Sunday, August 29, 2010

Como enfrentar a depressão pós parto

Como enfrentar a depressão pós parto

O momento mais esperado da vida de uma mulher pode ser prejudicado imensamente pela depressão pós parto, doença que assusta futuras mamães. A doença atinge de 15% a 20% das mulheres, um número bastante alto. Mamães que choram demasiadamente, resistem a cuidar do bebê, sofrem com tristeza e desespero podem estar com depressão pós parto. É importante identificar os sintomas e procurar ajuda o mais rápido possível, pelo bem da mãe e do bebê. Neste momento o apoio do pai da criança e familiares é fundamental.

O jornal Correio Braziliense fez uma matéria emocionante com o depoimento de três mães que passaram por este pesadelo. Cada um conta a sua história e todas têm algo em comum: melhoraram depois de procurar ajuda médica. Hoje elas vivem em harmonia com a maternidade depois de superarem momentos desesperadores.

Abraços,
Dra Marina


Correio Braziliense

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2010/08/24/noticia_revista_do_correio,i=209586/VI+VIVI+VENCI.shtml

Vi, vivi, venci
Depoimentos de mães que sofreram com a depressão pós-parto, venceram a doença e hoje curtem a infância dos filhos


Publicação: 24/08/2010 17:40 Atualização: 28/08/2010 17:22
Dou mais valor à vida, à minha filha, aos meus pais
“Sempre quis casar e ter filhos. Era o meu sonho. Eu e meu marido, Sérgio, com quem estava há nove anos, planejamos a gravidez num momento ótimo. O casamento ia bem e a vida financeira, estabilizada. A minha gravidez foi maravilhosa. Costumo dizer que grávida eu ficaria um milhão de vezes. Engordei só 7kg, não tive nenhum problema, trabalhei durante os nove meses, dirigi, foi a época em que eu mais me amei. A Giovana nasceu no tempo certinho, com 39 semanas de gestação, e até a obstetra ficou impressionada com a tranquilidade do meu parto.

No último dia de maternidade, comecei a chorar, e chorava muito. Cheguei a falar com a minha médica que não estava bem, mas ela me disse que era normal, que ia passar. Só que não passou. Em casa, fui piorando, sentindo uma angústia terrível, uma dor no corpo que não melhorava. Mesmo que a Gi estivesse dormindo eu não conseguia dormir, e perdi o apetite completamente. Tomava só suco. No auge da minha depressão, cheguei a pesar 56kg, medindo 1,71m. Era a tristeza mais profunda que eu já senti. E vazia, porque você não encontra explicação para essa tristeza. Só quem teve depressão sabe como é essa tristeza.

Eu rezava para a Giovana dormir, que era quando eu me livrara dela, quando tinha paz. E era um conflito terrível, porque batia a culpa. Eu pensava: ‘Eu não quero mais ela’. Dizia para o meu marido que era um saco trocar fralda e amamentar. Eu só amamentava porque sentia que era a única coisa boa que eu poderia dar para a minha filha, mas não fazia de coração, fazia para me redimir um pouco da culpa. Por um tempo, me arrependi de ter sido mãe. Pensava: ‘Meu Deus, por que eu fui fazer isso? Por que eu fui ser mãe?’. Cheguei num estágio de pular banhos, ficar dias com a mesma roupa e só fui perceber isso há pouco tempo, olhando as fotos.

No fundo, achava que era normal. Comentava com as minhas amigas: ‘Nossa, esse começo é tão difícil, né?’, e elas: ‘Não, Ju, é normal’. Eu nem pegava minha filha no colo. Deixava ela no berço o dia todo. Não saía para passear com ela, não cantava, não conversava. As visitas iam lá em casa, ouviam ela chorando e diziam: ‘Ju, pega ela no colo, faz um nana, ela só tem dois meses’ e eu dizia: ‘Ah não, ela está bem, daqui a pouco para’. Achava ela sem graça.

Eu não via mais prazer em nada. Perdi muito cabelo. Cheguei a ter vontade de me matar, acabar de vez com aquilo. Não queria mais ser infeliz. Nesse estado, você não acredita em cura. Não procura ajuda porque acha que não vai adiantar, que você nunca mais vai ser o que era antes. E o perigo da depressão é que você pensa que a controla, que quando você quiser, para de sentir aquelas coisas. É muito duro quando você percebe que não tem controle.

Eu demorei quatro meses para buscar ajuda. Fui empurrando com a barriga. Foi minha mãe, que não aguentava mais me ver daquele jeito, quem marcou uma consulta. Como a minha depressão era grave, tive que tomar três medicamentos fortes. Com isso, precisei desmamar a Giovana. Por causa da doença, fiquei mais de um ano afastada do trabalho. Um ano e cinco meses depois, consigo dizer que estou 100% curada, mas só porque levei o tratamento a sério. Já parei com dois remédio e hoje estou só com um, em doses menores, tirando aos poucos.

A minha relação com a Giovana agora é maravilhosa, divina. Ela é minha alegria, o amor da minha vida. Hoje, eu digo que ela entendeu, ela sabia que eu estava doente. Toda vez que eu a pegava no colo chorando para amamentar, ela sorria para mim, ela sabia o que eu estava sentindo, tenho certeza, parecia que falava comigo. Tudo o que não fiz com ela, hoje eu faço diferente. A gente passeia no parque, vai ao cinema, no parquinho. Eu sou grudada nela.

Só lamento que eu tenha perdido aquela fase dela bebezinha, de você ficar olhando no bercinho, cantar uma musiquinha. Quando eu comecei a me relacionar mais com a Gi, ela já nem queria mais colo. Graças a Deus passou. A velha Julien está de volta e muito melhor! Dou mais valor à vida, à minha filha, aos meus pais. A depressão é uma doença e tem cura. Mas você precisa reunir forças e buscar ajuda em vez de perder tempo sofrendo.”
Julien Katko, 31 anos, é mãe de Giovana, de 1 anos e 10 meses.


Cada janela que eu fechava quando ia amamentar, estava protegendo meu filho de mim mesma

“Sempre fui workaholic e perfeccionista com o meu trabalho. Tanto que, em 2006, cheguei num nível de estresse tão forte que meu médico me deu um ultimato: ou parava de trabalhar ou ele não me atenderia mais. Foi então que decidi largar tudo e passar uma temporada em Londres, descansando. Lá, acabei conhecendo o Cláudio, meu marido. Estava tudo bem, planejamos toda a gravidez. Um mês antes de o Vicente nascer, voltamos para o Brasil. Foi um baque. Saí daqui solteira e voltei casada e grávida. Quando ele nasceu, comecei a me sentir estranha e sabia que tinha alguma coisa errada. Fiquei meio louca em relação ao bebê.

Em alguns momentos, tinha medo do Vicente. Eu fechava as janelas para não ouvir o choro dele, porque o choro me fazia ter vontade de me livrar dele. Quando ia amamentar, trancava tudo com medo de, num impulso, jogá-lo pela janela. Cheguei até a ter vontade de fugir de casa. Mas cheguei no portão e pensei ‘mas para onde eu vou?’ e desisti. Hoje, se você para para pensar, chega a ser engraçado, mas eram sentimentos muito intensos. Eu não queria estar ali naquele papel. Se o neném chorava muito, começava a gritar com ele. Minha mãe precisava me deixar sozinha com um copo de água com açúcar.

No fundo, acho que esse medo era de não conseguir cuidar. Lembro que uma vez, ainda na gravidez, conversando com uma professora minha, disse que eu tinha medo de não conseguir dar conta de criar uma criança. Ela disse: ‘Michelle, todas as mães sabem. Quando chegar a hora, você vai saber o que fazer’. A gente até sabe o que fazer, mas a minha ideia de bebê era outra, era aquele bebezinho cheirosinho, deitadinho no berço, com quarto decoradinho. Mas não é isso, e o Vicente sempre chorou muito. Também não posso dizer que não amava meu filho. Amava, mas em alguns momentos, rejeitava também. Era um conflito para mim e eu não conseguia falar com ninguém sobre isso, sofria calada.

Eu caí em mim, de que algo estava estranho, quando, um dia, segurando o Vicente no colo, ele se espreguiçou, dormindo. Eu levei um susto, até afastei ele de mim. Achei que ele iria me atacar. Até comentei com meu marido: 'Você viu isso?’. E ele: ‘Sim, vi. Ele se espreguiçou’. Nessa hora vi que não era normal, porque eu sabia que a depressão pós-parto existia, mas nunca achei que fosse acontecer comigo, por isso também demorei a me tratar. Foi o Sérgio quem pediu para que eu procurasse ajuda. Nossa relação mudou muito depois do nascimento do Vicente, eu brigava muito com ele e um dia ele me disse: ‘Michelle, você precisa fazer alguma coisa porque eu não estou mais conseguindo continuar’. E ele foi fundamental durante todo o tratamento, que durou seis meses, com medicamentos e psicoterapia.

Os resultados vieram logo. Só pelo fato de eu poder desabafar com alguém, dizer o que estava sentindo e saber que estava doente e que aqueles sentimentos horríveis não eram culpa minha, eram químicos e não de verdade, já foi um alívio. Porque aí eu me isentei da culpa, consegui separar as coisas. Começou aos poucos. Quando ele chorava, já não mais entrava em crise. O tratamento me deu um fôlego. Comecei a controlar os sentimentos ruins porque sabia que um dia aquilo tudo acabaria.

Eu costumo dizer que a minha maternidade começou quando o Vicente tinha seis meses. Hoje, eu olho para trás e quase não acredito que senti tudo isso pelo meu filho. Mas acabou. Acho que, apesar de tudo, fui uma boa mãe. Cada janela que eu fechava quando ia amamentar, estava protegendo meu filho de mim mesma. E hoje eu até gosto de falar no assunto. Acho importante e me faz bem. Agora, minha relação com o Vicente é superlegal e eu até tenho desejo de ter outro filho. Claro que tenho medo de passar por tudo de novo, mas, se passar, não vou demorar tanto para procurar ajuda. Se tivesse que passar por tudo para ser mãe de novo, eu passaria”.
Michelle Gomes, 33 anos, é mãe de Vicente, 1.

Senti minha liberdade podada

“Eu já namorava há dois anos o Igor quando engravidei. Mas engravidei logo na minha primeira vez. Pensava: ‘Ah, essa coisa de engravidar na primeira vez não deve ser verdade’. Quando soube, morri de medo de contar para os meus pais. Eles são muito conservadores. Meu pai reagiu supermal. Ficou um mês sem falar comigo, dizia: ‘Como pude fazer isso com ele’, foi muito estressante. Por outro lado, disse que me daria todo o apoio médico e que eu poderia ficar aqui em casa quando o Enzo nascesse. Demorou para ele curtir, pegar na barriga e tudo o mais.

Durante a gravidez fui totalmente feliz, fui eu mesma. Saía à noite, ia para shows, via minhas amigas. Fiz tudo o que sempre fiz. Acho que só percebi que era mãe na maternidade. Na última noite, não consegui pregar os olhos. Ficava ouvindo os pacientes da UTI gritarem de dor. Aí percebi que, se não fosse o Enzo, eu simplesmente poderia ir embora daquele lugar horrível, mas que agora a minha vontade dependia dele também. Senti minha liberdade podada. Minha ficha caiu e vi que a partir dali, não tinha mais volta.

Em casa, chorava muito. Chorava ele e chorava eu. Às vezes, me trancava no banheiro e chorava até não aguentar mais, sem nenhum motivo. Liguei para a minha médica e ela desconfiou de depressão, mas como estava amamentando, receitou um remédio natural, mais fraco. Não fez diferença nenhuma. Eu continuava com as minhas crises de choro. Era incontrolável. Me olhava no espelho e me sentia feia, achava que meu corpo nunca mais voltaria ao normal. Além disso, queria minha vida de volta, sair com as amigas, ir para os shows.

Nunca cheguei a ter vontade de machucar o Enzo, mas achava ele a criança mais feia do mundo. Quando olhei para ele na maternidade, pensei: ‘Meu Deus, que menino feio’. Chegava a ter vergonha das visitas. Não ficava muito tempo com ele, deixava mais para minha mãe. Pensava que essa gravidez não deveria ter acontecido comigo. Rezava muito e questionava: 'Tanta mãe querendo ter filho e por que Deus foi dar justamente para mim?”. À noite, sempre piorava, quando todo mundo ia dormir e eu ficava acordada, sozinha, tendo que cuidar dele. Às vezes, levantava 20, 25 vezes durante a noite. Era insuportável. Ao mesmo tempo, me sentia culpada, achava que o Enzo merecia uma mãe melhor do que eu. Até hoje me culpo um pouco.

Quando procurei a minha psicóloga, ela recomendou que eu chorasse tudo o que tinha para chorar. Associei a psicoterapia com o medicamento, mas a melhora não veio assim tão rápido. Só há pouco tempo parei de chorar com tanta frequência. Hoje, estou ótima. Minha vida é meu filho. Antes, não queria ele por perto e agora não me vejo mais sem o Enzo. Chego a ter agonia de ficar muito tempo longe. Não quero engravidar mais de jeito nenhum, mas não vivo mais sem o meu filho”.
Greyce Kelly Moares, 23 anos, é mãe de Enzo, de 1 ano e 2 meses.

IPAN - Instituto de Pesquisas Avançadas em Neuroestimulação
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Thursday, August 5, 2010

Estimulação magnética transcraniana e dependência química - IPAN


Estimulação magnética transcraniana e dependência química - IPAN

Estimulação magnética transcraniana e dependência química

O vício em drogas é um pesadelo para muitas famílias brasileiras, o comportamento de um viciado prejudica todo o convívio familiar e muitas vezes os parentes se sentem perdidos e não sabem o que fazer. É realmente um drama, um pesadelo.

Por isso que pesquisas e novidades para o tratamento da dependência química devem ser comemorados. Recentemente o jornal Folha de S. Paulo fez uma reportagem sobre o uso de Estimulação Magnética para conter a necessidade das pessoas dependentes de cocaína e reorganizar o funcionamento cerebral. Compartilho com vocês abaixo o artigo!

Abraços
Dra Marina

Folha de S. Paulo
http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/765178-usp-testa-estimulo-cerebral-em-viciados-em-drogas.shtml


USP testa estímulo cerebral em viciados em drogas

FERNANDA BASSETTE
DE SÃO PAULO

Pesquisadores do Instituto de Psiquiatria da USP (Universidade de São Paulo) estão testando o uso da estimulação magnética do cérebro para conter a fissura de pessoas dependentes de cocaína em pó e reorganizar o funcionamento cerebral.

A técnica, chamada estimulação magnética transcraniana, é usada aqui desde 2006 no tratamento de depressão. Segundo os médicos, não é invasiva e quase sem efeitos colaterais.

Essa é a primeira vez que pesquisadores brasileiros resolvem investigar se os benefícios do método podem ser estendidos para dependentes crônicos da droga.

Um grupo de Israel, por exemplo, estudou os efeitos da estimulação contra a fissura provocada pelo tabaco. Os resultados mostram uma queda no desejo pela droga nos primeiros três meses.

Segundo o último levantamento da Senad (Secretaria Nacional de Políticas Antidrogas), 2,9% da população brasileira já usou cocaína ao menos uma vez na vida. E 7,7% dos universitários experimentaram a droga ao menos uma vez.

O psiquiatra Phillip Leite Ribeiro, responsável pelo teste na USP, explica que a ação da cocaína desorganiza os circuitos cerebrais, alterando o funcionamento das redes de neurônios. A consequência é uma pessoa dependente da cocaína, com dificuldade de raciocínio e de decisão, diz Ribeiro.

COMO FUNCIONA

A estimulação magnética transcraniana é aplicada em consultório, sem anestesia. O paciente usa uma touca de natação e o médico aproxima o aparelho na região do cérebro a ser tratada. As ondas penetram cerca de 2 cm.

No caso da cocaína, o local exato da aplicação não foi divulgado por se tratar de algo ainda em estudo. As sessões são feitas durante 20 dias e duram 15 minutos. Custam, em média, R$ 400 cada uma.

Após um mês, o paciente faz tratamento para prevenir recaídas. Por enquanto, os resultados preliminares mostram que há, de fato, uma diminuição na fissura.

E, ao contrário do que parece, a estimulação magnética não provoca choques. É bem diferente da eletroconvulsoterapia -método em que o cérebro recebe uma descarga elétrica generalizada, entrando em convulsão.

A estimulação transcraniana gera um campo magnético com uma pequena corrente elétrica. A ação é local, afirma Ribeiro.


POUCO USADA

Segundo Paulo Silva Belmonte de Abreu, chefe do serviço de psiquiatria do HC de Porto Alegre e presidente da Associação Brasileira de Estimulação Magnética Transcraniana, embora seja reconhecida, a técnica não é muito usada no país.

Ela tem efeitos positivos na depressão, em psicoses que provocam alterações auditivas [como esquizofrenia], no tratamento da dor fantasma. Mesmo assim, poucos centros a usam, ainda tem muito preconceito, avalia.

Para Abreu, é importante que o método seja testado para tratar outros problemas. É uma ferramenta não invasiva que não lesa o cérebro. Quando não atinge os efeitos desejados, ela não faz mal.

Segundo Abreu, a única contraindicação é para pessoas com histórico de convulsão a aplicação pode desencadear uma crise. Os principais efeitos colaterais são leve dor local e desconforto durante a aplicação.

O psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira, diretor do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes da Unifesp, é mais cauteloso.

É uma técnica que está sendo estudada para vários tipos de transtornos, mas não é totalmente eficaz. O que se sabe é que ela modifica circuitos neuronais, mas ainda não é possível dizer que resolve o problema, diz.


Editoria de Arte



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