Monday, December 5, 2016

Princípios e Práticas do uso da Neuromodulação Não Invasiva em Psiquiatria

Mecanismo de Ação da Estimulação Magnética

Mecanismo de Ação da Estimulação Magnética

Princípios e Práticas do uso da Neuromodulação Não Invasiva em Psiquiatria. Mecanismo de Ação da Estimulação Magnética Transcraniana.

Dr. Moacyr e Dra. Marina são autores do capítulo sobre o mecanismo de ação da estimulação magnética do mais recente livro sobre neuromodulação.

Nos últimos anos, o uso da neuromodulação não invasiva em psiquiatria apresentou um aumento exponencial, passando esta técnica de tratamento alternativo ou complementar a modalidade de destaque na área. Este livro reflete os avanços na área e a aplicação da técnica no Brasil. Autor: Andre Russowsky Brunoni

Conheça o livro: Editora Artmed!

Saiba mais sobre estimulação magnética!

Tuesday, November 8, 2016

Depressão e ansiedade levam ao fumo, sedentarismo e má alimentação


Números só crescem e a ansiedade está cada vez mais presente.

 Do G1, 08/11/16, em São Paulo
 
A depressão é a doença que mais tira anos saudáveis do brasileiro. E quando falta tranquilidade, sobra ansiedade. Tem ainda a crise econômica, responsável pelo aumento de até 30% no número de infartos nos prontos-socorros. No Bem Estar desta terça-feira (08), o cardiologista Doutor Roberto Kalil explica esta relação.


Saiba mais sobre tratamento de Depressão!

 
O psiquiatra Daniel Barros fala sobre um novo remédio para a depressão, aplicado na veia, que não demora para fazer efeito como os antidepressivos normais.
 
Ciclo vicioso
É impressionante ver como os brasileiros estão sofrendo cada vez mais com a ansiedade, um transtorno que afeta nosso coração, a começar pelos hábitos.
Para cada fardo, mais fatores de risco estão relacionados às doenças cardiovasculares: pessoas com depressão e ansiedade tendem a ter hábitos piores, como o tabagismo, a má alimentação e o sedentarismo.
Os números da depressão
O Brasil possui uma estimativa de 4,5 milhões de pessoas diagnosticadas com algum tipo de câncer, mas os diagnósticos de transtornos mentais, como a ansiedade e a depressão, entre outros, já somam 10 milhões de casos. O problema afeta a vida de muita gente e de quem está ao redor também.
Infartos
Já o número de infartos no Hospital do Coração, em SP, subiu 30% em um ano. Segundo o coordenador médico do pronto socorro, Dr. Edgard Ferreira, o público mais atingido é o dos homens, na faixa dos 40 a 60 anos. Na maioria dos casos foram relatados casos de estresse por perda do emprego ou insegurança no trabalho.
Vejam a reportagem completa exibida no programa Bem Estar do G1!

Anestésico pode ser nova arma contra a depressão

A cetamina é usado como anestésico há mais de 50 anos e foram notados efeitos anti-depressivos. A cetamina só é receitada para pacientes que estejam em picos de crise depressiva ou não respondam bem aos tratamentos convencionais.

Vejam a reportagem completa no programa Bem Estar – G1

Saiba mais sobre Tratamento de Depressão!

Friday, November 4, 2016

Depressão, Estimulação Magnética Profunda e ECT




Depressão, Estimulação Magnética Profunda e ECT

Dr. Moacyr é palestrante no Simpósio Dor, Depressão e Reabilitação. O tema da palestra é Neuromodulação em Transtornos Psiquiátricos – Depressão, Estimulação Magnética Profunda e Eletroconvulsoterapia.

05 de Novembro de 2016, Grand Mercure, Brasília.
A depressão atinge mais de 350 milhões de pessoas no mundo, o que corresponde a 5% da população global, segundo a Organização Mundial de Saúde  (OMS). No Brasil, 10% da população sofre com o problema.

Saiba mais sobre o tratamento de Depressão!
Saiba mais sobre Estimulação Magnética Profunda!
Saiba mais sobre ECT!

Cartaz_A4_Programacao_Simposio_DDR-01As medicações, principalmente combinadas à psicoterapia, constituem o tratamento mais utilizado na atualidade para depressão. Para casos que não melhoram com as medicações, ou para aqueles que apresentam intolerância aos efeitos colaterais dos remédios, pode-se tentar a Neuroestimulação tais como a Estimulação Magnética Profunda e a Eletroconvulsoterapia (ECT).
Estimulação Magnética Profunda é uma técnica que surgiu a partir da Estimulação Magnética Transcraniana repetitiva (EMTr), tratamento já consagrado para a depressão. No caso, o tratamento com EMTr gera ondas magnéticas, semelhantes aos utilizados nos aparelhos de ressonância magnética.
No tratamento com a Estimulação Magnética Profunda a principal mudança está na bobina em forma de capacete, que atinge regiões cerebrais mais profundas, com o objetivo de aumentar sua eficácia.

A ECT é um tratamento extremamente eficaz e seguro, indicado para alguns tipos de depressão, que promove disparos rítmicos cerebrais autolimitados. Com isso, ocorre um equilíbrio nos neurotransmissores como a serotonina, dopamina, noradrenalina e glutamato, responsáveis por propagar os impulsos nervosos do cérebro e manter o bem-estar.

Tuesday, November 1, 2016

“Magnetismo curou minha depressão”

“Devo à Estimulação Magnética Transcraniana mais do que eu jamais poderia pagar.”

“Em menos de 6 meses de tratamento com EMT, eu pude me recompor após sofrer de depressão, ansiedade e tristeza por mais de 20 anos. A EMT estimula meu cérebro da melhor maneira possível – eu me sinto uma mulher mais confiante, mais forte, com melhora da autoestima”, diz Pagano.
“Magnetismo curou minha depressão”


No mês de agosto, Michele Pagano sorriu pela primeira vez depois de muitos meses sem sorrir.

“Eu estava assistindo um filme, e cai na gargalhada”, diz ela.
Esta simples gargalhada foi um grande acontecimento para Pagano, de 35 anos, que trabalha como gerente e mora em Greenwich, Conn., EUA. Ela já não se lembrava quando tinha sido a última vez que se sentira feliz.

“Eu fiquei tão emocionada em voltar a sorrir”, diz Pagano, que sofre de depressão há 20 anos. Para ela, era um sinal de que a estimulação magnética transcraniana, ou EMT – um tratamento psiquiátrico pouco conhecido – estava funcionando, após inúmeras tentativas com outros tratamentos.

A EMT foi aprovado pela FDA (Food and Drug Administration) em 2008 e, desde então, vem ganhando popularidade. ”Ela estimula a região do cérebro que controla a alegria. Quando está inativa, pode causar a depressão,” diz Dr. Tarique Perera, que trabalha com EMT em sua clínica em Greenwich, segundo The Post.

“Apenas 30% dos pacientes melhoram na primeira tentativa de tratamento com antidepressivo, e cerca de 50 a 60% dos pacientes não melhoram”, diz Perera. “A EMT pode chegar a cerca de 50% de melhora nos casos onde a medicação falhou. Já nos casos onde a EMT é associada aos medicamentos, a melhora pode chegar a 75%.”

A bobina da EMT é posicionada na cabeça do paciente, quando acionada ela dispara ondas magnéticas que, por sua vez, estimulam diretamente o cérebro, durante meia hora. Alguns pacientes sentem um leve desconforto local e dor de cabeça temporária, logo após o tratamento.

magnets2a“Eu descrevo a EMT como uma espécie de pica-pau tentando entrar em uma casa de vinil”, explica Pagano. “Pode ser um pouco dolorido, mas eu tenho enxaqueca e não tive dor de cabeça”.

O tratamento normalmente dura de quatro a seis semanas, sendo cinco sessões por semana, mas Pagano recebeu tratamento por quatro meses e ainda vê melhorias. Ela irá continuar a fazer EMT pelo tempo que for necessário. Muitos pacientes fazem o tratamento de manutenção de tempos em tempos, principalmente durante os seis meses subsequentes ao tratamento, diz Perera.

Nos EUA, os seguros de saúde podem cobrir o tratamento se você já tomou medicação, mas não melhorou. Na clínicas particulares, cada sessão custa em media US $ 400.

No seu longo histórico de depressão, Pagano tentou uma infinidade de tratamentos, sem obter sucesso. Segundo ela, a EMT estimulou seu cérebro que esteve dormente durante anos. “A EMT estimula meu cérebro da melhor maneira possível – eu me sinto uma mulher mais confiante, mais forte, com melhora da autoestima”, diz ela. “Eu tenho meus dias bons e meus dias ruins assim como uma pessoa” normal “teria, mas estou muito feliz em dizer que há definitivamente mais dias bons do que ruins.”

Ainda assim, alguns pesquisadores alegam que é preciso ter cautela em relação à eficácia do tratamento, uma vez que, é difícil comparar o tratamento placebo com o método tradicional na psiquiatria. Mas Pagano diz que melhorou o suficiente para acreditar na EMT.

“Em menos de 6 meses de tratamento com EMT, eu pude me recompor após sofrer de depressão, ansiedade e tristeza por mais de 20 anos”, diz Pagano. “Devo à EMT mais do que eu jamais poderia pagar.”

Monday, October 24, 2016

Transtorno Bipolar, 40 dicas!

Recalcule a sua rota
Para que a doença não limite você a nada, sugerimos 40 dicas capazes de melhorar o diagnóstico e aumentar o impacto da terapia

Transtorno Bipolar, 40 dicas!


Revista Transtorno Bipolar: Texto Jéssica Frabetti /Design Renan Oliveira

Saiba mais sobre tratamento do transtorno bipolar!
A estimulação magnética pode ser uma opção para tratamento do bipolar!

1 Aceite a doença. ”Quando o paciente aceita que precisa de tratamento psiquiátrico, esse processo torna-se mais fácil e eficaz” , destaca a psiquiatra Maria Cristina De Stefano.


2 Confie em especialistas. “A maioria das doenças se cura espontaneamente ou com quase interferência médica, porém, os transtornos mentais podem ser controlados, atenuados, e até curados, com um tratamento adequado”, indica Maria Cristina.


3 Respeite o tratamento. Ao receber a terapia indicada por um profissional, é importante integrá-los ao dia a dia , em doses e horários certos definidos pelo seu psiquiatra.


4 Durma bem. Especialistas indicam dormir ao menos 8 horas por noite. “O corpo cansado, exausto e estressado fica mais propenso a adoecer”, indica Maria Cristina.



5 Saiba o que evitar! Algumas substâncias, tanto lícitas (medicamentos em demasia, cigarro, café e álcool) quanto ilícitas (maconha, cocaína, LSD e crack), não são indicadas para quem tem o transtorno. “Elas modificam as funções e diminuem a vida dos neurônios”, destaca Maria Cristina. Além disso, um fator que pode contribuir para o desenvolvimento da bipolaridade é a dependência química.



6 Fuja do estresse negativo. “Uma pessoa submetida ao estresse constante e intenso tem mais chance de adoecer ou de ter uma crise emocional, principal desencadeante das alterações do humor”, afirma Maria Cristina.



7 Tchau pessimismo! Se possível, observe as pessoas com quem convive diariamente e evite indivíduos pessimistas, controladores estressados, tensos e explosivos. “As crises alheias podem agravar os seus sintomas. Busque manter relacionamentos com pessoas que influenciem sua vida de forma positiva, com calma, aceitação, compreensão e estabilidade”, destaca Maria Cristina.


8 Pratiquem atividades psicofísicas. Algumas práticas físicas feitas ao ar livre, por exemplo, são capazes de estimular o corpo e ainda fornecem sensações prazerosas, o que  ajuda estabilizar e manter o humor, pois isso libera endorfina, um dos neurotransmissores capazes de desligar a adrenalina, hormônio comum em situações de estresse.


9 Tenham companhia para exercitar-se. Nas fases de euforia , pode ser mais fácil manter atividades físicas, entretanto, em seu oposto, pode ser mais difícil. Por isso, procure companhias que estimulem, principalmente em momentos deprimidos. “Exercícios físicos facilitam uma neuroquímica mais equilibrada e acalmam a mente” afirma o hipnoterapeuta e psicólogo Bayard Galvão.


10 Busque tranquilidade. Seja através de caminhada tranquila, uma volta de bicicleta, olhar as nuvens passando no céu. Preste atenção nesses momentos que são apenas seus e faça deles os melhores.


11 Lazer é importante, sim! “Fazer algo que dá prazer é uma forma de manter o bom humor e a autoestima”, ressalta Maria Cristina.


12 Aprenda a ser espontâneo. O hábito tem capacidade de desenvolver a autoconfiança, importante para evolução do tratamento.


13 Frequente um acupunturista. “A técnica promove relaxamento, libera neurotransmissores importantes tanto para a recuperação de lesões cerebrais como periféricas, e, em consequência, evita crises”, recomenda a psiquiatra.



14 Descubra o toque.  Massagens podem liberar ocitocina, conhecida como hormônio do amor e, como efeito, além de ajudar no relaxamento, modula o humor e a ansiedade.



15 Atente-se ao seu prato. Quem tem a doença precisa manter uma alimentação balanceada, nem que seja preciso interferência médica ou nutricionista. “O transtorno bipolar pode levar a queda ou aumento do apetite, da voracidade à anorexia, portanto, o déficit de vitaminas no organismo, assim como a obesidade, agravam os sintomas de humor alterado”, aponta Maria Cristina.


16 Reduza (o máximo que puder) o açúcar! Essa dica é geral, porém cai muito bem para quem possui a doença. O açúcar em excesso pode levar à obesidade e aumentar a ansiedade. A cada dia, diminua um pouco e aprenda a dizer não à oferta de doces sem se sentir culpado ou constrangido.


17 Mantenha-se firme aos seus propósitos. “A assertividade é um dos componentes da saúde mental e pode ser aprendida e treinada nas sessões de psicoterapia”, comenta a psiquiatra Maria Cristina. Tal hábito pode ser liberador para quem sofre com ciclos de euforia-depressão.


18 Escreva e detalhe seu dia. Guardar anotações do seu dia a dia, de momentos que o deixam feliz ou o oposto, o que fez e o que deixou de fazer, é uma forma de entender o que acontece com você e o que está contribuindo ou não para a melhora da doença. “As anotações também vão contribuir para o controle dos efeitos das medicações e ajudam seu médico a ajuda-lo mais ainda”, destaca a psiquiatra.


19 Alimente (positivamente) a química do seu corpo. Busque se conhecer, observando momentos de irritabilidade, tristeza, desânimo, excesso de felicidade e inquietações. “Em seguida escreva o que teria passado pela sua cabeça ou acontecido à sua volta logo antes (até 15 minutos ) da emoção em questão. O tempo para o pensamento virar sentimento ( seja trazendo alegria, tristeza ou raiva) é de 0.2 segundo, tempo para um pensamento alterar a química do corpo, gerando o que se chama de emoção”, explica Bayard.


20 Aceite ajuda. Saiba que, mesmo buscando conquistar o controle, tudo bem receber ajuda. Isso, inclusive é uma ótima forma de acelerar o tratamento. “Guardar mágoas, ressentimentos e tristezas pode desencadear períodos depressivos. Aprender a desabafar sem buscar culpados nos liberta da raiva e nos leva a achar soluções realistas e possíveis, economizando nossa energia emocional”, comenta Maria Cristina.


21 Busque seu direito de tirar férias. Mesmo que seja autônomo, procure investir e separar um momento de descanso total, desligando-se o máximo possível. “O tempo de férias não deve ser menor de 20 dias, pois só neste período é que diminuem os hormônios do estresse”, recomenda a psiquiatra.


22 Realize-se no seu trabalho. Ok, pode parecer idealístico, mas você pode controlar isso também, buscando não acomodar-se. Invista em você até que o leve a um trabalho no qual se sinta gratificado e respeitado. “Mesmo não sendo fácil encontrar esse caminho, atuar em uma área de interesse e afinidade faz com que o trabalho seja recompensador e agradável”, evidencia Maria Cristina.


23 Adote um bichinho. Além de evitar o abandono, a adoção pode trazer estímulos surpreendentes para quem convive com a doença: “traz alegria, ensina a cuidar e a valorizar vida, seja ela qual for, liberta nossos interesses e instintos, além de desenvolver nossa compaixão”, comenta a psiquiatra. No entanto, a ação de cuidar deve ser pensada e realizada com responsabilidade.


24 Tenha em quem confiar. Principalmente em momentos de euforia, antes de tomar alguma decisão, verificar com alguém em quem confie se a compra, investimento ou atitude por fazer parece  ser boa. “Quando a pessoa está excessivamente alegre, é fácil tomar decisões de maneira inconsequente”, afirma Bayard.


25 Quando estiver muito triste, desvie a atenção. “Caso fique pesado demais lidar com a dificuldade sozinho, deixe para fazê-lo em consultório com o psicoterapeuta”, recomenda Bayard.


26 Tenha um mantra toda vez que pensar em suicídio. É um tema difícil de administrar, pois cada um lida com o momento de tristeza de uma forma. No entando, buscar entender esse pensamento negativo como um momento ruim, que a “tempestade passará”, ajuda a dissipar as “nuvens”.


27 Aproveite o presente! Em situações de tristeza, aprenda a valorizar o que você tem hoje e tudo de bom que a vida tem para oferecer no momento presente. “Não é incomum as pessoas tornarem insensíveis à realidade, buscando apenas felicidades intensas, relacionamentos perfeitos, sucessos sem esforço e variações, que quando confrontados com o mundo, este dá a impressão de ser sem graça e pouco, trazendo inúmeras tristezas e frustrações”, relata Bayard.


28 Relembre!  Sabe aquilo que você escreveu em algum momento de felicidade? Não hesite em revisitá-lo e reviver boas experiências e vivências. Mas cuidado! “A diferença entre saudade e nostalgia é que a primeira é saudável e alimenta a vida, a segunda, dificulta o presente e se torna uma areia movediça”, ressalta o psicólogo Bayard.



29 Cuide da sua felicidade. Para isso, é preciso entender que ela uma escolha e não um lugar para chegar! Por isso, deixe-se levar pelo caminho  mais alegre. Bayard exemplifica: “é fato que as pessoas não têm claro o que lhes dá prazer ou felicidade, mas sim o que elas acham que trará prazer. Um raciocínio para diferenciar um e outro é buscar nas lembranças e se perguntar: do que eu busco hoje que me trará felicidade, quanto eu já vivenciei de maneira similar a situação?”.


30 Leitura é poder. “Caso o paciente tenha medo de perder o emprego, ficar sem companheira(o) ou ficar doente, ele pode buscar sabedoria para viver bem com um pouco dinheiro, solteiro(a) e sabendo que um dia pode adoecer. Não foram poucos os que escreveram sobre estes assuntos, como Sêneca (filósofo do século I) e Montaigne (filósofo do século XVI)”, indica Bayard.


31 Faça um lista das ações importantes. “É essencial que as pessoas aprendam a fazer ações sem ter vontade, seja tomar banho, trabalhar, fazer exercício, estudar e todas as responsabilidades e necessidade para um viver saudável”, recomenda Bayard.


32 Não tenha vergonha. Tenha claro que não é só você que possui algum tipo de doença psiquiátrica. “Quanto mais tratamento, melhor, e não é preciso ter vergonha. Viver é simples apenas nas fantasias”, comenta o psicólogo.



33 Observe 3 prós e 3 contras em episódios de mania (euforia). “Na mania, também chamada de euforia, é fácil as pessoas tomarem decisões que, caso não foram pensadas, podem provocar muitos problemas, como comprar um carro novo ou pedir demissão de um emprego, arrependendo-se depois, quando não estiver em crise”, recomenda Bayard.


34 Evite, sempre que possível, grandes atitudes. Ou pelo menos toma-las sem avaliar a relação custo/benefício em curto, médio e longo prazo, pois emoções extremas tendem a atrapalhar o tratamento.


35 Busque alívio sempre que precisar. Não tenha vergonha em investir em você! Tenha, como compromisso, atividades minimamente prazerosas (ou que tragam alívio) semanalmente. “O ser humano precisa de doses diárias de prazer para ter uma vida mental saudável, seja um café da manhã agradável, ouvir boas músicas ou pintar”, indica Bayard.



36 Escreva (sim) para se entender! Especifique sempre os sintomas que sentiu em determinadas épocas e tudo o que também aconteceu no mesmo período. “Quando tornamos os nossos sentimentos claros para nós, eles se tornam mais superáveis”, destaca o psicólogo clínico.



37 Saiba quando espairecer. “Tenha sempre uma lista possível de distrações para os momentos em que a vida ficar mais pesada, seja jogos no celular, músicas no carro, academia, cinema ou apenas descansar. Distrair-se das dores as anestesia momentaneamente”, aconselha Bayard.



38 Busque sempre entender a origem. O que deixou triste ou muito eufórico em um certo episódio pode ter uma causa maior. “Muitas pessoas acreditam que qualquer coisa as fez ou faz mudar repentinamente de humor, sem razão alguma. Mas a realidade é que essa alteração tende a ser um gatilho que fora disparado, com ou sem percepção da própria pessoa”, explica Bayard. Se necessário, conserve com o seu médico para entenderem juntos o que cada emoção significou.



39 Analise se feriu alguém. “escrever num papel ou celular os pensamentos que machucaram alguma pessoa ao longo do dia, não importa se for sobre relacionamentos, profissão, autoestima ou outro, poderão fornecer dados muito importantes para a superação do sofrimento atual, principalmente se trabalho com um psicólogo”, detalha Bayard.




40 Respire. Sim, o ato é involuntário, mas quando você traz a atenção para a sua respiração, isso o faz relaxar, seja qual for o momento. Imagine o ar entrando, preenchendo suas cavidades, células, e solte o ar com calma, liberando qualquer tensão, seja de corpo ou da mente.
Revista Transtorno Bipolar – 40 – Ano 2, N. 2 – 2016

Monday, October 17, 2016

Conheça os benefícios e os malefícios do eletrochoque


Conheça os benefícios e os malefícios do eletrochoque

O retorno da técnica, aperfeiçoada, aconteceu nos anos 2000, mas ainda não está totalmente claro por que a convulsão induzida produz benefícios relatados por pacientes









Como muitas outras descobertas da ciência, a associação entre convulsão e abrandamento dos sintomas psiquiátricos aconteceu por acaso. Considerado um dos fundadores da neurologia, o Nobel de medicina e fisiologia Julius Wagner von Jauregg percebeu, no início do século 20, que pacientes de transtornos mentais com infecções graves, que levavam a uma febre alta convulsiva, apresentavam melhora significativa. Testes conduzidos por ele em pessoas com neurossífilis avançada — doença incurável e progressiva, que leva a depressão, paranoia e comportamento violento — foram bem-sucedidos e abriram caminho para outras experiências.

No início, substâncias como cânfora e insulina foram usadas para induzir a convulsão em pacientes psiquiátricos. Até que, em abril de 1938, o neurologista italiano Ugo Cerletti conduziu a primeira sessão pública de eletrochoque em um laboratório da Clínica de Doenças Nervosas e Mentais da Universidade Régia de Roma. De acordo com Alessandro Aruta, pesquisador do Museu de História da Medicina da Universidade de Roma, o paciente era um jovem esquizofrênico, levado pela polícia ao hospital semanas antes, depois de ser encontrado vagando pelas ruas da capital. Sem exibir sinais de emoções e incapaz de se comunicar, ele foi deitado em uma cama e teve dois eletrodos encostados nas têmporas. “Depois do tratamento, o paciente começou a se interessar pelo que havia em sua volta; a mente clareou e pareceu estar em boa saúde”, descreve Aruta em um artigo publicado no jornal Medical History.



A indução da convulsão por meio da eletricidade continuou mostrando bons efeitos para minimizar sintomas psiquiátricos. Contudo, à custa de enorme sofrimento e desrespeito aos direitos humanos. Por décadas, o eletrochoque foi aplicado em alta voltagem, contra a vontade do paciente, que, diferentemente de hoje, não era anestesiado nem recebia relaxante muscular. Dessa forma, além de estar acordado durante o procedimento, o corpo inteiro convulsionava, provocando dores e gerando as pavorosas cenas do doente se debatendo, enquanto amarrado ou segurado por vários enfermeiros. Sem ninguém para regular sua aplicação, a técnica se banalizou, passando a ser usada para indicações controversas, como em usuários de drogas — algo proibido atualmente —, ou para punir/acalmar internos de clínicas e manicômios.


Minervino Junior/CB/D.A Press


A partir de meados da década de 1970, denúncias e críticas sobre o eletrochoque se intensificaram. Aos poucos, vários países começaram a bani-lo. No Brasil, pouco a pouco foi desaparecendo dos hospitais públicos — em Brasília, a última sessão no Hospital de Base ocorreu em 1991. Contudo, com o aperfeiçoamento da técnica, o rigor das diretrizes de associações médicas nacionais e internacionais e as evidências científicas da melhora dos pacientes, a ECT começou a voltar nos anos 2000, sendo oferecida, hoje, em alguns hospitais universitários em São Paulo, no Rio Grande do Sul, no Rio de Janeiro e em Pernambuco, entre outros. No Hospital Universitário de Brasília (HUB), não há o serviço.

O psiquiatra e pesquisador Moacyr Alexandro Rosa, vice-presidente da Associação Brasileira de Estimulação Cerebral (Abecer), explica que os mecanismos de ação da eletroconvulsoterapia ainda estão sendo pesquisados. “Os efeitos são semelhantes aos dos fármacos, ela reduz receptores, libera hormônios e altera o ritmo cerebral. Mas faz isso de forma mais rápida. A depressão pode ser uma doença mortal. Quando você tem um paciente com risco de suicídio, não pode esperar semanas até que o remédio faça efeito”, defende. “Depois do tratamento, você observa que houve modificações nas conexões entre os neurônios, alterações em áreas cerebrais. A ECT parece organizar os circuitos neurais”, complementa a psiquiatra Raquel Carvalho Mergulhão, que atua com a técnica.

Vontade de viver
Se, no passado, a ECT causava medo nos pacientes, hoje eles parecem bastante à vontade com a técnica. Depois de um tratamento de 11 sessões, o engenheiro civil Eduardo (nome fictício a pedido do entrevistado), 38 anos, diz que o tratamento devolveu a ele a vontade de viver. Desde 2014, ele vinha travando uma batalha contra uma depressão severa, desencadeada após um episódio de síndrome de pânico, que o afastou do trabalho, da vida social e da própria casa. “Eu estava numa apatia total, não conseguia comer, não conseguia dormir nem com medicamento. Comecei a ter ideias suicidas”, conta. Eduardo voltou a morar com os pais. “Nem os antidepressivos estavam fazendo efeito. Trocava de remédio e nada. Também fiz terapia e não vi melhora”, recorda.

Diante desse quadro, um psiquiatra o encaminhou à ECT. Desconfiado, o engenheiro não acreditou que a técnica poderia ajudá-lo, mas foi incentivado pela família. “O apoio dos meus pais foi fundamental. Eles ficavam o tempo todo ao meu lado, sempre me acompanhavam e conversavam com os médicos.” De acordo com Eduardo, as sessões não traziam nenhum tipo de desconforto, mas, nos dias que se seguiam, ele costumava sofrer com um efeito comum e bastante incômodo da técnica: o esquecimento (veja infografia). Eduardo relata que a melhora foi gradativa. Seis meses depois do tratamento, ele voltou a morar sozinho. “Hoje não tenho mais nada. Trabalho bem, tenho muitas amizades, participo de muitas coisas, gosto de sair”, enumera. “Quero viver bem para compensar esse período em que fiquei deprimido”, diz.