Tuesday, June 26, 2012

Depoimentos sobre o tratamento da depressão

Vivia num quarto, não tinha atividade nenhuma. Agora, minha disposição aumentou muito, os períodos de tristeza e depressão diminuíram significativamente.

Sofro de depressão há mais de doze anos. Cheguei a realizar, por duas vezes, o tratamento com ECT (Eletroconvulsoterapia) em outra clínica, passando por 16 a 18 sessões em cada período do tratamento, mas não obtive melhora e senti perda de memória.
Quando descobri o tratamento de EMTr, através da internet, tive muita esperança e expectativas de que poderia melhorar. Até hoje, já realizei vinte sessões do tratamento com EMTr. Melhorei em vários aspectos, desde higiene pessoal, disposição de fazer coisas que não fazia antes, diminuição de fobia social, minha vida voltou a ter sentido, hoje tenho vontade de viver! Não tenho nenhum efeito colateral e continuo utilizando anti-psicóticos e antidepressivos. Hoje, saio do quarto para deveres e atividades, coisa que não fazia há muito tempo. Iniciei o tratamento dentário, após 10 anos sem estes cuidados. Viajei para outra cidade e agora penso em viajar para o exterior, antes nada disso passava por minha cabeça. Passei de 3 a 4 anos sem nem mesmo sair de minha cidade.
Vivia num quarto, não tinha atividade nenhuma. Agora, minha disposição aumentou muito, os períodos de tristeza e depressão diminuíram significativamente, estou pensando em voltar a estudar informática, já que sou técnico de informática. E também a trabalhar.
Minha família percebeu a melhora através de minhas atitudes e pelas iniciativas que estou tendo durante o tratamento.
No IPAN, me sinto muito à vontade, os profissionais são muito simpáticos. Muito agradável.
Agradeço, especialmente, à Doutora Marina. A senhora tem sido muito importante na minha vida, nossas conversas diárias, seus conselhos, sua ajuda, meus medos que exponho a você.
Dra. Marina, se pudesse decifrar você, eu a definiria como um ANJO, que apareceu na minha vida, um ANJO que veio me tirar das trevas, da escuridão, do quarto fechado, da depressão, do marasmo etc.
A senhora está me devolvendo a vontade de viver, com a luz onde havia trevas, sem depressão, sem medo, um novo fôlego de vida, uma energia positiva, uma vontade de realizar coisas que pensava que não conseguiria mais, você me dá esperança de uma vida nova, com metas e desafios a serem vencidos, o caminho é árduo, mas com sua ajuda, tenho conseguido vitórias e o mais importante, voltei a sonhar, sonhar com um futuro e expectativas positivas que a muito tempo não achava que era possível.
Agradeço a Deus por você ter aparecido na minha vida e serei grato pelo resto da minha vida por ter conhecido a senhora.
Muito Obrigado, Dra. Marina.
Do seu amigo,
F. C., 35 anos, estudante, São Paulo-SP

Friday, June 15, 2012

Não quebre meu casulo, estou me transformando”

Mudar é repensar o próprio processo de pensar, podendo gerar desconforto, insegurança e apreensão.
Podemos dizer que mudanças significam o momento de questionamento de velhas crenças, pesos inúteis que carregamos ao longo de nossa existência como sentimentos que nos incomodam. É aconselhável adotarmos e exercitarmos inovações que antes achávamos inconcebíveis.

Em todo processo de transformação existirá revisões mesmo que profundas que nos levará a serem vividas, é o descarte das coisas que não fazem mais sentido em nossas vidas, porém não é possível apagar o passado, pois ele faz parte de nossa estória, mas sim aprendermos a administrar as lembranças negativas dentro de um processo de mudança de valores e procurarmos entender que fizemos o nosso melhor e não nos culparmos e culpar o outro, pois hoje quando nos permitimos crescer interiormente levando-nos ao amadurecimento agiríamos diferente.

Mudar poderá gerar a princípio dor que nem sempre é ruim, pois pode significar o sinal de mudanças de valores, falsas crenças, preconceitos etc.
Assim como a lagarta precisa se transformar em borboleta para levantar vôos, espalhando pólen e multiplicando as flores.

Por que não deixarmos que isso aconteça conosco?

Márcia Novelli Fuchs de Oliveira
Psicóloga CRP-06/ 12528-0

Consultório: Rua Costa Aguiar, 1549
Tel: 2914-6624 ou 2061-4726
E-mail: marcia.fuchs@hotmail.com

Aprendendo a conviver em família”

Atualmente educar os filhos tem se transformado numa tarefa nada fácil, pois exige entre muitas coisas um misto de amor e energia com grande dose de paciência. Porém erros pedagógicos por parte dos pais ocorrem e um dos principais fatores atualmente é a falta de equilíbrio entre o autoritarismo e liberdade total.

Achamos que acompanhar o tempo é deixarmos os nossos filhos fazerem o que bem entenderem confundindo libertinagem de ação e pensamento por liberdade de diálogo. O fato é que no geral está ocorrendo na humanidade um afrouxamento talvez por estado de acomodação e cansaço existencial, acarretando um desestruturamento dos lares e conseqüentemente o individualismo.

Educar consiste acima de tudo em darmos exemplos através de nossas atitudes e valores éticos e morais. Como queremos combater em nossos filhos o comportamento agressivo se no cenário de nossos lares é o que predomina.

Procuremos sempre sermos pais presentes, participativos e nunca esquecermos o diálogo sabendo ouvir para podermos entender. É fato que não nascemos com diploma de pais e da mesma maneira que iremos educá-los também iremos aprender o importante é estarmos atentos para não cometermos os mesmos erros.

O nosso reduto doméstico não deverá ser adornado apenas com as belezas exteriores, mas acima de tudo com o amor e o respeito uns pelos outros como imperativo na convivência familiar.

Márcia Novelli Fuchs de Oliveira
Psicóloga CRP- 06/12528-0
Consultório: Rua Costa Aguiar, 1549
Fone: 2914-6624/ 2061-4726
E-mail: marcia.fuchs@hotmail.com

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Tuesday, June 5, 2012

Técnica combate abstinência de dependentes de cocaína

Vejam a interessante reportagem exibida no dia 03/06/12 no Jornal Nacional da rede Globo.

Recentemente, o Conselho Federal de Medicina (CFM) aprovou o uso da Estimulação Magnética Transcraniana repetitiva (EMTr) para o uso na depressão e esquizofrenia. inúmeros estudos vêm sendo realizados em outras doenças. A pesquisa abaixo é sobre o uso da EMTr para a dependência de cocaína.

Técnica combate abstinência de dependentes de cocaína

Cientistas brasileiros deram um passo importantíssimo na luta contra a dependência química.

Pesquisadores brasileiros deram um passo importantíssimo na luta contra a dependência química. Eles desenvolveram uma técnica para curar os sintomas da abstinência em quem tenta largar o vício da cocaína. Nos testes, esse novo método teve resultados surpreendentes.
Veja informações sobre vagas na pesquisa que combate à abstinência
Uma touca na cabeça, 20 sessões de 12 minutos ao lado de uma máquina. Quando topou o tratamento experimental, o cabeleireiro usava 5 gramas de cocaína por dia, já tinha tomado remédios e passado por duas clínicas de reabilitação.

“Não conseguia ficar nem um dia sem. A vontade de usar era muito grande. Era equivalente a você estar com sede, muita sede, e querer tomar água”, disse o cabeleireiro.

Ele e outros 24 usuários da droga foram submetidos no instituto de psiquiatria da USP à estimulação magnética transcraniana. Uma técnica reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina para o tratamento da depressão.

A máquina gera um campo magnético. No cérebro do dependente de cocaína, ele ativa as áreas responsáveis pelo poder de decisão e pela sensação de saciedade, que ficam comprometidas quando o dependente sente falta da droga.

“O campo magnético faz com que o paciente volte a ter capacidade de decidir em relação ao uso dele, e escolher, e não usar”, afirmou Philip Ribeiro, pesquisador Instituto Psiquiatria USP.

O estudo, o primeiro do mundo de caráter científico a analisar os efeitos da estimulação magnética em dependentes de cocaína, foi bem recebido em congressos internacionais de psiquiatria. Em 80% dos pacientes, houve redução da fissura, o desejo de usar a droga, e também do consumo de cocaína.

Exames de urina comprovaram a mudança de comportamento. O cabeleireiro conseguiu se livrar do vício.

“Hoje em dia eu não tenho vontade nenhuma, não sinto a menor vontade de fazer uso da cocaína nem de nenhum tipo de droga”, revelou o cabeleireiro.

Os pesquisadores dizem que novos estudos são necessários e que é preciso aliar o tratamento a outras terapias para evitar recaídas.

Agora, eles querem repetir a experiência com usuários de crack. Mas fazem uma ressalva: apesar de promissor, o tratamento não consegue reverter um dos efeitos mais dramáticos das drogas.

“A droga precocemente leva a lesões no sistema nervoso, então a capacidade cognitiva, de raciocínio, não se recuperou. Melhora em tudo, menos nisso”, explicou Marco Antonio Marcolin, orientador da pesquisa.
O tratamento pode provocar dor de cabeça e tontura, e não é indicado para quem usa marcapasso ou é epilético.
Há vagas para dependentes que quiserem participar da segunda fase da pesquisa, no Instituto de Psiquiatria da USP. Você pode encontrar mais detalhes no site IPq.

Edição do dia 04/06/2012
04/06/2012 20h13 - Atualizado em 04/06/2012 20h53

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2012/06/tecnica-combate-abstinencia-de-dependentes-de-cocaina.html

Monday, June 4, 2012

DIGA “NÃO” AO BULLYING

Palavra inglesa bully cujo significado é valentão, brigão,em português é compreendida como ameaça, humilhação, tirania, opressão... Ao contrário do que se pensa, o bullying não ocorre apenas em escolas, mas também nos ambientes de trabalho, clubes, redes sociais (internet), celulares, enfim, onde houver discriminação, apelidos pejorativos, atitudes opressoras, assédios morais, perseguições com caráter intimidatório, podemos considerar que está ocorrendo o bullying.

O indivíduo passa a ter dificuldades de relacionamento social, fobias, tristeza, depressão e/ou atos violentos. ​No caso dos nossos filhos é fundamental ficarmos atentos aos seguintes comportamentos, pois na maior parte dos casos, eles não comentam por medo das ameaças sofridas pelos agressores:   • Baixo rendimento escolar; •
Solicitação para mudar de sala de aula ou até de instituição de ensino; •
Somatizações, como: enurese, diarréia, vômitos (principalmente quando se aproxima o horário de ir à escola); pesadelos; tristeza; isolamento; fobias; depressão.

No entanto, podemos evitar que ocorra o bullying através de um trabalho de conscientização entre sociedade, família e escola, porém não podemos obter bons resultados se não procurarmos combater a causa, sendo que uma delas encontra-se numa educação onde os filhos tiveram como modelo pais cujo exemplo deixado foi de agressão, falta de diálogo, omissão, desrespeito, opressão e até comparações descabíveis entre irmãos. Sem dizer os que sofreram violência em família ou presenciaram tais atos.. Educar consiste acima de tudo no respeito que devemos ter ao nosso semelhante independente da idade, sem dizer o respeito ao planeta que vivemos e os que nele habitam. Culpar os outros é uma atitude de querermos nos livrar de nossas responsabilidades e deveres, pois o processo de transformação inicia-se no nosso auto-conhecimento.

Na proporção que mudamos nossas atitudes por ações apaziguadoras e positivas perante uma sociedade onde, cada vez mais a violência faz-se presente e onde o conceito de vencedor ainda baseia-se no “poder” e não no “ser” estaremos fortemente cooperando uns com os outros, não só competindo. Amar-nos é a forma como tratamos a nós próprios e a relação que estabelecemos com o nosso mundo íntimo, a partir daí, é uma questão de nos colocarmos no lugar do outro para nos perguntarmos : É assim que gostaríamos de ser tratados?

Márcia Novelli Fuchs de Oliveira Psicóloga CRP -06 /12528
Consultório: rua Costa Aguiar, 1549  
 Fones: 2914-6624/2061-4726 (marcia.fuchs@hotmail.com)                            
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CFM reconhece a Estimulação Magnética Transcraniana como ato médico

Resolução do Conselho Federal de Medicina afirma que o uso da EMTr é exclusivo para médicos Nesta terça-feira (02/05), o Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou resolução que afirma que o uso da Estimulação Magnética Transcraniana repetitiva (EMTr) deve ser feito exclusivamente por médicos.

Embora a literatura médica, e o registro na ANVISA, já autorizassem o médico a fazer uso clínico do método desde 2008, a publicação da resolução do CFM é um marco importante no reconhecimento do papel das técnicas de neuromodulação no tratamento da depressão e esquizofrenia.

Com a definição da resolução, fica claro que a aplicação das sessões de EMTr devem ser realizadas somente por médicos, alertando a população para clínicas que não seguem essa diretriz e realizam as aplicações com profissionais da saúde, como psicólogos ou fisioterapeutas.

No IPAN, desde seu nascimento, somente os médicos psiquiatras, especializados na técnica com cursos no Brasil e exterior, aplicam as sessões de EMTr nos pacientes. Mais de cem clínicas em todo o mundo já oferecem, com eficácia comprovada, o tratamento de Estimulação Magnética Transcraniana, muitas delas, focadas na melhora dos quadros de depressão e esquizofrenia.

A plenária do CFM aprovou o uso da EMTr, exclusivo para médicos, nas seguintes situações: Depressão Unipolar;
Depressão Bipolar;
Esquizofrenia (nas alucinações auditivas).
Planejamento de neurocirurgia.

Confira abaixo a notícia publicada na folha UOL sobre este assunto,

Equipe IPAN


"O Conselho Federal de Medicina (CFM) reconheceu a técnica de Estimulação Magnética Transcraniana (EMT) superficial – aplicação de ondas eletromagnéticas no cérebro - como ato médico privativo [que só médico pode realizar]. A técnica passa a ser cientificamente válida para uso nacional, com indicação para depressões uni e bipolar, alucinações auditivas nas esquizofrenias e planejamento de neurocirurgia. De acordo com o vice-presidente do CFM, o psiquiatra Emmanuel Fortes, a EMT representa um avanço no tratamento desses distúrbios.

A EMT difere de métodos tradicionais, como o eletrochoque, principalmente por não apresentar efeitos colaterais sobre a memória. De acordo com resolução publicada nesta quarta-feira (2) no Diário Oficial da União, a prescrição deve ser antecedida de registros no prontuário do paciente e de entrevista contendo identificação, queixas dos principais sintomas, história da doença atual, história pessoal, história familiar, social e ocupacional, exame físico, exame mental, conclusões com diagnóstico e justificativa da prescrição.

A estimulação magnética teve aprovação do órgão governamental americano Food and Drug Administration (FDA) para o tratamento de depressões e para o planejamento de neurocirurgias em 7 de outubro de 2008. No Brasil, a pesquisa para o reconhecimento da técnica foi realizada pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

De acordo com a resolução do CFM, a Estimulação Magnética Transcraniana profunda [cujos pulsos eletromagnéticos ocorrem em alta corrente], por carecer ainda de definição dos limites de seu emprego e de critérios de segurança, deve continuar sendo um ato médico experimental. Para indicações além das mencionadas, a EMT superficial também deve continuar como procedimento experimental, por falta de dados que comprovem sua validade".


UOL- NOTÍCIAS- SAÚDE CÉREBRO-MENTE Christina Machado Da Agência Brasil, em Brasília http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2012/05/02/cfm-reconhece-a-estimulacao-magnetica-transcraniana-como-ato-medico

O estigma da Eletroconvulsoterapia -ECT

Dr. Moacyr Rosa é entrevistado pelo jornal paranaense "Folha de Londrina".

A entrevista é sobre o estigma da Eletroconvulsoterapia - ECT.

Confira abaixo a reportagem:

ECT só é aplicada em casos graves Aos 67 anos, Vânia (nome fictício) não consegue esquecer o terror que viveu quando era jovem. Com uma vida marcada por traumas de abuso sexual na infância que acarretaram uma depressão profunda, passou por diversos tratamentos incluindo várias internações. A passagem pelos hospitais psiquiátricos para ela foi tão negativa que somente consegue lembrar dos episódios com choque elétrico. Ele (médico) entrava no quarto bem cedinho, pois tínhamos de estar em jejum. Prendiam meus braços na cama, colocavam uma toalha na boca e um monte de fios na cabeça. Daí para frente era um pesadelo, conta. A experiência de Vânia, entretanto, não é isolada. Muitas pessoas passaram por procedimentos semelhantes em décadas anteriores.


Apesar de não ter sido banido da prática médica, atualmente, o eletrochoque é realizado de forma umanizada, como define o psiquiatra MOACYR ROSA, diretor do Instituto de Pesquisas Avançadas em Neuroestimulação (IPAN). Segundo ele, a técnica foi um tratamento excelente, mas utilizado de maneira indiscriminada. Foi aplicado de forma agressiva e não terapêutica, por isso o estigma que o acompanha até hoje, pontua. Em alguns casos, o médico utiliza a técnica chamada de eletroconvulsoterapia (ECT), que consiste em estimulação cerebral por corrente elétrica alternada.

 É basicamente o mesmo princípio do eletrochoque. A ECT, porém, é realizada de forma que o paciente fique totalmente tranquilo. Ele recebe anestesia e sua reação é acompanhada durante todo o procedimento, explica, acrescentando que não há qualquer tipo de corte ou incisão. O médico trabalha com a técnica desde 1991.

De acordo com Rosa, entre as vantagens do tratamento, estão não ser invasivo e obter resultado muito mais rápido. Uma pessoa em crise demora até quatro semanas para ter algum resultado com medicamentos. Com a ECT, em uma semana já se pode observar a melhora. Um dos efeitos colaterais, no entanto, é a perda de memória recente.

Juntamente com a evolução dos aparelhos, nosso desafio é manter a eficácia do tratamento sem qualquer prejuízo ao paciente. A ECT, conforme o especialis ta, só é aplicada com casos graves de pacientes que não respodem satisfatoriamente aos tratamentos farmacológicos. 90% dos pacientes têm uma melhora significativa com a técnica; saem da crise e conseguem voltar a ter uma vida normal.

Contudo, a falta de conhecimento, aliada ao preconceito, para Rosa, dificulta que doentes severos tenham a chance de um tratamento mais eficaz. Depressão é uma doença grave e até fatal, pois pode acabar em suicídio; não é somente uma tristeza. Tristeza é só um sintoma, avalia.

(M.T.) Fonte: FOLHA DE LONDRINA, domingo, 11 de março de 2012, Reportagem 9.

Qual o limite entre normal e doentio! Depressão e transtorno bipolar, quando é a hora de tratar?

Qual o limite entre normal e doentio!

Depressão e transtorno bipolar, quando é a hora de tratar? Tristeza não é depressão.

Um debate acirrado tem sido travado entre filósofos, sociógolos e os “psis” (psiquiatras, psicólogos, psicopedagogos, psicanalistas, psicoterapeutas etc) sobre os limites do que se pode considerar “normal” e que comportamento passa a ser considerado “anormal”, “diferente”, “exagerado”, “descontrolado” ou “doentio”.

Uma pressão subliminar com prováveis interesses financeiros tende a forçar uma expansão do que se deve considerar “doentio” para que seja “tratado” com remédios. A “pílula da felicidade” já rendeu e continua rendendo fortunas. Publicações científicas mal interpretadas questionam a eficácia destas medicações, pois não parecem superiores ao chamado “placebo” (comprimido sem o princípio ativo).

 No entanto, olhos mais sagazes percebem que as medicações são melhores que o placebo para depressões mais graves (que estariam no nível “doentio”) e mais parecidas com o placebo nas depressões leves (mais próximas do que chamaríamos tristeza “normal”). Ninguém sabe realmente o limiar entre normal e o doentio.

Provavelmente existem casos que são “limítrofes” e vão ficar sem uma resposta clara sobre o que é melhor fazer para eles. As classificações existem para facilitar o entendimento do que está acontecendo. Elas oferecem uma base de comparação com quadros semelhantes que ocorreram com outras pessoas e como elas evoluíram.

Ajudam a decidir sobre utilizar diferentes abordagens terapêuticas, desde nenhuma, até uma psicoterapia (tratamento através do diálogo), chegando por vezes às medicações ou outras intervenções mais invasivas. O importante é ter claro que as classificações são sempre arbitrárias e tendem à generalização. Os casos individuais vão ser sempre únicos e irrepetíveis.

Tomemos, por exemplo, o transtorno bipolar. Há uma tendência atual a chamar todas as pessoas que têm variações no humor de bipolares. Há uns 40 anos atrás, poucos dos bipolares atuais se encaixariam no que se chamava então “psicose maníaco-depressiva”. Era necessário que houvesse variações mais intensas entre depressão e mania (exaltação exagerada e descontrolada). Existe a tristeza. Não é o mesmo que o transtorno que chamamos de depressão. Tristeza é normal. Todos têm. Quem nunca fica triste, provavelmente tem algum problema sério. Reagir à tristeza é parte da vida e nos faz amadurecer.

Por outro lado, tristeza é um dos sintomas da depressão. Mas existem outros, como perda do apetite, perda da iniciativa, perda do interesse sexual, incapacidade para trabalhar, desejo de morrer, etc. Para que seja depressão é necessário que haja mais do que somente a tristeza e esta tem que ser prolongada o suficiente para que se conclua que a pessoa não consegue reagir sozinha. Como disse antes, muitas vezes é difícil saber o ponto de inflexão. Para isso servem os profissionais de saúde, neste caso os psicólogos e os psiquiatras. Os primeiros são mais especializados em abordar as questões através do diálogo e os segundos são médicos que utilizam além do diálogo, outros tratamentos como as medicações.

 Importante ter claro que depressão não é falta de caráter, nem falta de religiosidade. É uma doença que pode atingir qualquer um. Ela não respeita idade, nem sexo, nem religião, nem nada. Ninguém está livre, apesar de alguns terem uma tendência familiar mais intensa. Existe a alegria. Também é parte integrante de uma vida normal. Quem nunca fica alegre tem algo de errado.

 A vida consiste em fases mais alegres e fases mais tristes, intercaladas por períodos sem muita polarização. Fazendo um paralelo com o que foi dito sobre a depressão, existe uma alegria exagerada e descontrolada a que chamamos de hipomania e que pode chegar a um descontrole intenso, com perda da noção da realizade a que chamamos de “mania”. Pessoas que têm episódios de depressão intercalados com episódios de hipomania e mania são classificados como tendo o transtorno bipolar do humor. Medicações específicas para este transtorno exitem, como o lítio, por exemplo, e têm comprovada eficácia no tratamento e na prevenção destes episódios. O consultório de um(a) psicólogo(a) pode ajudar a enfrentar tristezas mais intensas que ainda não passaram a ser uma depressão, mas já saíram do ponto em que se resolve sozinho.

 Quando se conclui que o entendimento da situação e da causa não é suficiente para que a tristeza desapareça; quando esta passa a ser acompanhada de outros sintomas; ou quando se prolonga por muito tempo, um psiquiatra pode ajudar a avaliar a necessidade de se combinar um remédio. Quadros bipolares são, quase sempre, de responsabilidade dos psiquiatras e os psicólogos podem auxiliar os pacientes que sofrem deste transtorno a entenderem melhor o que acontece com eles e a lidar melhor com isso.



Dr. Moacyr Alexandro Rosa Diretor do IPAN
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Estimulação em casa já é possível

A Estimulação Elétrica Superficial também conhecida como Estimulação Elétrica Transcraniana ou EET (do original, CES: Cranial Electrotherapy Stimulation, chamada de Transcranial Electrostimulation - TES) é uma técnica que utiliza microcorrentes de estimulação elétrica (1-4mA) aplicadas no crânio e que induzem a produção de serotonina, GABA, endorfina e outros neurotransmissores responsáveis pela regulação do humor, sono e dor. Esta técnica está também relacionada com a diminuição de cortisol, um dos hormônios vinculados ao estresse.



Trata-se de um aparelho portátil, operado por baterias, que o paciente pode usar em casa enquanto lê, escreve, estuda, assiste TV, ouve música, usa computador, fala no celular, lava louça, ou simplesmente relaxa. O aparelho é do laboratório americano Fisher Wallace está aprovado pelo FDA.

 É um método com eficácia comprovada, quase sem efeitos colaterais e muito simples de ser aplicado. Hoje, a EET vem sendo utilizada com sucesso para o tratamento da depressão, ansiedade, insônia, dor crônica, fibromialgia, dor pós-cirúrgica e dor pós-traumática aguda.

Pode ser realizada também para quadros refratários e em casos em que existe uma intolerância aos efeitos colaterais das medicações.  


A EET talvez seja a forma mais antiga de estimulação cerebral não invasiva. Teve início na antiga União Soviética para o tratamento da dor. Vem sendo amplamente utilizada desde 1950 na Europa e 1960 nos EUA. Tem a aprovação do FDA (Food and Drug Administration) para o tratamento de depressão, ansiedade, insônia e dor desde 1978.

Esperança na Esquizofrenia, Vozes de Comando e uso da EMTr

Recentemente, o CFM (Conselho Federal de Medicina), aprovou o uso da Estimulação Magnética Transcraniana repetitiva (EMTr) para depressão e esquizofrenia.

Abaixo, descrevemos um caso que obteve sucesso com o uso da EMTr para esquizofrenia.  

Pedro* tem 27 anos e convive com o diagnóstico de esquizofrenia paranóide (DSM-IV), apresentando delírios de referência, quadro impulsivo-agressivo e vozes de comando, aquelas que dizem ao paciente que deve executar ações consideradas improváveis em nosso “mundo real”, como sair andando sem destino ou colocar-se a si em risco de vida ou graves acidentes.
O livro “Os demônios de Henry”, escrito por personagens reais, ilustra bem como essas vozes podem se comportar. Henry, filho de Patrick, é esquizofrênico e escuta vozes de comando que colocam sua vida em risco diversas vezes, além de trazer transtornos com a polícia. Henry acreditava que deveria ficar nu em locais públicos e chegou a se colocar em um parapeito de viaduto, além de nadar sem roupas na água congelante de um rio dos Estados Unidos.  
Os diversos tratamentos de Pedro, nosso paciente, nunca se mostraram totalmente eficazes, ele mostrou-se refratário a vários antipsicóticos típicos e não obteve melhora com risperidona, olanzapina, quetiapina e ziprasidona, medicamentos normalmente utilizados para a esquizofrenia. Após 18 meses do uso de clozapina, 600 mg ao dia, Pedro apresentou uma melhora parcial, mas não era suficiente para que ele e sua família pudessem ter uma vida mais tranquila.  
Apesar da melhora do quadro delirante, ele continuava com alucinações auditivas de comando e quadro impulsivo-agressivo. Foi então indicada a eletroconvulsoterapia (ECT) em associação à clozapina, essa associação trouxe uma melhora da agressividade. Foram aplicadas 20 sessões de ECT em uma série, seguido do tratamento de manutenção (semanal, por seis semanas). Mas, mesmo assim, as alucinações auditivas de comando persistiam.  
Considerando que a resposta ao tratamento foi apenas parcial, a ECT foi suspensa. Pedro apresentou piora dos sintomas (intensificação das alucinações auditivas e da agressividade) logo após a parada do tratamento com ECT. Em três semanas foi tentado EMTr**.
A clozapina foi mantida diariamente e seguindo a mesma dose. Foram realizadas 10 sessões sequenciais de EMTr, com 16 minutos de duração, ao longo de duas semanas e intervalos aos finais de semana.  Ao final do tratamento, Pedro remitiu completamente de seus sintomas, ele não ouvia mais vozes, apresentava-se calmo e sem agressividade.
O quadro permaneceu estável por cinco semanas. Um alívio para Pedro e seus familiares, um período de esperança e renovação de forças.    
A EMTr mostrou ser um tratamento eficaz para casos de alucinações auditivas, seguro e sem efeitos colaterais. O uso da técnica, junto à clozapina, pareceu ser benéfico e um possível efeito de sinergismo pode ter ocorrido. O Pedro é apenas um, de muitos outros casos, que podem se beneficiar com a EMTr combinada ou não com medicamentos.  

*Pedro é nome fictício de um paciente real do IPAN, atendido pela Dra. Marina O. Rosa.

**A EMTr de baixa freqüência (1 Hz) aplicada no córtex têmporo-parietal esquerdo tem sido usada com sucesso para aliviar alucinações auditivas. O objetivo é modular a área de Wernicke, região auditiva que parece estar hiperativa durante o comportamento alucinatório. Todos direitos reservados