., jornalista, 46 anos