Tuesday, July 31, 2012

Álcool e Drogas

  Álcool e DrogasO Uso de substâncias com efeitos psíquicos é conhecido em praticamente todas as épocas e em todas as civilizações, alguns usam com finalidade religiosa, outros medicinais e até recreativos.

A principal característica do álcool e das outras substâncias psicoativas é de produzir uma sensação prazerosa de forma solitária ou na interação social.

Algumas características são comuns a quase todas essas substâncias. Elas tendem a causar dependência(uma necessidade emocional ou física) e elas podem causar tolerância (necessidade de doses maiores para obter os mesmos efeitos). A dependência também pode incluir a síndrome de retirada ou abstinência.

Comumente se diferencia o uso, o abuso e a dependência. Além disso, podem ser estudados os efeitos da intoxicação e da abstinência, bem como outras síndromes decorrentes do uso/abuso/dependência de substâncias.

As drogas podem ser classificadas de diversas formas, desde sua composição química e mecanismo de ação, até seus efeitos (excitatórios, inibitórios, alucinogênicos, etc)no sistema nervoso.

De forma esquemática as principais drogas são:

Cocaína : substância que pode ser ingerida, cheirada (inalada), tem efeitos excitatórios, especialmente promovendo liberação de dopamina. Tem prevalência alta no Brasil e está frequentemente associada a criminalidade.

Crack: é uma forma impura de cocaína, geralmente fumada, feita a partir da mistura de pasta de cocaína com bicarbonato de sódio. A fumaça produzida pela queima da pedra de crack chega ao sistema nervoso central em dez segundos e seu efeito de euforia (mais forte do que o da cocaína) dura de 3 a 10 minutos, seguido de depressão, o que provocando intensa dependência.

Anfetamina e derivados: Também com efeitos excitatórios, uso frequente por adolescentes em festas e por pessoas que necessitam ficar acordadas por períodos prolongados.

Ópio e derivados: Inclui a heroína, droga importante nos EUA pela prevalência de uso. Menor no Brasil, mas crescendo. Trata-se de um depressor do sistema nervoso, incluindo efeitos analgésicos. Derivados presentes em medicações para dor que podem causar dependência.

Alucinógenos: substâncias cujo principal efeito é a indução de alucinações, frequentemente visuais. Inclui LSD, mescalina e psilocibina.

Maconha: Depressor do sistema nervoso central. É a substância ilegal mais utilizada no ocidente. Ela é frequentemente inalada (na forma de cigarro), mas pode ser ingerida também. Apresenta um efeito euforizante e desinibitório característicos.

Tabaco e cafeína: Substâncias estimulantes lícitas que podem causar dependência e consequências na saúde, mas sem efeitos entorpecentes (corte com a realidade).

Existe uma série de outras substâncias, incluindo medicações psicotrópicas receitadas para transtornos psiquiátricos que podem vir a causar uso abusivo e/ou dependência. Talvez a mais comum classe seja a dos benzodiazepínicos. O desenvolvimento de tolerância ou dependência geralmente é lento e desenvolve-se ao longo de anos de uso contínuo.


Alcoolismo

O alcoolismo merece menção especial por sua prevalência e por suas consequências, consistindo um verdadeiro problema de saúde pública e um causador de distúrbio social e familiar. Crimes e acidentes (especialmente de trânsito) estão não poucas vezes associados á intoxicação por álcool.

O Álcool é um depressor do sistema nervoso e tem vários mecanismos de ação propostos, incluindo ação no complexo de receptor GABA, bem como em receptores opióides. Sua absorção ocorre em 90% no estômago e o resto no intestino delgado. Sua metabolização é principalmente hepática (90%) sendo o restante eliminado pelos pulmões e rins.

A enzima que metaboliza o álcool no fígado é a álcool desidrogenase que o transforma em aldeído e depois em ácido acético, que é eliminado. A absorção é rápida e a meia vida está ao redor de 8 horas. O uso prolongado e repetido aumenta a capacidade enzimática e é um dos mecanismos de tolerância.

A intoxicação por álcool se manifesta inicialmente por uma desinibição, que é seguida de comportamento irritado ou até agressivo. Sintomas comuns são fala pastosa, ataxia, descoordenação motora, redução da atenção e concentração. De acordo com o grau de intoxicação poderá chegar até o coma e a morte.

A Abstinência ou síndrome de retirada, se manifesta com efeitos de hiperestimulação autonômica. Tremores (finos inicialmente até grosseiros em quadros mais graves) são típicos. Fotofobia, agitação psicomotora, taquicardia, hipertensão e alucinações são eventos comuns. Alucinações visuais são frequentes (liliputianas por exemplo, ou sensações epidérmicas).

A intoxicação não tem tratamento específico, mas apenas geral, incluindo hidratação. Reposição de glicose e complexo vitamínico estão indicados em casos onde há desnutrição crônica.

Outras alterações de comportamento associadas ao alcoolismo incluem a alucinose a síndrome de Wernicke e a síndrome de Korsakoff.

A alucinose consiste em alucinações (auditivas em geral) quando ocorre redução ou abstinência do uso. Tipicamente surgem com um sensório intacto (diferente da síndrome de abstinência, na qual há confusão mental) e são aliviadas com doses baixas de antipsicóticos.

A síndrome de Wernicke é causada pela falta de tiamina e se manifesta com a clássica tríade de confusão mental, ataxia e nistagmo (com oftalmoplegia). Trata-se de quadro grave que pode ser revertido com a administração de tiamina (geralmente também com Mg, cofator para o metabolismo).

A síndrome de Wernicke pode ser precipitada pela injeção endovenosa de glicose (esta utiliza tiamina para o seu metabolismo). Por isso deve-se administrar tiamina associada.

A síndrome de Korsakoff é uma evolução de S.Wernicke não tratada. Consiste em quadro demencial, principalmente com déficits de memória. Tipicamente, estes são “ilhas” de amnésia, algumas vezes preenchidas com confabulações. O prognóstico é reservado.

Tratamento inovador

O vício em drogas é um pesadelo para muitas famílias brasileiras, o comportamento de um viciado prejudica todo o convívio familiar e muitas vezes os parentes se sentem perdidos e não sabem o que fazer. É realmente um drama, um pesadelo. Por isso que pesquisas e novidades para o tratamento da dependência química devem ser comemorados.

A Estimulação magnética transcraniana repetitiva (EMTr) é uma técnica não-invasiva de neuroestimulação que já está aprovada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) para o tratamento da Depressão Bipolar/Unipolar e Esquizofrenia. Vem sendo amplamente estudada, inclusive para tratar dependência de drogas, com resultados animadores. Ela parece conter a necessidade das pessoas dependentes de cocaína e reorganizar o funcionamento cerebral.

Estudos iniciais já foram publicados utilizando a EMTr para o tratamento da dependência química com resultados promissores. Ensaios clínicos controlados estão em andamento e poderão comprovar a sua utilidade clínica.

Dr. Moacyr Rosa, diretor do IPAN.

Friday, July 20, 2012

Pessoas ansiosas envelhecem mais rápido

Saúde mental

Pessoas ansiosas envelhecem mais rápido

Mulheres que relatam mais ansiedade têm menores telômeros, estruturas do DNA cujo encurtamento está associado ao envelhecimento

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Ansiedade acelera processo de enevelhecimento do organismo, diz estudo (ThinkStock)
A ansiedade, especialmente aquela que leva um indivíduo a ter fobias, acelera o processo de envelhecimento natural do ser humano, segundo pesquisadores do Hospital Brigham and Women, da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Em um estudo publicado nesta quarta-feira no periódico PLoS One, esses especialistas mostraram que quanto mais ansiosa uma pessoa é, menor o tamanho de seus telômeros, uma estrutura do DNA associada à duração da vida e à boa saúde.

Saiba mais

TELÔMEROS
São as 'tampas' das extremidades do cromossomo, uma forma de proteção similar à presente nas pontas de um cadarço de tênis. Sempre que um cromossomo é replicado para a divisão celular, os telômeros encurtam. Esse encurtamento tem sido visto por diversos cientistas como um marcador biológico do envelhecimento, o relógio que marca a duração da vida de uma pessoa e sua condição de saúde.
Os autores da pesquisa analisaram amostras de sangue de 5.243 mulheres com idades entre 42 e 69 anos para medirem o comprimento dos telômeros de cada uma. Essa estrutura, localizada na extremidade dos cromossomos, diminui de tamanho cada vez que ocorre a divisão celular — e quanto mais curta, maior a probabilidade do surgimento de doenças associadas ao envelhecimento, como câncer, demência e até mesmo morte. Além disso, as participantes responderam a questionários sobre níveis de ansiedade e se passaram por eventos de fobia no último ano.

 
Segundo os resultados, maiores níveis de ansiedade e maior número eventos de fobia foram associados a telômeros de comprimento significativamente mais curto. “Muitas pessoas tentam entender de que maneira o stress pode acelerar o envelhecimento”, diz a coordenadora do estudo, Olivia Okereke. “Essa pesquisa é notável, pois estabelece uma conexão entre uma forma comum de stress psicológico, que é a ansiedade acompanhada de fobia, e um mecanismo plausível para envelhecimento prematuro. No entanto, precisamos de novos trabalhos para saber mesmo se é a ansiedade que provoca o encurtamento dos telômeros, ou se é o contrário”.

Revista Veja
http://veja.abril.com.br/noticia/saude/pessoas-ansiosas-envelhecem-mais-rapido

Friday, July 13, 2012

Violência urbana provoca traumas que não devem ser ignorados

Edição do dia 12/07/2012
12/07/2012 14h26- Atualizado em 12/07/2012 14h30

Violência urbana provoca traumas que não devem ser ignorados

Perturbação e alterações no comportamento voltam a se manifestar meses e até anos depois. Dividir o problema é o primeiro passo para superá-lo.

Veruska DonatoSão Paulo
 

A violência, cada vez mais frequente nas grandes cidades, provoca traumas que a maioria das vítimas não consegue superar sozinha, sem ajuda. Dividir o problema é o primeiro passo para superá-lo.
O assalto mudou completamente a rotina da família da representante comercial Paula Soares. "Colocaram a arma na minha cabeça e meu esposo disse ‘pelo amor de Deus, deixa eu tirar meu filho’. Eles não pensam, agem como se sua vida não fosse nada, infelizmente. Eu dormia com meu sofá encostado na porta de tanto medo”, diz.

Insônia, pesadelos, alteração no apetite, estado constante de alerta e choro. Tudo isso são sintomas de quem sofreu um trauma e são comuns em vítimas de assaltos, sequestros, violência sexual ou em quem perdeu alguém muito próximo assassinado.
Em muitos casos, a vítima da violência acha que superou o trauma e toca a vida, mas o medo, a perturbação e as alterações no comportamento voltam a se manifestar meses, até anos depois. Por isso, é importante não ignorar o problema.

"Ela começa a se isolar da família, perde o emprego, abandona o emprego, e ela pode desenvolver doenças que agravam esse quadro principal. Pode gerar quadro de depressão, quadro de transtornos de ansiedade", afirma Adriana Mozzambani, pesquisadora do Programa de Atendimento e Pesquisa em Violência (Prove) da Unifesp. A médica explica que, em 80% dos casos, as pessoas se recuperam e com a ajuda de remédios e terapia.

Roberto e Yolanda Rubio buscaram o Centro de Apoio às Vítimas da Secretaria de Justiça de São Paulo. O filho deles foi assassinado há um ano e meio. Apesar do retrato falado da polícia, o assassino nunca foi encontrado. "Ele saiu de casa dizendo ‘eu já volto’ e voltou três dias depois num caixão lacrado. Abriu um buraco no chão da minha família que não tem como fechar", diz Yolanda.
Um dos objetivos do Centro de Apoio é estimular as pessoas a falarem da dor que sentem, e, em grupo, a terapia traz resultados melhores. “Ela se sente mais confiante de estar em um grupo que teve a mesma experiência trágica. Ela pode falar e as outras pessoas ali vão entender”, afirma Cristiane Pereira, coordenadora do Centro.

http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2012/07/violencia-urbana-provoca-traumas-que-nao-devem-ser-ignorados.html

Wednesday, July 11, 2012

A superação da depressão pré-parto

A medicina amplia o conhecimento sobre o que acontece com a mãe e o bebê quando a doença se manifesta durante a gestação

Tamara Menezes

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A depressão pós-parto é uma doença conhecida. Já a pré-parto, nem tanto. A condição, porém, pode afetar até 20% das grávidas e trazer implicações para a saúde da mãe e do bebê. Por essas razões, a ciência começa a investigar com mais profundidade como ela se manifesta e suas repercussões. Busca também encontrar tratamentos eficazes, mas que não apresentem riscos tanto à mãe quanto à criança.

Um dos primeiros obstáculos ao enfrentamento da doença é a dificuldade de seu diagnóstico. Como saber se a tristeza da mulher é resultante da ebulição de sentimentos típica da gestação – portanto, passageira – ou se é algo mais profundo? Uma das formas de encontrar a resposta é prestar atenção aos sintomas. As gestantes acometidas por esse mal podem sentir tristeza, irritabilidade e dificuldade de concentração por período longo.

Os sinais podem ainda ser agravados pela culpa e sensação de fracasso como mãe. Afinal, assumir a tristeza num contexto social que considera que as grávidas devem ser sorridentes não é fácil e isso acaba fazendo com que muitas relutem em admitir que estão deprimidas, inclusive para seus médicos. “As pessoas não gostam de ver grávida triste. O próprio profissional de saúde custa a perceber”, conta Marco Aurélio Galletta, diretor da Sociedade Brasileira de Obstetrícia e Ginecologia da Infância e Adolescência. “Algumas mulheres tentam esconder porque se culpam. Mas diagnosticar e identificar a causa são fundamentais para o tratamento bem-sucedido”, diz a obstetra Viviane Monteiro, do Rio de Janeiro.

A doença está as­sociada à forma como a transformação de mulher em mãe é vivida e a fatores como histórico psiquiátrico, problemas afetivos e estresse. A oscilação hormonal e as alterações no corpo e nos hábitos advindas da gravidez também podem detonar a depressão. “Conflitos ou a ausência do parceiro, relação ruim com a família, perda de suporte financeiro, doenças e até carências nutricionais também agem como gatilhos”, explica a ginecologista Renata Aranha, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
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"Hoje eu fico feliz por ter tido coragem de enfrentar a situação"
Francine Mendes, economista, 26 anos. Ela teve a doença na segunda gravidez
Pesquisas recentes demonstram que, para os bebês, há consequências diretas. Uma das últimas foi realizada pela Universidade de Yale (EUA). Depois de analisar o histórico de mais de 2,7 mil grávidas, os cientistas concluíram que as que tomavam antidepressivos apresentavam risco mais elevado de parto prematuro tardio (entre a 34a e 37a. semana de gestação). Isso significa chance de a criança nascer com peso abaixo do ideal e outras complicações típicas de prematuros, como pulmões ainda não totalmente amadurecidos.

O tratamento se baseia em terapia cognitivo-comportamental (modificação de padrões mentais e comportamentais associados à doença), aconselhada nos casos mais leves, e antidepressivos em situações mais graves. O uso de medicações deve ser feito com cautela. Um estudo publicado no “British Journal of Clinical Pharmacology” mostrou, por exemplo, que os antidepressivos da classe dos recaptadores seletivos de serotonina elevam o risco de hipertensão na grávida. A ginecologista Maria José Camargo, do Rio de Janeiro, alerta que substâncias como lítio e clonazepam devem ser evitadas pelo risco de má-formação no feto, mas defende que quem já toma antidepressivos mantenha a rotina. “Colocando na balança, é desejável ter uma mãe bem cuidada que possa cuidar da criança”, diz o médico Galletta.

A economista Fran­cine Mendes, 26 anos, superou a doença. Ela já tinha uma menina de oito meses e engravidou novamente, sem planejar. Além disso, tinha mudado de Estado e saído do emprego. “Me sentia terrível. Era uma sensação de tristeza”, conta. A economista procurou tratamento. Um mês depois o bebê nasceu, prematuro. Antidepressivos e mais terapia a levaram a dar a volta por cima. “Hoje eu fico feliz por ter tido coragem de enfrentar a situação”, afirma.
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Revista REVISTA ISTOÉ
Medicina & Bem-estar
N° Edição: 2224 | 22.Jun.12 - 21:00 | Atualizado em 11.Jul.12 - 09:55
http://www.istoe.com.br/reportagens/216289_A+SUPERACAO+DA+DEPRESSAO+PRE+PARTO?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage

Wednesday, July 4, 2012

Estimulação Magnética no tratamento do uso de drogas

11/07/2010-10h43

USP testa estímulo cerebral em viciados em drogas

FERNANDA BASSETTE
DE SÃO PAULO

Pesquisadores do Instituto de Psiquiatria da USP (Universidade de São Paulo) estão testando o uso da estimulação magnética do cérebro para conter a fissura de pessoas dependentes de cocaína em pó e "reorganizar" o funcionamento cerebral.
A técnica, chamada estimulação magnética transcraniana, é usada aqui desde 2006 no tratamento de depressão. Segundo os médicos, não é invasiva e quase sem efeitos colaterais.
Essa é a primeira vez que pesquisadores brasileiros resolvem investigar se os benefícios do método podem ser estendidos para dependentes crônicos da droga.
Um grupo de Israel, por exemplo, estudou os efeitos da estimulação contra a fissura provocada pelo tabaco. Os resultados mostram uma queda no desejo pela droga nos primeiros três meses.
Segundo o último levantamento da Senad (Secretaria Nacional de Políticas Antidrogas), 2,9% da população brasileira já usou cocaína ao menos uma vez na vida. E 7,7% dos universitários experimentaram a droga ao menos uma vez.
O psiquiatra Phillip Leite Ribeiro, responsável pelo teste na USP, explica que a ação da cocaína desorganiza os circuitos cerebrais, alterando o funcionamento das redes de neurônios. "A consequência é uma pessoa dependente da cocaína, com dificuldade de raciocínio e de decisão", diz Ribeiro.
COMO FUNCIONA
A estimulação magnética transcraniana é aplicada em consultório, sem anestesia. O paciente usa uma touca de natação e o médico aproxima o aparelho na região do cérebro a ser tratada. As ondas penetram cerca de 2 cm.
No caso da cocaína, o local exato da aplicação não foi divulgado por se tratar de algo ainda em estudo. As sessões são feitas durante 20 dias e duram 15 minutos. Custam, em média, R$ 400 cada uma.
Após um mês, o paciente faz tratamento para prevenir recaídas. Por enquanto, os resultados preliminares mostram que há, de fato, uma diminuição na fissura.
E, ao contrário do que parece, a estimulação magnética não provoca choques. É bem diferente da eletroconvulsoterapia -método em que o cérebro recebe uma descarga elétrica generalizada, entrando em convulsão.
"A estimulação transcraniana gera um campo magnético com uma pequena corrente elétrica. A ação é local", afirma Ribeiro.
Editoria de Arte
POUCO USADA
Segundo Paulo Silva Belmonte de Abreu, chefe do serviço de psiquiatria do HC de Porto Alegre e presidente da Associação Brasileira de Estimulação Magnética Transcraniana, embora seja reconhecida, a técnica não é muito usada no país.
"Ela tem efeitos positivos na depressão, em psicoses que provocam alterações auditivas [como esquizofrenia], no tratamento da dor fantasma. Mesmo assim, poucos centros a usam, ainda tem muito preconceito", avalia.
Para Abreu, é importante que o método seja testado para tratar outros problemas. "É uma ferramenta não invasiva que não lesa o cérebro. Quando não atinge os efeitos desejados, ela não faz mal."
Segundo Abreu, a única contraindicação é para pessoas com histórico de convulsão -a aplicação pode desencadear uma crise. Os principais efeitos colaterais são leve dor local e desconforto durante a aplicação.
O psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira, diretor do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes da Unifesp, é mais cauteloso.
"É uma técnica que está sendo estudada para vários tipos de transtornos, mas não é totalmente eficaz. O que se sabe é que ela modifica circuitos neuronais, mas ainda não é possível dizer que resolve o problema", diz.
Editoria de Arte

Tuesday, July 3, 2012

Novo dispositivo permite que pessoas paralisadas se comuniquem com a mente

Aparelho de ressonância magnética registra atividade cerebral e pacientes 'digitam' mentalmente letras em uma tela de computador

cérebro comunicação Comunicação pelo cérebro: aparelho de ressonância reconhece padrões cerebrais para reproduzir letras na tela de um computador (Thinkstock)
Pessoas que por algum motivo — acidente, derrame cerebral ou outras doenças — não conseguem falar terão uma nova chance de se comunicar. Pesquisadores desenvolveram uma técnica para que pessoas completamente conscientes, mas incapazes de se mover ou falar, consigam soletrar mentalmente com a ajuda de um aparelho de ressonância magnética. A pesquisa foi publicada no periódico Current Biology.

Saiba mais

RESSONÂNCIA MAGNÉTICA
A ressonância magnética é uma técnica que médicos usam para ter uma representação visual dos órgãos. Os pacientes deitam em uma cama que entra em um campo magnético altíssimo. Um segundo campo magnético é aplicado por um breve período de tempo em uma direção diferente. Essa mudança faz com que as imagens possam ser geradas. No experimento descrito nesta reportagem, os cientistas usaram um tipo especial de ressonância magnética que permite observar diferentes áreas do cérebro enquanto os pacientes executam tarefas.
A nova técnica foi desenvolvida pela equipe da pesquisadora Bettina Sorger, da Universidade Maastricht, na Holanda. O processo consiste em ler a mente do paciente por meio da ressonância magnética em busca de padrões cerebrais específicos que representem cada uma das letras do alfabeto e um que sirva para dar espaço entre as palavras.

Tudo que os pacientes precisam fazer é realizar uma tarefa mental que gere uma atividade cerebral específica para cada um dos 26 caracteres. É assim que os médicos conseguem codificar o alfabeto. No estudo, seis adultos saudáveis aprenderam a responder perguntas ao 'digitar' mentalmente letras em uma tela de computador.

Experimento — Os voluntários passaram por uma hora treinando padrões de pensamento para cada uma das letras. Tudo era monitorado por um aparelho de ressonância magnética especial, que media precisamente a atividade em diferentes partes do cérebro ao detectar a quantidade do fluxo de sangue.

As letras foram dispostas em três fileiras associadas a um tipo diferente de tarefa mental: desenhar uma forma com a mente, realizar um cálculo matemático ou repetir silenciosamente um trecho de algum texto. Os participantes conseguiram digitar letras para responder várias perguntas, como "Qual é o seu nome?" e "Qual foi o último filme que viu?"

O sistema conseguiu determinar a primeira letra de cada resposta 82% das vezes, mas um algoritmo de correção — o mesmo usado em smartphones para autocorrigir o texto digitado — elevou a taxa para 95% quando a segunda letra era levada em consideração. Quando a terceira era 'digitada', a taxa de acerto foi de 100%. O processo é lento. Em média, os voluntários levaram 50 segundos para selecionar cada caractere.

Outros projetos – Não é a primeira vez que cientistas desenvolvem um dispositivo para ajudar pacientes com paralisia a se comunicarem. O físico Stephen Hawking, que sofre de esclerose lateral amiotrófica, participa de um projeto chamado iBrain, que busca ler a mente com ajuda de um gravador de ondas cerebrais. Niels Birbaumer, da Universidade de Tübingen (Alemanha), em 2000, criou um dispositivo de tradução da mente que permite soletrar palavras e escolher imagens. O aparelho interpreta a atividade elétrica do cérebro em vez do fluxo sanguíneo. Outros experimentos incluem mover o ponteiro do mouse com a mente ou converter pensamentos em sons de vogais.
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Pesquisador desenvolve algoritmo de voz que detecta doença de Parkinson

Para aperfeiçoar projeto, matemático quer construir um banco de vozes com a ajuda de voluntários em diversos países, inclusive no Brasil

Mais de seis milhões de pessoas ao redor do mundo sofrem com o Parkinson Mais de seis milhões de pessoas ao redor do mundo sofrem com o Parkinson (Thinkstock)
Um matemático britânico espera acelerar o diagnóstico da doença de Parkinson com um exame barato que utiliza um algoritmo de reconhecimento da fala que ele próprio desenvolveu na Universidade Oxford, na Inglaterra. Max Little explicou como seu programa pode detectar os sintomas da doença na abertura da conferência TEDGlobal, que ocorre essa semana na Escócia. TED (Tecnologia, Entretenimento e Design) é uma organização filantrópica que apoia projetos inovadores.

Saiba mais

DOENÇA DE PARKINSON É uma doença degenerativa e progressiva do sistema nervoso. A degeneração das células nervosas na doença não tem causa conhecida. A doença não tem cura, mas existem tratamentos que diminuem seus sintomas, que são, principalmente, tremores e lentidão dos movimentos. A doença afeta cerca de 1 em cada 250 indivíduos com mais de 40 anos.
A doença de Parkinson é uma condição neurológica degenerativa e progressiva difícil de diagnosticar. Não existem testes de laboratório que conseguem diagnosticar definitivamente a doença. Mais de seis milhões de pessoas no mundo sofrem da doença de Parkinson.

Little descobriu durante o doutorado em Oxford que a voz, assim como os membros, é afetada pela doença de Parkinson. Os sintomas da doença, portanto, poderiam ser detectados pela análise da fala com algoritmos de computador.

O pesquisador explicou como o algoritmo funciona em entrevista à rede britânica BBC. "Estamos recolhendo uma grande quantidade de informação de pessoas saudáveis ou com a doença de Parkinson", disse. "A partir daí, treinamos o banco de dados para aprender como separar os verdadeiros sintomas da doença de outros fatores."

De acordo com Little, o padrão de voz de uma pessoa pode mudar por vários motivos, como fumar ou estar gripado. O cientista acredita que seu algoritmo será capaz de enxergar diferenças entre esses fatores e a doença de Parkinson.
Reprodução
Qualquer pessoa pode ligar e contribuir com três minutos de fala para ajudar a aperfeiçoar o algoritmo que reconhece o Parkinson pela voz. No Brasil, é possível ligar para um número de São Paulo: 11 3957-0683
Qualquer pessoa pode ligar e contribuir com três minutos de fala para ajudar a aperfeiçoar o algoritmo que reconhece a doença de Parkinson pela voz. No Brasil, é possível ligar para um número de São Paulo: 11 3957-0683
Banco de dados mundial - Numa pesquisa recém-publicada no periódico IEEE Transactions on Biomedical Engineering, Little descreveu a precisão dos algoritmos para diferenciar pacientes da doença de Parkinson de pessoas saudáveis.
Contudo, para que o algoritmo seja aperfeiçoado, o cientista precisa de mais amostras de fala. Por isso o matemático está convidando voluntários, pacientes ou não de Parkinson, para contribuir com uma gravação de três minutos, por telefone. O projeto conta com linhas em sete países. O Brasil está na lista com um número de São Paulo: 11 3957-0683.
Little e seus colegas querem construir um banco de dados com 10.000 amostras. Com isso, esperam ajudar significativamente no tratamento de pacientes da doença Parkinson, acelerando o diagnóstico, reduzindo as visitas ao consultório e melhorando as decisões para o tratamento.

http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/engenheiro-desenvolve-algoritmo-de-voz-que-detecta-o-parkinson